Molho Pardo
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Compre um frango fresco morto na hora. Recolha
o sangue num vidro com um pouco de vinagre para não talhar. Coloque o frango na
panela com um pouco de água. Adicione o sangue e complemente com duas batatas
inglesas cortadas em pedaços e uma colher de chá de sal. Cozinhe em fogo
brando até que o frango esteja bem cozido, o sangue bastante encorpado e na cor
marrom escuro. Sirva com arroz e uma salada de agrião e alface com
acompanhamento. Uma delícia!
Durante a democrática eleição do novo
presidente, o pacto social por ele proposto, se constituiu na principal estratégia
para criar um ambiente participativo às mudanças. É sua intenção reunir
governadores, políticos, empresários, sindicalistas e ele como representante
da esmagadora maioria do povo que o elegeu para estabelecer as bases a um novo
rumo de crescimento para o País.
Antes mesmo de assumir suas atribuições
presidenciais, eis que os convidados para o banquete se apresentam cheios de
reinvidicações.
A governadora eleita do Rio de Janeiro, já
colocou suas cartas na mesa: "Queremos renegociar de imediato a dívida do
estado!" Nem ainda o Presidente foi empossado e já tem que pagar o dízimo
do apoio que recebeu dos garotinhos evangélicos que o apoiaram no segundo
turno.
Paulinho o sindicalista candidato à vice na
chapa do Ciro Gomes também acionou o gatilho da metralhadora reinvidicatória:
"Os trabalhadores querem participar do pacto! Desde que não percam mais
nada, uma vez que já deram toda sua cota de sacrifício".
Os empresários representados pelo presidente
da FIESP estão abertos ao diálogo, "pero no mucho". Já, Antonio Ermírio
de Morais, foi logo dizendo, curto e grosso, que não tem tempo a perder em
reuniões improdutivas.
Os políticos, ah! os políticos. Politicamente
falando vão fazer todo o esforço neste final de mandato visando criar as
facilidades para melhorar a governabilidade do novo Presidente. Ou seja, votar a
manutenção da alíquota do Imposto de Renda na fonte em 27,5%. Entretanto se
considerarmos a grande renovação do congresso, e o fim do mandato de muitos
parlamentares que não se reelegeram, para conseguir quorum, somente na base do
toma lá dá cá.
A militância petista, recheada de gente
barbuda, feia e sofrida, quer uma parte do quinhão, seja por reinvidicações
antigas, ou pela disputa dos cargos comissionados. Afinal de contas investiram
mais de 12 anos para alcançar o sonho de uma noite de verão. Antes que o sonho
se transforme em pesadelo, querem partilhar o justo prêmio pela vitória.
Finalmente o povo através do seu ilustre
representante eleito quer comida, emprego e salário já. Até porque a maré
vazante não está dando nem para peixe magro.
Afinal que pacto é esse onde todos lucram sem
contribuir com uma gota de sangue sequer para a composição do molho pardo? Se
todos querem tirar partido da nova situação de onde sairão os recursos para a
farta distribuição durante o banquete. Pacto sem molho pardo é como frango
insosso cozido em água sem sal, como aqueles servidos aos doentes dos
hospitais. Se não morre de fome, morre de inanição.
Alerta Presidente! A eleição já terminou. O
momento atual é de sacrifício e trabalho duro pelos próximos 4 anos, para
alcançar algumas metas da campanha.
Negociação é uma técnica que objetiva o
processo "GANHA-GANHA". Ou seja, a boa negociação permite distribuir
seus resultados por todos os envolvidos. Entretanto é necessário um forte
desprendimento, dedicação e abdicação dos ganhos no inicio, para que o bolo
cresça e possa ser repartido por todos. Quando a negociação se desenvolve de
forma errada o resultado é um processo "GANHA-PERDE". Ou seja, alguém
ganha muito e o resto perde.
Portanto o pacto ao molho pardo vai exigir
antes de tudo liderança, firmeza de propósitos e atitude positiva de cada
participante. Molho pardo sem sangue é ruim e pode ser altamente indigesto
dependendo do molho que o substitua.
"O Brasil precisa avançar!" O que é
bem diferente do que muitos estão pretendendo: "Preciso avançar no
Brasil". Com este pensamento vamos transformar o pacto ao molho pardo em
pato ao molho pardo.
- Consultor - Paulo Décio Ribeiro -
Consultor do Instituto MVC - Estratégia e Humanismo
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