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Inteligência Emocional E E-learners

O tema do CONARH 2002 – TEMPO DE INCLUSÃO abordado em todas as suas perspectivas nas conferências, cases, sessões simultâneas extrapolou a programação oficial do evento e foi também tema de debate entre diversos profissionais de RH, que visitaram o stand da MENTOR Tecnologia, empresa parceira do MVC que trabalha com gestão de conteúdo para Web (e-Learning, portais de conhecimento e ambientes de aprendizagem).

O objetivo foi identificar alguns dos principais aspectos comportamentais dos “e-learners” que funcionam como barreiras para o sucesso destes programas, procurando levantar “insights” sobre o assunto. Isto porque sabemos que muitas vezes uma pergunta bem estruturada gera mais aprendizado do que muitas respostas pouco fundamentadas. Com este espírito e buscando criar interatividade com a platéia, em workshops relâmpagos (em média 15 minutos), muitas pessoas foram INCLUÍDAS nesta importante reflexão.

A tecnologia veio para ficar, e não temos dúvidas das inestimáveis contribuições que pode trazer ao desenvolvimento humano. No entanto,  há que se buscar as melhores formas de obter uma verdadeira integração entre estes dois fatores: tecnologia e pessoas, e potencializar os benefícios que a aprendizagem mediada por tecnologia (e-Learning) pode trazer para as pessoas e organizações.

Existem muitos mitos nas organizações sobre o e-Learning e alguns deles acabam criando sérias barreiras ao sucesso destes programas, como por exemplo:

A principal vantagem do e-Learning é a redução de custos.  a adoção do e-Learning não significa automaticamente uma redução nos custos de treinamento. Porém ele possui algumas potencialidades que, se utilizadas eficazmente - por exemplo atingir um grande número de funcionários e colaboradores espalhados geograficamente -, poderão reduzir muito os custos,  quando comparados a métodos tradicionais de treinamento.
O e-Learning deve ser considerado uma ferramenta estratégica para promover mudanças e resultados que envolvam democratização conhecimento/estímulo a aprendizagem nos diversos níveis da empresa, redução do tempo na disponibilização de informações/conhecimento, agilização da comunicação com parceiros e fornecedores; entre outras.

O e-Learning substitui o treinamento presencial tradicional  - na verdade, a tendência é cada vez mais a utilização de um MIX entre e-Learning e  treinamento presencial. Tendo em vista os diferentes níveis de aprendizagem (conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação), percebe-se que a tecnologia pode auxiliar muito na assimilação de conceitos, regras, processos e procedimentos, mas alguns aspectos relacionados à aplicação prática destes conceitos e aos aspectos comportamentais precisam ser trabalhados através de dinâmicas e interações presenciais.

Comunidades virtuais de aprendizado não funcionam no ambiente empresarial - no ambiente empresarial, existe uma demanda muito forte para que as pessoas sejam mais produtivas, ou seja, façam mais coisas no tempo de trabalho “contratado”.
O sucesso ou insucesso da implementação de comunidades virtuais de aprendizagem no ambiente empresarial não está na característica desta metodologia, mas sim na percepção dos funcionários de que ela contribui objetivamente para a otimização das suas atividades na empresa ou em um projeto específico e, em última instância, para o seu crescimento profissional.

Em contrapartida, sabemos que existem algumas verdades no mundo corporativo sobre o e-Learning que precisamos trabalhar para minimizar seus efeitos negativos e garantir o sucesso dos programas:

O sucesso do e-Learning depende de um processo de aculturamento e autodisciplina – no contexto atual, as organizações estão fomentando cada vez mais que seus colaboradores assumam a responsabilidade por seu desenvolvimento pessoal e profissional. Por outro lado, sabemos que muitas organizações ainda enfrentam resistências básicas ao uso da tecnologia. Avalie o que é para uma pessoa sem “grandes motivações” estar diante de um computador, recebendo informações e tendo que interagir com pessoas as quais não conhece, para desenvolver determinada competência. Diante dos inúmeros afazeres, das pressões por resultados, da dificuldade de definir prioridades e gerir o tempo, é difícil ter a autodisciplina necessária para concluir um curso “via e-Learning”.

Seu desenvolvimento e implantação requerem uma equipe multidisciplinar - um programa de e-Learning de qualidade requer uma equipe com competências multidisciplinares, tais como Andragogia ou aprendizagem de adultos (com conhecimentos ligados às áreas de pedagogia e psicologia), planejamento instrucional (com conhecimentos ligados às áreas) comunicação, pedagogia, (psicologia e letras), tecnologia (com conhecimentos ligados a redes de comunicação, Internet, multimídia e banco de dados) e gerenciamento de projetos (com conhecimentos ligados à área de administração).  Desenvolver e disseminar conteúdos relevantes ao negócio da organização, ao desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo utilizando e-Learning é sem dúvida um trabalho de time e de parceria multidisciplinar entre a empresa, seus colaboradores internos e parceiros externos.

O desafio dos profissionais que atuam nesta área, é desenvolver ações que se não superem, pelo menos minimizem as barreiras, e permita obter maior eficácia destes programas. Nossa experiência, nos apontou alguns caminhos: - precisamos utilizar este fantástico potencial humano – hoje conhecido como Inteligência Emocional para vencer as barreiras que dizem respeito aos “e-learners”, ou seja, os sujeitos do processo. Por outro lado, é preciso rever as estratégias de marketing usadas na divulgação dos programas, que não são suficientemente adequadas para “mobilizar” o desejo de querer participar, a curiosidade de pelo menos experimentar. Muito mais do que informar o que é e como funciona, é preciso convencer o que o indivíduo e organização podem ganhar com isto! Um marketing eficaz atrelado a algumas outras ações pode contribuir com mudanças na cultura organizacional que facilite o sucesso destes programas.

Devemos nos focar em como promover uma verdadeira “inclusão” das pessoas no processo de aprendizagem mediada por tecnologia, procurando prepará-las e desenvolver ações de “suporte emocional” através de facilitadores/tutores devidamente “treinados” para assumirem esta função, através de interações presenciais eventuais, e principalmente virtuais diárias: - orientando as tarefas proposta pelo curso; - estimulando a interatividade entre as pessoas que participam da comunidade de aprendizagem; - dando feedback constante sobre o desenvolvimento do treinando; - identificando pontos que precisam ser mais trabalhados; - sendo “amigo” na hora que o treinando está desestimulado; - dando dicas quando a gestão do tempo e organização do trabalho; - valorizando as conquistas; -  enfim - tudo que funcionar como “input”para o desenvolvimento das competências emocionais básicas para este processo: automotivação, autocontrole, autodisciplina, auto-estima, autoconhecimento, autoconfiança, empatia com os “colegas” que fazem parte de sua comunidade virtual, habilidades de comunicação e expressão. 

Precisamos estimular todo o potencial humano, desenvolvendo funções relacionadas ao hemisfério direito e esquerdo do nosso cérebro, e maximizar os “benefícios” que a tecnologia (inventada pela mente humana) pode proporcionar ao desenvolvimento do ser humano !

 

Denize Dutra

Consultora Sênior do Instituto MVC

 

 



 

 

 

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