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Fases Da Vida

"...infelizmente, porém, para o homem civilizado...só existe um modo pelo qual pode a natureza fazê-lo pensar na saúde - através da doença...". (do livro "Ioga e Saúde" - 1964)

Há alguns anos, li numa camiseta uma sátira muito interessante sobre as fases da vida de um homem, que dizia: "dos  15 aos 30 anos - tem tempo, tem tesão, mas não tem dinheiro; dos 31 aos 50 - tem dinheiro, tem tesão, mas não tem tempo; dos  51 aos 70 - tem tempo, tem dinheiro mas não tem tesão". Dia desses, estava refletindo sobre ela e cheguei a uma triste conclusão. Além de ser ao mesmo tempo injusta e engraçada, não deixa de ser uma verdade. Para muita gente, sempre falta alguma coisa. Baseando-se nesta sátira, gostaria de contar uma historinha (atenção: nosso personagem é fictício, qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência).

Mário é um jovem executivo de 42 anos. Atua numa empresa de alta tecnologia e sua carreira está numa fase excelente. Tem dinheiro, tornando sua vida e de sua família bastante confortável (Mário é casado e tem dois filhos pequenos). Também tem bastante tesão, quero dizer disposição, principalmente para o trabalho. Sua saúde parece ótima, tendo em vista que até os 27 anos foi quase um atleta. Como não tinha grandes responsabilidades, jogava futebol 2 vezes por semana e corria na praia toda a manhã. Mário foi por muito tempo considerado um exemplo de saúde pelos amigos.

Ultimamente, sua mulher tem se queixado de que Mário está muito disperso, tenso e distante dos filhos. No domingo passado, numa festa de aniversário infantil, o celular tocou e precisou sair correndo para a empresa a fim de solucionar um problema que havia ocorrido. Naturalmente isso deixou sua mulher uma fera e frustrou seus filhos - principalmente porque isso tem acontecido com certa freqüência. Além de sua inesperada ausência, a família teve que voltar para casa de táxi. Mário chegou em casa por volta das 22:00 h, sem a mínima disposição, quero dizer tesão. Estava tão agitado e irritado que não conseguiu dormir, tendo uma insônia daquelas. Às 6 horas da segunda-feira já estava de pé, sentindo-se um trapo pela noite mal dormida. Durante o dia, suas atividades se alternavam entre reuniões, elaboração de relatórios para a Presidência, entrevistas, apoio aos subordinados, desenvolvimento de estratégias e atendimento a alguns clientes especiais. 

Geralmente não tinha nem tempo para almoçar. Essa rotina costumava ir, no mínimo, até as 20:00 h. Naturalmente seu rendimento não está dos melhores. Mário sempre foi uma pessoa gentil e atenciosa, mas seus colegas estão se queixando de seu comportamento, ultimamente muito áspero e grosseiro. Os amigos próximos já tentaram conversar e alertá-lo dos perigos de manter esse ritmo maluco, mas foi em vão. Em casa, as coisas não andam muito bem. Quando encontra os filhos acordados, após um breve bate-papo, geralmente "desmonta" no sofá, quase sempre sem o jantar...

A dificuldade de nosso personagem é a mesma de uma boa parte das pessoas no ápice da carreira profissional (exatamente aquelas entre os 31 e os 50 anos) - tem tudo mas "não tem tempo". Teoricamente, é uma época onde tudo está perfeito. As possibilidades e oportunidades são abundantes e a pessoa tem energia de sobra para se dedicar ao trabalho, muitas vezes não se incomodando em, de vez em quando, trabalhar além do horário. Para alguns, isso é uma rotina. Mas tem um aspecto que está sendo negligenciado pela maioria dos profissionais nessa faixa etária - a saúde.

Vivemos a época do "trabalho inconseqüente", em que jovens executivos, no auge de seu vigor físico e mental, trabalhando mais para ter uma vida melhor, estão ficando mais doentes.

 Ainda há um infeliz paradoxo entre trabalho e qualidade de vida. O maior problema para o futuro desses jovens executivos, como o nosso personagem Mário, é que se não estiverem atentos, chegarão (se chegarem) aos 70 anos com tempo, dinheiro, mas sem tesão, sem saúde, sem prazer, sem bem estar, etc. Como diz o guru Marco Aurélio Vianna, num futuro muito próximo, 70 anos não será mais o fim da vida, mas apenas mais uma fase, pois poderemos chegar facilmente aos 95. A questão é, em que estado vamos chegar lá?

Com relação ao tempo do tempo, é preciso entender que o que vivemos no presente é fruto de ações do passado, e nossas ações no presente serão os resultados do futuro. Então, neste momento, estamos construindo nosso futuro, em todos os aspectos, seja pessoal, profissional, afetivo, saúde, relacionamentos, etc.

Realmente vivemos uma época de muita pressão no trabalho, existem uma infinidade de métodos e tecnologias para facilitá-lo, sabemos exatamente o que deve ser feito para melhorar, mas...não há ação para mudança. E então, boa parte dos jovens executivos, assim como nosso personagem Mário, continua num círculo vicioso de corrosão interna, familiar e profissional, que quase sempre deixa suas seqüelas, muitas delas irreversíveis.

...E o Mário? Agora está melhor, após o susto de um enfarte. Graças a Deus não foi muito sério, nem precisou passar por cirurgia. Aliás, está voltando a trabalhar na próxima semana, após 40 dias de molho. Mas o médico já avisou - se tiver outro, talvez não tenha tanta sorte. Recomendou diminuir o ritmo de trabalho, se divertir mais, fazer atividades físicas diariamente e se alimentar adequadamente. Até voltou a viver com a mulher. Confidenciou a alguns amigos, entusiasmado, que já mudou seu comportamento e que pretende viver pelo menos até os 70...    

Será que o nosso personagem precisava passar por tudo isso? Talvez não, mas foi a forma que escolheu para aprender. Como você quer chegar aos 70? Sabemos que hoje já é possível comprar o tesão na farmácia, mas ainda não é possível comprar uma pílula que nos dê saúde. Preservar nossa saúde é uma responsabilidade pessoal, se deixarmos que ela vá embora, fica mais difícil chegar aos 70. A escolha é exclusivamente sua.

Saúde e um grande abraço.

 

Carlos Legal 
Consultor do MVC

 

 



 

 

 

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