Historinhas de Venda Adicional e Comprometimento
Historinhas de Venda Adicional e
Comprometimento
Sábado
à noitinha; shopping lotado, fui tomar um cafezinho – valor: 1 pila (R$ 1,00
em idioma "gauchês").
A moça do caixa me disse:
"Boa Noite", com uma cara de quem estava louca para ir embora. Eu
respondi: "Boa Noite sem sorriso não é boa noite; é melhor dizer "Má
Noite", combina mais. Recebi de volta um sorriso meio amarelo, mas, por
falta de opção, acabei comprando meu cafezinho ali.
Logo em seguida, chegou um
casal com uma criança de aproximadamente 8 anos. O queixo do menino mal alcançava
a altura do balcão e ele ficou olhando fixamente para o display ao lado do
caixa, onde havia balas, chicletes, chocolates e outras guloseimas. Ele não
tirava os olhos de um chocolate.
O pai pediu para a funcionária
uma carteira de cigarros. A moça prontamente atendeu, colocou o maço de
cigarros em cima da máquina registradora e fez a clássica pergunta: "Mais
alguma coisa?". Não, respondeu o cavalheiro.
O menino não tirava os olhos
do chocolate e seu pai, com a carteira de dinheiro na mão demorava para tirar o
dinheiro de dentro, quem sabe procurando facilitar o troco.
Eu, ao lado, apreciava a cena
– a moça do caixa esperando o pagamento, o cavalheiro com a carteira na mão
procurando o dinheiro e o menino com os olhos fixos no chocolate. Eu fiquei
torcendo com meus botões: "Ela vai oferecer o chocolate, ela vai oferecer,
ela vai". Mas ela não ofereceu. O cavalheiro pagou o cigarro e foram
embora, o menino com um olhar murcho.
Então, resolvi comentar o fato
com a moça: "Puxa, o menino não tirava os olhos daquele chocolate; quanto
custa? - R$0,90 , respondeu-me ela. "Eu fiquei torcendo para você oferecer
para ele. Sabe, estatiscamente a venda adicional corresponde de 25 a 30% de
todas as vendas do varejo. Bastaria que você desse um sorriso para o menino,
perguntasse o seu nome e se dirigisse ao pai dele, que estava com a carteira
aberta entre as mãos, comprando vício e falasse para ele: "O Sr. não
quer levar um chocolate para o fulano...O menino iria dizer: "compra
pai" e você teria feito uma venda adicional de 50%.
Ela me disse: "eu nunca
havia pensado assim". E eu pensei: "Ela nunca foi treinada para
isso".
E assim acontece "n"
vezes por dia em nosso comércio. Por falta de orientação, treinamento, motivação,
milhares de vendas adicionais deixam de ser efetuadas e, com isso, volumes
enormes de negócios deixam de acontecer; milhares e milhares de empregos deixam
de ser gerados, ou mantidos.
Nunca esqueci esse fato e ao
escrever sobre isso agora, me veio à lembrança outro caso significativo que me
aconteceu; desta vez com valor bem mais expressivo.
Fui retirar meu Fundo de
Garantia numa agência bancária, algo em torno de R$ 30.000,00 . No dia marcado
para receber, dirigi-me ao caixa, com meus documentos e com o protocolo e recebi
do atendente a seguinte pergunta: "Para onde o Sr. quer que remeta o
dinheiro ?" . Ele não me perguntou se eu tinha conta naquela agência, não
me convidou para abrir uma conta, para fazer uma aplicação financeira, abrir
uma caderneta de poupança, nada. Não fez nada. Simplesmente deixou que eu saísse
com quase R$ 30.000,00 . Quanto o seu banco gasta para atrair novos clientes ?
Quanto gasta em mídia para obter novas captações ? E ele simplesmente não me
ofereceu nada. Mandei um doc para outro banco. Onde foi parar o comprometimento
?
Lembrando destes fatos, a gente
se pergunta como seria diferente se houvesse um maior investimento no aperfeiçoamento
dos profissionais que lidam com o público. Como seria diferente, se as pessoas
tivessem mais esclarecimento. Se o governo, os sindicatos, os empresários, as
entidades e, principalmente, os próprios profissionais investissem um pouco
mais em treinamento, em educação formal, em educação continuada, em cursos
de aperfeiçoamento, em livros, em vídeos, em revistas de informação e
publicações técnicas.
Ainda temos um longo caminho
pela frente. Mas devido à velocidade das transformações do mundo moderno,
hoje já se ouve falar muito mais sobre isso, sobre a tal da empregabilidade,
sobre a importância do cliente e sobre a necessidade de treinar para bem
atender. Ainda bem.
Quem sabe, daqui a algum tempo,
uma caixa de lanchonete adquira o hábito de oferecer um chocolate para uma
criança; um caixa de banco se interesse em oferecer opções de investimento
para seus clientes ou usuários e milhares de atendentes/vendedores em nosso comércio
aprendam a importância de uma palavra chamada COMPROMETIMENTO e, através de
vendas adicionais, colaborem para a manutenção de seus postos de trabalho,
para o progresso de suas empresas e, principalmente para o desenvolvimento de
nosso País.
JOÃO CARLOS BOICZUK REGO
O autor é Consultor em Treinamento Empresarial e Palestrante
tradenew@zaz.com.br |