Eu tive um sonho...
Eu
tive um sonho...
Estamos no ano de 2015. Eliana, uma jovem
engenheira, mantém uma entrevista com Jonas, engenheiro-senior, uma lenda viva
em sua especialidade. Eliana apesar de jovem, foi graduada por uma das melhores
escolas de engenharia do mundo - o ensino de sua época tornou-se globalizado -
possui ainda, título de mestre em síntese de materiais e de doutorado na mesma
área. Tudo que ela esperava era por uma oportunidade de trabalhar em seu campo
de especialização, colocando em prática o embasamento teórico, conseguido
através de investimentos pessoais bastantes relevantes.
Sabedora de suas qualificações, ela
acreditava que conseguir este trabalho, era uma tarefa com grande probabilidade
de êxito. Sentia-se particularmente satisfeita em poder trabalhar com Jonas,
seu ex-professor e mentor. Esta convivência anterior permitiu fluir de ambos
uma sinergia imediata.
O olhar de Jonas, como para uma filha, era de
admiração por sua ex-aluna, ainda porque, Eliana era filha de Marcos, um
colega de trabalho e amigo, que resolvera dar volta ao mundo a bordo de um
veleiro e viver por tempo indeterminado deste modo.
Ao ver aquela menina dissertar sobre teorias,
sobre seus descobrimentos, sobre o seu encantamento geral, o fez relembrar do
seu próprio deslumbramento, de quando ainda era jovem e havia ingressado aqui
na organização. Mas algo que ela disse, particularmente prendeu a atenção de
Jonas, quebrou-se de momento a barreira do tempo, fazendo-o voltar ao passado e
reviver os momentos iniciais de sua vida profissional.
Eliana havia comentado que seu pai, mesmo sendo
um grande entusiasta do próprio trabalho, não teria passado para ela a exata
sensação do que isto representava, mais, o que era a instituição. Ela
dissertava sobre a empresa e suas instalações impecáveis, sobre a divisão
organizacional inovadora, sobre a tecnologia de ponta utilizada, sobre a
produtividade e motivação de todos.
Enfatizou a atenção que a organização
dedicava as pessoas, estando isto impresso física e culturalmente em tudo. Também
sobre o modo de como foi recepcionada pelos profissionais, alguns velhos
conhecidos de seu pai e outros não. Parecia haver uma cumplicidade de todos
para que ela se sentisse parte deste todo.
Jonas ouvia muito atentamente o que lhe era
narrado, e, num universo paralelo reviu todo o processo que levou a organização
à este estado sinérgico atual. Lembrou que tudo nem sempre foi assim. No início
a empresa muito jovem ainda, como a maioria das pessoas que nela trabalhavam,
carecia de experiência e transbordava energia. Ela nascera e existia em função
de um grande desafio tecnológico atrelado a um contrato vital.
O entusiasmo e o elã das pessoas, por
sentirem-se competentes e capazes de sobreviver àquele desafio, às vezes,
afastavam-nas de outras coisas tão quanto importantes dentro de uma organização
social. Não que aquela visão imediatista estivesse certa ou errada, pode ser
até que para o momento, fosse a única escolha, considerando o caráter de urgência
e a incerteza intrínseca dos projetos.
Por que as pessoas conviviam de forma latente
com pressões de variadas origens, o clima organizacional foi se tornando tenso,
carregado de pequenos descontentamentos e decepções, fazendo com que elas se
sentissem sozinhas e tivessem a percepção de que em última estância só
poderiam contar consigo mesmas.
O que pode parecer ser inicialmente um
contra-senso, graças a algumas perdas importantes, esta situação foi aos
poucos sendo percebida pelas pessoas, que ao olharem para trás, perguntaram-se:
- O que estamos fazendo com as nossas vidas?
Por que este modo de vida, não fazia parte da
expectativa inicial de ninguém.
Então porque não mudar? Então porque não
empregar energia para reverter esta situação? Algumas respostas para estas
perguntas foram: Por que não tenho tempo; por que não sou especialistas nisto;
por que o problema não é meu, além do mais este estado faz parte deste tipo
de negócio; por que pretendo mudar de emprego... Uma coleção de motivos
rapidamente apareceu.
E até o despertar de todos, uma outra coleção
se formou, a de perdas acumuladas. A situação ficou de certa forma insustentável.
Por isso, reuniram-se pessoas em torno da busca por soluções para o problema.
E ele foi sendo delineado e resolvido, ponto-a-ponto, fato-a-fato, dia-a-dia,
como parte de um grande plano para o encontro com uma realização maior.
E o tempo passou, assim como desafios,
contratempos e vitórias, mas pessoas e bons momentos ficaram na lembrança e na
vida de todos. Estas pessoas pouco se aperceberam das mudanças, por que foi um
processo evolutivo, por que foi pelo amadurecimento.
Graças a elas hoje existe esta realidade. Por
que ousaram questionar, distinguir o que era verdadeiramente importante em suas
vidas e partir em busca da realização de seus sonhos.
*Eu tive um sonho... Martin Luther King foi
autor da frase, que deu o título a esta ficção
Realize sua própria experiência passo a
passo:
1º Passo: Sozinho exercite sua opção
sobre a visão do seu futuro.
Descreva sua visão ou faça uma simples lista daquilo que você gostaria de
experimentar no futuro;
Descreva sua realidade atual ou faça uma simples lista daquilo que você não
gosta ou não faz parte de sua visão de futuro;
Descreva um plano simples para atingir sua visão e eliminar aquilo que você
prefere que não permaneça em sua realidade.
2º Passo: Repita o passo anterior,
junto com os seus parceiros.
3º Passo: Compartilhe sua visão
primeiro com as pessoas chaves, depois com as demais pessoas envolvidas.
4º Passo: Comprometa-se com sua visão
e inicie sua jornada.
Lembrete: Aquilo que você percebe hoje,
advêm de escolhas que você fez ontem, assim como amanhã você experimentará
os frutos de suas escolhas atuais.
Eventuais obstáculos, como dádivas, existem somente para valorizar suas
conquistas.
Luciano Carvalho
Consultor de Empresas
Luciano Carvalho – Consultor de
Empresas - lucianofc@uol.com.br -
Out/99
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