Global X Local - Configurar Produtos Ou Estratégias?
"Pense
globalmente, aja localmente" já se transformou em um aforismo da gestão
internacional de negócios. Realmente, por mais que vivamos em uma sociedade
global, as idiossincrasias e costumes locais ainda permanecem fortes no âmbito
dos segmentos nacionais de mercado.
Assim,
produtos "globais" sofrem adaptações "locais", empresas
transnacionais rendem-se à necessidade de atender grupos de clientes sujeitos a
culturas e costumes que condicionem as estratégias de internacionalização ao
atendimento de tradições e costumes atávicos que a mídia onipresente é
incapaz de alterar, pelo menos, em curto e médio prazo.
A
própria gestão do negócio passa por necessidades de adaptação, as estratégias
de conquista de novos mercados, captação e fidelização de clientes
submetem-se a modificações de acordo com diferenças de legislação, de
cultura e de hábitos de consumo.
Empresas
de inquestionável sucesso como a Whirlpool internacional adotam diferentes
estratégias de introdução no mercado externo, dependendo das melhores condições
oferecidas localmente.
Ela
pode comprar marcas e só alterar seu mecanismo local de gestão (a gestão é
padronizada nas relações custo/benefício ideais, mas pode sofrer adaptações
na escolha de pessoal e nas imagens de marca), pode introduzir marcas novas e
adaptar os produtos às características locais.
Assim,
a Europa recebeu modelos de fornos de microondas com marcas conhecidas
(adquiridas pela Whirlpool) mas adaptados a uma culinária de
"gourmets", enquanto nos EUA, pátria dos microondas, estes são
ferramentas de descongelamento e cozimento rápido e prático.
Já
no Oriente, a adaptação dos produtos dependeu de adequá-los a espaços
reduzidos e cores preferenciais, e mesmo sendo a China o grande mercado-alvo, a
empresa optou por um "estágio experimental" no Japão, país onde a
concorrência entre empresas e entre marcas é exarcebadamente aguerrida, e que
responde por cerca de 90% do abastecimento da Ásia (entendamos marcas...)
Há
ainda que prestar atenção ao seguinte aspecto: ainda que sua firma não se
dedique (por enquanto....) ao mercado externo, a formatação dos produtos, a
adequação às necessidades e desejos dos clientes, não podem prescindir das
referências mundiais.
Se
você, empresário, decidisse iniciar, por exemplo, um negócio de produção de
tênis dedicado exclusivamente ao mercado do interior do Piauí, poderia abrir mão
dos modelos produzidos em escala global pela Nike, Reebok ou Adidas?
E
se você decidisse equilibrar sua carteira de clientes com uma moeda forte e um
risco político menos concentrado e resolvesse, por exemplo, conquistar a
Comunidade Econômica Européia ou um país do Mundo Árabe, a estratégia de
conquista seria a mesma que determinou seu sucesso no Brasil?
Produtos
e estratégias têm de ser configurados localmente para atender objetivos
globais, e esses têm de ser definidos e determinados em cenários cuja definição
constitua um desafio cada vez mais determinante para a empresa e aqueles
encarregados da sua gestão.
AMÉRICO
MARQUES FERREIRA
Consultor
Sênior do MVC
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