Mudar é Preciso. Mas como?
MUDAR
É PRECISO. MAS COMO?
A
maioria das pessoas se casa e tem filhos, feliz com as mudanças drásticas que
ocorrerão em suas vidas. Porque nas empresas acredita-se que o ser humano é -
em princípio - resistente a toda e qualquer mudança? Teorias insistem que
mudar um comportamento é profundamente complicado. A prática só confirma esta
tese. Mas mudar é preciso. Países, empresas e pessoas não param de ouvir o
chamado dos novos tempos. Será verdade que o ser humano, quando na condição
de funcionário é necessariamente um reacionário empedernido?
Minha
experiência me fez perceber que a mudança de comportamento ocorre quando a
empresa renova sua cultura (o conjunto de suas crenças e valores) e sua
estrutura e quando capacita seus colaboradores com instrumentos e habilidades
que os ajudarão a atuar de uma nova forma
Este
tripé (cultura/estrutura/capacitação) deverá estar presente nos princípios
que apresento a seguir:
1.
Foco no Resultado - Mudar sem saber para onde nem como deixa a pessoa
angustiada e impotente. Os rumos da empresa e o que se espera de cada
colaborador deve ser amplamente explicitado.
2.
Estratégia Motivacional - Não acredito na Motivação Terrorista (“ou
você muda ou perde o emprego”), pois percebo que o indivíduo, quando
atemorizado tende a se inibir - e, portanto, não experimentar o novo - ou a
usar sua criatividade para garantir seu emprego e não para o bem da empresa.
Tampouco acredito na Motivação Delirante, do tipo “Tudo vai dar certo”
pois esta gera depressão a partir do primeiro contratempo. Acredito no poder do
Desafio, o gostinho pelo novo que a pessoa vai adquirindo aos poucos cada vez
que se percebe mais capaz, independentemente de eventuais erros.
3.
Respeito à Resistência - A mudança se não é necessariamente
positiva, bem como a resistência não é sempre de fundo psicológico. Muitas
vezes um colaborador pode ter razão ao evitar novos procedimentos. Ouvi-lo pode
evitar erros e o diálogo sincero, independentemente da decisão final provocará
um outro nível de abertura a futuras propostas.
4.
Informação Clara - “E eu como é que fico?” Esta é uma preocupação
natural é óbvia de um funcionário diante do novo. Não adianta falar em
participação e nos interesses na empresa se não houver atenção à inquietação
diante de interesses pessoais.
As
empresas podem também adotar princípios que geram autoconfiança e melhores
resultados no exercício de tarefas novas, tais como:
1.
Ensaio - Atletas treinam, atores ensaiam. Entretanto, nas empresas não há
tempo e nem permissão para a vivência de um novo comportamento. Programas de
Treinamento, por exemplo, deveriam gerar, entre os que não participaram, a
expectativa de ver seu colega mudando e certa condescendência com novos
comportamentos. Normalmente, o que se vê é o oposto.
2.
Administração do Risco - A empresa pode escolher uma área, um dia, uma
simulação para que seu colaborador faça experiências sem grandes prejuízos.
3.
Transformação do Erro em Experiência - Uma mudança na cultura das
empresas pode transformar erros em grandes fontes de aprendizado. Quanto menos
culpabilizada, menos a pessoa esconderá o erro (até de si mesma),
permitindo-se experimentar mais e principalmente evitá-los no futuro.
Estes
princípios serão absorvidos na medida que a empresa criar procedimentos que os
apóiam. Para transformar o erro em experiência, por exemplo, algumas empresas
costumam divulgar internamente os erros e soluções corretivas. Mas esta é
apenas uma idéia. A garantia da mudança depende da sensibilidade e
criatividade do especialista que traçará os procedimentos.
Gisela
Kassoy é especialista em Criatividade e Administração de Mudanças. gisela@giselakassoy.com.br |