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Gestores De Instrumentos Ou De Pessoas?

Gestores de instrumentos ou de pessoas?

Vira e mexe em alguns trabalhos de consultoria encontro gestores de pessoas que, por estarem excessivamente preocupados em “fazer tudo direitinho” segundo a cartilha, acabam gastando tanto tempo e energia em busca de executar os procedimentos e utilizar as ferramentas da área, que acabam tornando sua atuação contra producente.

Estas pessoas costumam ficar tão vidradas na burocracia dos procedimentos, que o uso adequado das ferramentas, em vez de ser um meio, passa a ser um fim em si mesmo. E pior, este excesso de cuidado costuma absorver um tempo tão grande do gestor que acaba prejudicando que ela faça a parte mais importante de sua tarefa: conhecer as pessoas que está gerindo!
Algo muito relevante para os gestores entenderem é que as técnicas servem

às pessoas, e não o contrário. A área inclusive tem passado por uma revisão interessante de procedimentos, em que alguns pensadores contemporâneos questionam o excesso de complicação nas políticas de RH.

Uma descrição de cargo, um organograma, uma ficha de ocorrência e um documento sobre políticas de premiação são muito úteis desde que utilizados a serviço do gestor, e não o contrário. Já vi pessoas gastarem dias elaborando descrições minuciosas de cargos para depois simplesmente engavetá-las. Ora, seria muito melhor uma descrição simples e informal que realmente fosse utilizada. Isto quando não se marcam treinamentos com a afirmação de que: “não fazemos um treinamento há muito tempo, precisamos fazer algum”!

É claro que os procedimentos, as fichas, os modelos e as ferramentas são muito úteis e devem ser utilizados, mas deve-se ter o cuidado de não deixar que eles monopolizem a atenção do gestor de modo que ele esqueça que o que realmente importa é entender as pessoas e o que as motiva!

Isto não se consegue apenas com medições e ferramentas, e sim com contato, conversas, observação e sentimento. É preciso andar pelos corredores e “sentir” o clima, falar com os colaboradores, ouvir o que eles têm a dizer, entender o que os inspira ou os amedronta. Grandes homens que souberam gerir pessoas e formarem times sequer freqüentaram qualquer aula sobre gestão de RH.

Não existe técnica ou instrumento de gestão que elimine completamente a importância do “feeling” e da percepção humana no que diz respeito a pessoas. Números, por mais que possam ser utilizados para quantificar muitas coisas, jamais darão contas das nuances sutis do comportamento humano.

O gestor de pessoas moderno e eficaz deve sim, ter o conhecimento técnico suficiente para aplicar todas as ferramentas disponíveis na área, mas deve, mais do que isso, se fazer presente como “pessoa entre pessoas” em sua organização, buscando um nível de percepção tal que o permita saber o que usar, quando usar, e até mesmo se realmente “é preciso usar”!

Autor: Bruno Soalheiro - Psicólogo, palestrante, MBA em gestão de pessoas pela FGV e diretor da Carpe Diem Consultants. brunosoalheiro@hotmail.com

 

 



 

 

 

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