Nossa Bagagem
Pergunto-me vez por outra, de onde vem o
entendimento que tenho sobre o mundo e a forma como consigo lidar com as situações
muitas vezes, complicadas do dia-a-dia. Acredito sinceramente que reajo bem
diante das intempéries da vida. Vejo, no entanto que não é muito freqüente
encontrar pessoas com atitudes serenas diante do inesperado.
Ao analisar algumas
pessoas que conheço, percebo a maioria delas sempre esperando um golpe. É como
se a vida oferecesse somente perdas e situações de risco. Acredito que são
pessoas que vivem superficialmente e, quando buscam uma força interior,
encontram somente revolta e amargura. Por isso, lidam muito mal com a dor e os
problemas. Insistem em acreditar que a vida não passa de uma grande traição.
A cada exigência, um vazio. A cada posicionamento, a autopiedade. Este estilo
é preocupante à medida que impede as pessoas de superarem seus próprios
limites.
Sei que a força para
nos guiar, na vida, terá sempre de vir do nosso interior. O apoio, o bom senso,
a lucidez se originam da bagagem que fomos armazenando, em nosso íntimo, ao
longo do tempo.
Mas da onde vem nossa
bagagem interna?
Grande parte tem origem
na qualidade da nossa infância. A intensidade do afeto que recebemos, as crenças
dos nossos pais, a conduta deles diante dos problemas, sua esperança ou
pessimismo.Tudo isso, molda-nos até onde permitimos.
Isso me lembra uma
passagem da minha adolescência que envolveu a minha mãe. Lembro-me bem que ela
sufocava as iniciativas de todos lá de casa. Até que um dia enfrentei aquilo
que mais estava me sufocando. Disse a minha mãe:
- De hoje em diante não aceitarei mais nenhuma
lamentação sua sobre o passado ou referência negativa e sem esperança sobre
o futuro. Perguntei por qual motivo insistia tanto na idéia de que a vida é
triste e difícil? Por mais que eu tentasse ser obediente à minha mãe, eu não
conseguia ver e muito menos sentir assim!
Lembro que ela
desconcertou e seu olhar se perdeu em um grande vazio. Longos minutos depois,
caiu em si e comentou:
- Eu faço isso? Pois bem, nunca pensei, que
deveria ser diferente. Acho que me acostumei a viver nesses padrões!
O conceito que temos
sobre o mundo pode inibir nossas decisões.
A partir daquele dia,
minha mãe tornou-se sua própria aluna. O conteúdo que mais ocupou seu tempo
foi a mudança da velha bagagem interna por outra mais nova. Seu foco de
interesse passou a ser a aquisição da alegria, da esperança, do otimismo e,
principalmente, no cuidado de não mais limitar seus filhos com posturas
empoeiradas. O resultado disso foi um alivio para minha mãe e seus filhos.
Iniciou-se, simultaneamente, uma nova era em todo ciclo familiar.Os novos tempos
trouxeram prosperidade e uma bagagem interior altamente positiva.
Gilberto Wiese é Consultor de Empresas,
Conferencista, Empresário, Escritor, Agropecuarista.
Graduado em Administração de Empresas. Especialista em Motivação com formação
em Qualidade Total
www.gilbertowiesel.com.br
|