Marketing Social - uma oportunidade à vista
Marketing Social - uma
oportunidade à vista
Já é lugar comum dizer que o
emprego acabou; este, da forma como o conhecemos, de carteira assinada e outros
ganhos. Sabemos inclusive de pesquisa que conclui que, em torno do ano 2005,
somente 5% do trabalho formalizado existirá. Os pessimistas dirão : o que será
dos 95% restantes ? É verdade que todos nós, toda a sociedade precisa pensar
seriamente na porcentagem destes "restantes", que serão os excluídos,
e o serão por absoluta falta de conhecimento, de educação formal que os
inclua ou que os capacite a construir novas alternativas de uma vida digna.
Porém, parte deste raciocínio
também vale para aqueles que, presumidamente, têm este conhecimento, ou
possuem uma capacitação dada por um curso superior e estão na postura
pessimista, ou melhor, desesperançada e paralisada. As alternativas existem, a
sociedade está carente de novas idéias e de pessoas que assumam o papel de
construtores de um mundo melhor, tanto para si mesmos quanto para aqueles menos
preparados. Uma das dificuldades é que as nossas Universidades ainda estão
formando pessoas passivas, pouco reflexivas, consumidoras da cultura do
emprego(mesmo que esse não lhe traga realização pessoal e social). Aliás, não
só as escolas, mas as instituições responsáveis pela "educação"
do ser humano, de uma maneira geral, "educam" reprodutores e não
"sujeitos". Habermas sintetiza no sentido de que nossa sociedade não
deseja e nem alimenta pessoas que andem de cabeça erguida.
Sabendo disso, no entanto, não
podemos "culpar" a sociedade (uma abstração!...) e nos desculparmos.
NÓS somos a sociedade, ativa ou passivamente somos agentes, reprodutores
ou transformadores. Dito de outra forma, a consciência de sermos ‘objetos’,
reprodutores da sociedade e da cultura pode trazer-nos a responsabilidade de
passarmos a ‘sujeitos’, ativos e transformadores.
Penso que isso tudo tem a ver
com apropriação da própria vida e prática da cidadania. E vale para todas as
pessoas : para as que estão saindo dos cursos superiores, para empresários,
para pessoas que participam de algum movimento social, comunitário, etc. Para
tanto há que se usar da criatividade, que é ilimitada. Usá-la como se usa um
músculo, que cumpre de forma eficaz sua função justamente quando está sempre
sendo usado, ou como todo o nosso corpo, que parece oxidar-se quando ficamos
dois dias numa cama por causa de uma febre, ou (dizem) como os nossos neurônios
(que também precisam ser usados para manterem-se atuantes).
Para estas pessoas ,
especificamente empresários, e profissionais da área humana que possam estar
sofrendo de falta de perspectiva, quero colocar um exemplo prático das
possibilidades de trabalho em vez de emprego : você, empresário, você,
profissional desta área, sabe o que é MARKETING SOCIAL ?
Trata-se de uma área de atuação
profissional bastante nova no Brasil, assim como de uma possibilidade para as
empresas que estão crescendo, de exercerem uma ação inteligente e estratégica,
através da associação do seu produto ou serviço a uma imagem de
comprometimento com o social. Do ponto de vista do consumidor, ainda não
chegamos lá, mas estamos caminhando para o cliente conscientizado, que prefere
consumir da empresa que reinveste parte do seu lucro em prol da comunidade.
Matéria recente da Revista Você
S/A(ed.20-fev.2000) sobre o assunto causou boa repercussão em empresas e
instituições, assim como abriu possibilidades para profissionais da área
humana, tendo até sido "a luz no fim do túnel" para profissional que
se encontrava perdido, conforme cartas de leitores. A matéria esclarece que
Marketing Social NÃO É filantropia, não é trabalho voluntário e não se
destina a apoiar instituições de caridade. Trata-se, num conceito simples, da
"forma que as empresas podem encontrar para investir em programas de ajuda
à comunidade". Esta forma pode ser uma campanha, pode ser um serviço de
utilidade pública, pode ser um projeto cultural, enfim, o atendimento a alguma
"carência" daquela comunidade onde se insere a empresa. Por outro
lado, o profissional de marketing social é aquela pessoa que busca o que
precisa ser feito, monta um projeto, traça uma estratégia e ‘vende’ este
projeto à empresa, isto é, convence-a a implantá-lo.
Concluindo, é um negócio do
tipo ganha-ganha : ganha a comunidade, ganha a empresa, ganha o profissional. É
a sociedade civil se organizando e construindo maneiras alternativas de viver
melhor, de conviver e participar, é o ‘despertar coletivo para ações que
envolvem a cidadania’. Já existem, no Brasil, empresas especializadas em
Marketing Social, e outras (como a nossa) que se adaptam ao perfil necessário
para uma empresa deste tipo e procuram parcerias para o desenvolvimento deste
trabalho.
As oportunidades são inúmeras,
as chances não param de crescer, o trabalho não está pronto, está para ser
construído, é árduo, porém recompensador. Há que se olhar e agir na nossa
realidade com a lente do otimismo, e veremos e construiremos possibilidades, em
vez de ficarmos paralisados na postura reclamatória e de vítima.
Santuza Fernandes Rodrigues, Psicóloga
e Consultora
pela S&T Consultoria Organizacional e Humana,
www.geocities.com/stconsultoria,
stconsul@brfree.com.br -
tel:(31) 285 22 88 |