Gestão De Pessoas à Brasileira
No livro de Agrícola Bethlem, Gestão de Negócios, lê-se que “o ensino da administração, salvo algumas exceções, baseia-se em informações de como um dirigente americano dirigia, nos EUA, há dois anos ou mais, sua empresa americana, composta por funcionários americanos e vendendo para consumidores americanos. O livro, que é um interessante ensaio sobre práticas gerenciais, trata das diferenças de abordagens de gestão entre empresas brasileiras e americanas.
Aproveito esta introdução para comentar que estamos acostumados a ler os exemplos de empresas americanas, como “cases de marketing” dentro de condições específicas daquele mercado. Em minhas aulas de marketing e gestão na faculdade, tento passar exemplos de empresas brasileiras, colhidos em consultorias e assessorias realizadas. Há algum tempo venho preparando uma série de exercícios e de simulações do que chamo de “casos tupiniquins”. Creio, como o Prof. Bethlem, que é “baseado em variáveis culturais que podemos determinar a própria maneira de administrar estas empresas”. É o jeito brasileiro de ser e de realizar. Acrescenta, no livro, que “para se entender o lado humano da gerência é preciso estudar os diversos aspectos do ambiente em que se vai agir:
· O social – como funcionam nesse ambiente as coletividades, núcleos, famílias;
· O educacional – como é a educação formal e informal; qual a disponibilidade de educação;
· O político – como se distribui o poder, como é o governo (sua ação, seu poder, quem participa);
· O cultural – qual a maneira coletiva de pensar”.
Na prática deve-se levar em conta as características brasileiras, não só de pessoas, mas da região, a temperatura, o ambiente geográfico e principalmente dos valores culturais, sociais e de suas tradições.
A palavra “management” termo em inglês que quer dizer, segundo o dicionário Webster’s, manejo, manuseio, governo, gerência, capacidade administrativa, habilidade, esperteza tem sua origem um tanto incerta. Para uns, segundo o livro, a origem provável seria do latim que significaria manus, isto é mão.
Daí a prática administrativa ser uma atividade, sob determinados aspectos, muito individual, pessoal e com um estilo próprio de cada dirigente. Segundo as teorias, os americanos ensinam administração utilizando-se do “best practice” ou seja da melhor prática. São baseados em estudos práticos de situações que se adaptam a realidade de cada momento. Portanto, uma melhor prática de administração utilizada em 1999 pode não ter sido a que foi bem sucedida em 1998. A evolução destas práticas exige uma atualização e um acompanhamento constante. Por isso, a leitura de livros, e consequentemente a tentativa de se aplicar algum método, vindos dos Estados Unidos requer uma criteriosa avaliação e, muitas vezes, profundas adaptações, analisa o pesquisador.
As empresas brasileiras, tradicionalmente, sonegam informações gerenciais e, desta maneira, fica difícil conhecer detalhes que poderiam servir de base para ensinar sobre o jeito brasileiro de liderar e de fazer negócios. Apesar disto, por observações e dados que são, quase que, garimpados consegue-se construir alguns cenários de modelos brasileiros de “management”. O jeito de dirigir com a mão do dono, das famílias e dos grupos de gestão que levam as características do povo brasileiro.
Como um observador e pesquisador conheço, razoavelmente, vinte e três estados brasileiros, e não me surpreendo mais com as visões pessoais e os “casos tupiniquins” que me são apresentados, como exemplo, por empresários da serra gaúcha, da região de Ribeirão Preto, - a chamada Califórnia brasileira -, por mineiros do triângulo ou da capital, por catarinenses do planalto ou da Ilha, - aonde está Florianópolis -, por paranaenses de Curitiba ou de Maringá ou Londrina, - com uma grande influência de São Paulo -, por baianos de Salvador ou do litoral sul desse estado, por amazonenses da capital ou por outros de Santarém, por goianos, pernambucanos de Recife ou de Garanhuns, ou cearenses de Fortaleza ou de Quixadá, ou do eixo Rio-São Paulo-Brasília, enfim o foco está na maneira muito nossa de enxergar e manejar os valores humanos que compõem e interagem na nossa bagagem sócio-político-cultural.
Uma boa prática de casos à brasileira é saber mesclar num serviço a caipirinha com feijoada, vatapá, tutu, churrasco, peixe na panela de barro ou na brasa, buchada e doce de leite, por exemplo. Qual é a sua melhor prática empresarial?
Mario Enzio
Graduado em Comunicação, Pós em Administração de Empresas pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing;
Cursou a Universidade Holística da Paz – Unipaz, em Brasília; e a Escola de Governo; Mestre em Reiki; .
|