Gerando Reuniões Produtivas
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"Em
uma boa reunião há um momento que surge da troca espontânea de idéias
frescas e produz resultados extraordinários. Este momento depende da liberdade
permitida aos participantes"
Harold
Geneen
A reunião conceitualmente pode ser definida
como um processo de decisão coletiva, através do qual os envolvidos, após
exposição e discussão de suas idéias conseguem chegar a uma conclusão capaz
de atingir as expectativas e objetivos de todos os que mantinham interesse em
seus resultados.
Será que é isso mesmo?
Participar de uma reunião pressupõe que é a
melhor forma de se conseguir chegar a uma conclusão efetiva sobre determinado
tema – decisão, superação de problema, desenvolvimento de uma nova idéia,
adoção de um processo de mudanças, e tantos outros menos votados.
Os manuais sobre reunião existentes no cenário
de negócios são amplos – embora escassos no que diz respeito a sua
contemporaneidade – já que há pouca coisa nova nas livrarias. A reunião
pode ser vista como uma excelente oportunidade de se conseguir informações não
conhecidas por nós, e que servem de subsídio para nossas decisões.
A reunião também é uma oportunidade de
compartilhar com pessoas que fazem parte de nosso universo produtivo nossas
percepções e visões acerca de assuntos de interesse, como também trocar
informações que possam ser agregadas a nossa experiência.
Há um significativo número de profissionais
que criticam a reunião, a seu ver uma forma improdutiva de tomar decisões.
Percebe-se, todavia que o erro das reuniões, em geral, não está no evento em
si, mas nas atitudes que são tomadas por seus participantes.
É essencial que reflitamos sobre a qualidade
de nossas atitudes, posturas, comportamentos antes, durante e depois de reuniões
para as quais somos convidados, ou aquelas nas quais somos nós os geradores da
necessidade, liderando e coordenando seus trabalhos.
Vamos, em seguida, levantar alguns aspectos
que, sem dúvida, comprometem de forma significativa o desenrolar de uma reunião
que se propõe a ser produtiva:
-
Sua
necessidade real – pode ser substituída por outra forma de decisão?
-
Seu
objetivo – há clareza quanto o que se pretende com este tipo de
instrumento?
-
Sua
finalidade – para que serve? O que vai trazer de valor agregado ao
processo produtivo?
-
Sua
oportunidade – em relação ao tema a ser discutido, o momento é o mais
adequado, há disponibilidade dos interessados (com representatividade para
participar da reunião)
-
Seu
custo – o benefício gerado pelo evento justifica o investimento inicial
– tempo, valor hora dos envolvidos, recursos?
-
Ocorrência
– qual o melhor local para se efetivar? Qual a disponibilidade de espaço
que otimize o conforto e a liberdade dos decisores?
Se as questões acima forem respondidas de
forma satisfatória, não havendo dúvidas que comprometam o resultado,
acreditamos que a nossa reunião pode ser realizada.
A partir deste momento entramos no conjunto de
medidas que tornam a reunião eficaz. Não há porque repetí-las, já que os
textos existentes são pródigos em informações sobre elas. Anexo a este
artigo, estamos disponibilizando um roteiro, com base na bibliografia de referência
desse texto, que nos ajudará a entender o ritual.
Nossa preocupação, como foi dito nos parágrafos
acima, é com nossas atitudes durante a reunião, e o impacto que elas podem
causar em seus resultados.
O primeiro desses aspectos diz respeito a
qualidade da comunicação que nos propomos a adotar em momentos de discussão
coletiva.
Qual a qualidade de nossa linguagem? Somos
capazes de desenvolver uma linguagem de resultados, ou nos preparamos para
adotar uma linguagem de estimulação:
- Ao nos dirigirmos aos demais participantes,
com o intuito de obtermos esforço para objetivos, resultados, lucros –
metas, ou concordância com nossas idéias, usamos uma linguagem de gestão
cobradora, ou nós a associamos a uma linguagem de reconhecimento pelo
envolvimento, de oportunidade de crescimento e aperfeiçoamento, de
participação nos benefícios?
- Quando falamos de erros cometidos,
simplesmente apontamos os erros, julgando seus geradores, ou adotamos uma
linguagem de questionamento, descrevendo fatos, orientando para resultados,
provocando nos demais uma atitude de acompanhamento de nosso raciocínio?
- Quando discutimos pontos sensíveis, capazes
de gerar desconforto e ansiedade entre os demais, preocupamo-nos em firmar
nossa posição, clarificando-a, ou simplesmente adotando uma posição de
neutralidade, sem comprometimento ou apoio aos demais?
- Quando o assunto envolve algo com condições
de provocar algum tipo de perda ou que afete de forma negativa os demais
participantes, posicionamo-nos empaticamente, ou colocamo-nos a margem da
sensibilidade geral?
- Em suma, nossa forma de comunicação
durante a reunião assume ares ameçadores ou somos capazes de mostrar
espontaneidade em nossa postura, capaz de gerar apoio às nossas idéias e
propostas?
O cuidado com a qualidade da comunicação em
processos de decisão coletiva deve nos levar a perceber, complementarmente um
conjunto de fenômenos atitudinais essenciais, para o sucesso do momento:
- Exercitamos a prática da escuta eficaz,
onde estamos atentos ao que nos é dito, ou ao que dizemos aos demais, para
percebermos se faz sentido?
- Somos capazes de questionarmos os demais, ou
nos questionarmos, sempre que observarmos necessidade de que sejam revistas
as mensagens emitidas pelos demais, ou por nós mesmos, até que o
entendimento seja uniforme?
- Nos preparamos convenientemente para abordar
os diversos assuntos a serem discutidos, como forma evoluída de participação,
conforme afirma David Berlo (1.989), respeitando a linguagem e a condição
de acesso à informação de nossos interlocutores?
É fundamental o nosso entendimento de que uma
reunião é um fenômeno decisório que tem:
- pré-existência - preparação
- existência - debates
- duração - validade
- conclusão – resultados
- pós-existência – acompanhamento
Nosso papel será tão valorizado quanto formos
capazes de moldar uma atitude coerente, do primeiro ao último momento de um
evento do qual participamos, e no qual, seguramente, somos parte importante.
Reflitamos sobre nossa capacidade de influir na
decisão, não tanto pelo nosso conhecimento dos assuntos a serem tratados, mas
sim, e principalmente pela qualidade de nossa atitude.
Vale concluir essa nossa reflexão com a
afirmativa de Thomas L. Quick: seja um líder
em reuniões, mesmo com quem você jamais se sentaria.
Como complemento desse nosso texto, incluímos
um anexo, onde os aspectos operacionais de uma reunião são fixados. Esse anexo
foi elaborado através pesquisa na bibliografia de referência.
REUNIÕES
- troca de idéias e experiências sobre um ou
mais assuntos para que haja aceitação pelos envolvidos e provocando uma
decisão coletiva, onde todos se comprometem com o que foi decidido.
PROBLEMAS COM REUNIÕES
- reuniões longas
- agenda extensa
- representatividade dos participantes
- diálogo truncado
- mal planejamento
- liderança inábil
- falta de conclusão
QUALIDADES DA REUNIÃO
- proposta conhecida e entendida
- agenda organizada
- convidados necessários e oportunos
- liderança adequada e assumida
- mensagens claras
- papéis dos participantes entendidos
- envolvidos preparados para os temas da reunião
FATORES PREPARATÓRIOS
- preparação da agenda
- notificação a envolvidos
- confirmação e presença de todos
- instalações prontas e adequadas
- duração pré definida
- material disponível e de qualidade
- secretaria da reunião consciente e eficaz
- infraestrutura efetiva
CLIMA NEGATIVO EM REUNIÕES
- atraso do líder
- local não disponível nem adequado
- abertura inconveniente
- despreparo da liderança
- participantes retardatários
- interrupções irrelevantes e freqüentes
- despreparo geral dos participantes
- discussões inseguras e improdutivas
- falta de objetividade na abordagem dos temas
- ausência de seriedade e descompromisso
- assuntos paralelos competindo com os temas
centrais
CLIMA POSITIVO EM REUNIÕES
- confirmação e checagem de presenças
- cancelamentos prévios e com antecedência
suficiente
- material de trabalho com boa qualidade
- agenda distribuída a todos os participantes
- início na hora marcada e fim na hora prevista
- obediência a agenda
- intervalos negociados e rígidos
REGRAS DA BOA ESTRUTURA EM REUNIÕES
- linguagem dos presentes homogênea
- manutenção do interesse e do controle do
evento
- temas discutidos de forma objetiva e concisa
- comportamento firme e assertivo da liderança
- participantes conscientizados da necessidade
da reunião
- discussões do grupo orientadas e dirigidas de
forma eficaz
- sugestões de participantes ouvidas e
discutidas
RESPONSABILIDADES DA LIDERANÇA
- gerenciamento do tempo da reunião
- imparcialidade diante de debates
- firmeza e delicadeza – assertividade
- estímulo à discussão
- manutenção e controle dos rumos da reunião
- encorajamento da decisão pelos participantes
- avaliação dos resultados da reunião
- expressão de idéias incentivada e
reconhecida
- manutenção da harmonia interna
- alerta sobre indisciplina
- perguntas abertas e dirigidas
- reforço de colocações consistentes e
coerentes
- ajuda ao alinhamento de raciocínios
- expressão de exemplos relevantes para
consolidação de idéias
- neutralização de dominadores
- estímulo a passivos e apáticos
- inclusão de temas relevantes e exclusão de
temas frágeis
- presença marcante
CLIMA DE DEFESA NOS PARTICIPANTES DE REUNIÕES
- avaliação e julgamento: avaliar, acusar,
julgar, doutrinar, corrigir;
- controle: mudar, influenciar, restringir,
coagir, intimidar;
- estratagemas: trair, manobrar, tramar;
- neutralidade: apatia, passividade, ausência
de sentimentos;
- superioridade: evitar relacionamento com
participantes, evitar feedback dos participantes, mostrar-se independente dos
demais.
- Infalibilidade: dogmatismo, inflexibilidade.
CLIMA DE BOA VONTADE ENTRE PARTICIPANTES
- Descrição, enumeração, citação: desejo
autêntico de maiores informações, mais fatos, mais dados concretos;
- Orientação para solução de problemas:
busca e planejamento conjunto par ao encontro de soluções;
- Espontaneidade: motivações simples, não
complicadas, claras, objetividade, relacionamento aberto;
- Empatia: aceitação dos sentimentos alheios,
identificação com o problema do outro, compartilhamento de sentimentos,
compreensão, confiança;
- Igualdade: respeito mútuo, confiança mútua,
possibilidade de autocrescimento, reciprocidade;
- Flexibilidade: busca de coisas novas,
criatividade, inovação, aceitação do feedback.
CONCLUSÃO
Faça uma análise de seu desempenho em reuniões
anteriores das quais participou, e verifique o que pode ser melhorado, o que
deve ser eliminado, o que você deveria Ter feito e não fez.
Analise o que você fez na reunião e que
ajudou a transformá-la em uma reunião eficaz, com resultados bons e objetivos.
Verifique quais foram as questões que
interferiram na reunião, e tente, juntamente com outros participantes, eliminá-las
das próximas.
Pense antes de falar, verbalize seus
argumentos, cuidadosamente, fique atento as palavras que você utiliza,
especialmente quando for analisar ou criticar a opinião de outros ou posição
contrária a sua.
Antes de comunicar algo, explique claramente
como você enxerga o problema ou assunto que vai tratar; isto ajuda os outros a
compreender melhor sua posição.
Aceite a discussão como uma necessidade, pois
o debate pode ser o momento mais produtivo da reunião.
FRANCISCO BITTENCOURT
CONSULTOR
DO MVC
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