Exposição
A exposição do que uma caixa de sabão em pó
é e faz normalmente passa bem pela aceitação do mercado. Mas ainda existe
preconceito contra a exposição de marcas e competências pessoais, talvez pela
grande carga cultural que recebemos de que não devemos "fazer
propaganda" de nós mesmos. Sempre que nos expomos ficamos sujeitos ao bom
tempo, mas também às tempestades críticas. O que fazer?
Se nos detivermos a escutar todas as opiniões, nunca vamos sair do lugar. Que o
profissional hoje deve se expor, não resta dúvida. Que isso poderá ser mal
interpretado, idem. Porém, com a mudança do paradigma do emprego para um
paradigma de prestação de serviços, existe a necessidade de cada profissional
trabalhar muito bem sua imagem e pregá-la no poste da exposição pública.
Para ser conhecido por muitos, contratado por alguns e execrado pelo resto. A
pergunta é conhecida: Por que razão ninguém come ovos de pata? Porque pata não
canta quando põe ovos. A galinha sim.
Quem já morou nos EUA sabe que lá existe uma cultura diferente a respeito
disso. Desde a escola as pessoas são estimuladas a se expor, em discursos,
apresentações artísticas, teatro, esportes, etc. Até em enterro tem um monte
de gente, inclusive jovens, que faz discursos. Numa high school lá eu morria de
vergonha quando via colegas de classe indo à frente declamar um poema como se
estivessem em um palco, e isso numa aula equivalente a uma aula de português
aqui.
Uma amiga me avisou que virei tema de comentários (todos negativos) numa
comunidade chamada "As piores descrições do Orkut".* Ali fui chamado
de Pavão, "maria-vai-com-as-outras", autor de auto-ajuda, mané,
modorrento, spammer, "rei-do-marketing-palestrante-motivacional" e
outros adjetivos chulos que prefiro não repetir aqui. Pelo jeito as 15 pessoas
que dedicaram seu tempo a tecer críticas visitaram meu site, meu blog e leram
algumas de minhas crônicas.
Diverti-me um bocado com os comentários. Por que? É que tinha acabado de
assistir "Piratas do Caribe", com a atuação ímpar de Johnny Depp no
papel do Pirata, e chamou minha atenção um diálogo que ocorre entre ele e o
Comodoro, logo após o Pirata salvar do afogamento a mocinha prometida ao
Comodoro:
- Só um tiro e nenhuma munição extra. Uma bússola que não aponta para o
Norte... - ironiza o Comodoro Rorrington, examinando os pertences do pirata que
acaba de ser algemado. Desembainha a espada do prisioneiro e acrescenta:
- E eu quase esperava que fosse feita de madeira. Sem dúvida alguma você é o
pior pirata de quem já ouvi falar.
- Mas você já ouviu falar - retruca Jack, o Pirata.
Mario Persona
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