O Código Digital
O CÓDIGO DIGITAL
O título acima, nos tempos atuais, pode
sugerir uma leitura diferente da abordagem que pretendo trazer.
Código pode remeter ao famoso Código Da Vinci
e Digital pode levar-nos a uma era que chegou e dominou as nossas comunicações
de uma forma geral.
Na realidade, não é este o foco da minha
abordagem.
Uma das definições de Código, constante do
Novo Dicionário Aurélio é “... Vocabulário ou sistema de sinais
convencionais ou secretos utilizados em correspondências e comunicações”.
As palavras - secretos e comunicações estão
em negrito para que possam nos acompanhar durante essa reflexão.
Já o mesmo Aurélio define Digital como “Dos
ou pertencente ou relativo aos dados; impressão digital”.
É desse código que vou lhe convidar a
refletir. O Código Digital.
No ano passado eu tive a oportunidade de
renovar a minha carteira ou carta de motorista, aqui em Salvador.
Nada mais de molhar o dedo na almofada para
colher as minhas digitais.
Numa máquina digital, a minha digital foi
“fotografada” na fase inicial da renovação.
Quando fui fazer o teste do Detran, em outra
localidade, coloquei a minha digital em outra máquina e lá estava eu, a minha
foto e a minha digital.
A foto, ou o espelho, sempre nos remete a uma
pergunta que o poeta Mario Quintana se fez: “Quem é esse, diante do espelho,
tão mais velho do que eu?”.
Mas o que importa aqui são as minhas e as suas
digitais...
A população mundial, conforme estudo, em 2000
era de 6,1bilhões de pessoas, em 2020 é prevista em 7,8 bilhões.
Pense bem, 6 ou 7 bilhões de pessoas e a sua,
a minha digital são únicas.
Não existe uma digital igual à outra.
Nascem pessoas todos os dias e nenhuma digital
se reproduz igual.
Que código é esse?
O que ele quer nos dizer?
Se nenhuma digital é igual à outra, podemos
inferir, claramente, que ninguém é igual a mim e ninguém é igual a você!
Estou certo?
Até aqui, poderia você estar se perguntando,
que novidade é essa, isso é óbvio e é de domínio público.
A reflexão e ilação que eu gostaria de
trazer a partir de agora está no campo do comportamento e das relações
humanas.
Costumo dizer que a vida pode ser comparada a
uma grande fila humana.
Pense em uma fila de cinema, num dia de grande
lotação.
Do ponto que você está, se não for o
primeiro ou o último da fila, você encontrará muita gente à sua frente e
muita gente atrás de você, não é verdade?
O ponto da sua evolução pessoal, espiritual e
profissional encontra-se também sob uma grande “fila”.
É sabido que um dos grandes males das emoções
e da comunicação humana é a comparação.
Se eu me comparar com o melhor de cada pessoa
que eu conheço eu aciono uma fórmula infalível para entrar em baixa
auto-estima.
Se ele tem muito dinheiro e eu não, se ele é
muito bem resolvido emocionalmente e eu não, se ele é muito querido e eu não,
se ele tem muito sucesso e eu não, enfim a lista é infindável.
O Psicólogo Flávio Gicovate diz que “a máscara
do outro é sempre mais poderosa do que a nossa”.
E não esqueça de que “quanto maior o
carneiro, maior a sombra”.
Talvez se você passasse um dia na pele dela ou
dela, sem a máscara, desejasse voltar correndo para você mesmo...
Por outro lado, se me comparo com o pior de
cada pessoa que eu conheço, longe de aumentar a minha auto-estima eu posso
entrar em prepotência.
Eu tenho mais dinheiro do que ele, eu sei o que
quero, eu tenho sucesso, sou querido, ele não...
De novo é a minha “máscara” versus a “máscara”
do outro.
Fazer contato com o melhor de cada um que eu
encontro é no final das contas, um grande negócio, tentar muda-lo é perder
tempo, julgar as suas imperfeições é outra “barca furada”.
Comparar-se é um crime com a sua alma e com as
suas digitais!
Comparar é completamente diferente de se
inspirar.
Eu posso e devo me inspirar em pessoas que
admiro, em pessoas que tiveram sucesso em algo que me identifico e quero fazer
realizações.
“Robert Wong em O Sucesso está no equilíbrio
diz” Inspirar significa botar para dentro. É uma ação que vem de dentro
para fora e não de fora para dentro. Por isso você não pode inspirar ninguém”.
“Não pode inspirar,
pois não pode respirar por terceiros, sejam eles seus filhos, colegas de
trabalho ou clientes”.
Mas você pode ajudar o outro a se inspirar em
você e você pode se inspirar no outro.
Não se comparar!
A cada dia eu manifesto um comando interno,
quase que um mantra, algo que me diz assim:
Você não tem que ser melhor do que ninguém
Você tem que ser melhor do que você!
Fazer “tipo”, vender uma imagem que não é
a sua, para ser aceito, é outra atitude a ser descartada, uma hora ou outra a
sua digital vai aparecer na tela.
“O que você é fala tão alto aos meus
ouvidos que eu não consigo escutar o que você diz”.
Entre ser normal e ser natural, opte pela
segunda.
Como diz o Pierre Weil o mundo ta cheio de
normais, ou melhor, de “normose”, que é a normal-psicose.
Cada um só consegue colocar no Universo as
suas próprias digitais, o quão diferente ele pode ser.
Para fugir das toxinas da comparação, ancorar
no porto da singularidade-plural que é a existência humana, com toda a sua
interdependência, há que se conhecer e reconhecer como uma digital única.
O autoconhecimento é a chave mestra para abrir
as portas da transformação e descortinar o ser humano único que contém as
suas digitais.
O que eu vejo no mundo e no outro o faço a
partir de uma visão interna.
Só posso mudar o que está lá fora, mudando o
que está aqui dentro.
Esse é o Código e aqui estão as minhas
impressões digitais...
Autor: Antonio Amorim é Consultor Associado
à Marcondes & Consultores Associados (SP).
Atualmente é Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de
Recursos Humanos- ABRH-BA e Diretor da Universidade Internacional da Paz-
UNIPAZ- BA, e possui 08 livros publicados, entre poesias, contos e artigos
voltados para a área de consultoria. |