GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
GESTÃO DA TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO
"A informação tecnológica pode ser a
maior ferramenta dos tempos modernos, mas é o julgamento de negócios dos
humanos que a faz poderosa" Charles B. Wang
O ambiente empresarial está
mudando continuamente, tornando-se mais complexo e menos previsível, e cada vez
mais dependentes de informação e de toda a infra-estrutura tecnológica que
permite o gerenciamento de enormes quantidades de dados. A tecnologia está
gerando grandes transformações, que estão ocorrendo a nossa volta de forma ágil
e sutil. É uma variação com conseqüências fundamentais para o mundo
empresarial, causando preocupação diária aos empresários e executivos das
corporações, com o estágio do desenvolvimento tecnológico das empresas e/ou
de seus processos internos. A convergência desta infra-estrutura tecnológica
com as telecomunicações que aniquilou as distâncias, está determinando um
novo perfil de produtos e de serviços.
Segundo Adriana Beal, "O
principal benefício que a tecnologia da informação traz para as organizações
é a sua capacidade de melhorar a qualidade e a disponibilidade de informações
e conhecimentos importantes para a empresa, seus clientes e fornecedores. Os
sistemas de informação mais modernos oferecem às empresas oportunidades sem
precedentes para a melhoria dos processos internos e dos serviços prestados ao
consumidor final."
Ao ler um estudo de caso sobre
as mudanças tecnológicas ocorridas na Água de Cheiro, me deparei com o
seguinte comentário de um dos diretores: "A tecnologia traz a necessidade
de mudança cultural e passa a exigir das pessoas a capacidade de reciclar seus
conceitos e seus paradigmas. As pessoas não precisam mais saber gerar informação,
pois a sua geração é automática. Precisam sim, saber usar a informação.
Caso a empresa não tenha tempo nem recursos para investir em treinamento,
torna-se necessário fazer uma reciclagem de quadro. "Tenta-se mudar as
pessoas, mas, se precisar, muda-se de pessoas"."
Este exemplo clarifica bem,
como este novo cenário está afetando interesses, valores e rotinas há muito
tempo cristalizadas em pessoas, eliminando tarefas, gerando desemprego, e
exigindo aperfeiçoamento contínuo.
Na Água de Cheiro, eles
reconhecem a importância crescente da TI e da rapidez como esta vem provocando
mudanças de comportamento das sociedades. No entanto, admitem algumas limitações
ao seu uso, dado a especificidade do seu negócio.
Cabe aqui uma consideração de
Jacques Marcovith, "que quando se impõe limites à TI sem prévio estudo,
caracteriza-se uma nociva desconsideração de tendências, onde a competição
não estaria acontecendo apenas entre empresas, mas entre padrões ou
comportamentos pouco convencionais". Cabe a cada organização encontrar
uma abordagem adequada às suas necessidades específicas em gestão da informação.
Outro esclarecimento
fundamental, é que A TI e seus computadores não possuem "poderes mágicos"
de resolver problemas de gestão, racionalizar processos ou aumentar a
produtividade. Bill Gates em seu livro: A Estrada do Futuro, fez o seguinte
comentário: "Diretores de empresas pequenas e grandes ficarão
deslumbrados com as facilidades que a tecnologia da informação pode oferecer.
Antes de investir, eles devem ter em mente que o computador é apenas um
instrumento para ajudar a resolver problemas identificados. Ele não é, como às
vezes as pessoas parecem esperar, uma mágica panacéia universal. Se ouço um
dono de empresas dizer: "Estou perdendo dinheiro, é melhor comprar um
computador", digo-lhe para repensar sua estratégia antes de investir. A
tecnologia, na melhor das hipóteses, irá adiar a necessidade de mudanças mais
fundamentais. A primeira regra de qualquer tecnologia utilizada nos negócios é
que a automação aplicada a uma operação eficiente aumenta a eficiência. A
segunda é que a automação aplicada a uma operação ineficiente aumenta a
ineficiência."
Atualmente a gestão estratégica
da informação tornou-se uma parte crítica e integrada a qualquer estrutura
gerencial de sucesso.
O uso da reengenharia de
processos para direcionar os novos sistemas de informação pode proporcionar um
aumento significativo da satisfação dos clientes, e/ou a redução de custos,
ao contrário das iniciativas que envolvem o uso de tecnologia apenas para fazer
mais rápido o mesmo trabalho.
É complicado tentar explicar
que a análise de aquisição dos produtos e serviços de tecnologia, está
vinculada à avaliação dos valores internos da empresa, desde a sua cultura, o
nível dos seus gestores e colaboradores, até a análise dos seus negócios,
sem desconsiderar o planejamento estratégico para o futuro. É imprescindível
esta reflexão interna.
O novo desafio dos gestores de
TI, está no alcance de metas e objetivos organizacionais específicos, ao invés
de satisfazer requisitos de usuário muitas vezes não relacionados aos
objetivos organizacionais, passando a ser um profissional que fale em clientes,
concorrência global e retorno sobre investimento, perdendo a fixação do diálogo
em apenas plataformas, computação cliente/servidor e orientação a objetos e
outras mais, combinando ainda habilidades de liderança e comunicação com
conhecimentos técnicos e do negócio, capaz de exercer um papel decisivo em
todas as questões de gestão da informação e de aprimoramento dos processos
organizacionais.
Concluindo, a Tecnologia da
Informação está permeando a cadeia de valor, em cada um de seus pontos,
transformando a maneira como as atividades são executadas e a natureza das
interligações entre elas. Está, também, afetando o escopo competitivo e
reformulando a maneira como os produtos e serviços atendem às necessidades dos
clientes. Estes efeitos básicos explicam porque a Tecnologia da Informação
adquiriu um significado estratégico e diferencia-se de muitas outras
tecnologias utilizadas nos negócios. Aos administradores cabe o alerta do
Charles Wang, "que a TI mudou tudo que você aprendeu sobre gestão, e está
achatando milhões de administradores que deixaram de conformar-se ao inevitável.
Infelizmente forças assim, não abrem exceções, nem mesmo para você, talvez
principalmente para você".
ROMEU MENDES DO CARMO,
Administrador de Empresas, com especialização em Gestão da Tecnologia da
Informação.
Referências bibliográficas
utilizadas neste artigo:
- Tecnologia da Informação e Estratégia
Empresarial de Jacques Marcovith
- Manual de Tecnologia da Informação –
Adriana Beal
- A Estrada do Futuro – Bill Gates
- Tecno Vision II – Charles B. Wang
- Revista Gestão Empresarial
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