O direito de não ser o primeiro
Conheço pessoas que simplesmente não
querem ser “as primeiras”. Conheço gente que não quer ser “o chefe”,
“o presidente”. Conheço pessoas que sentem-se genuinamente mais felizes
sendo “segundas ou terceiras”.
Já me perguntei se essas pessoas
dizem não querer estar no topo por medo ou como uma forma de racionalização -
já que não consigo ser a primeira, faço o “jogo do contente” e finjo me
contentar sendo segunda, terceira, quarta, etc.
Mas vejo que há pessoas que sinceramente optam, conscientemente, em não
estar no topo.
E essas pessoas me parecem felizes!
Elas consideram que o estresse e a responsabilidade que ser a primeira no mundo
dos negócios causa, simplesmente, não
compensa.
Desde os filósofos pré-socráticos
o homem se pergunta o que é “ser feliz”. Conceitos como “qualidade de
vida”, “felicidade” são auto-conceitos. O que eu considero como
“excelente qualidade de vida” para mim, poderá ser muito chato para você.
Assim, ainda mais neste século XXI cada um tem o direito de escolher para onde
ir e como ir. Não podemos aceitar receitas prontas e compulsórias de sucesso
ou felicidade.
Sucesso, dizem empreendedores e
empresários, é um “fluxo de caixa positivo”. Isso é verdade para quase
todas as pessoas, por mais simples e pobres que sejam. Mas até aqui temos variâncias
de tamanho e conteúdo.
Temos que conhecer e reconhecer os trade-offs
da vida. Empresários financeiramente bem sucedidos nem sempre tiveram muito
tempo para suas famílias. Já um funcionário de média chefia, pode ter um salário
“confortável” e ter um tempo livre invejado por grandes empreendedores. Um
empresário me disse que seus funcionários tiravam férias que ele nunca tirou.
Viajavam para lugares que ele nunca teve tempo para visitar. Quem é o
“primeiro” me perguntava esse empresário?
Conheço pessoas que não aceitaram ser promovidas. Conheço pessoas que
não aceitaram ofertas tentadoras para se mudar para o exterior em condições
de salário e posição muito mais vantajosas do que as que tinham no seu país.
Elas sempre me perguntam se a opção que fizeram foi certa ou errada.
A minha resposta é sempre a de que
essa é uma opção “pessoal e intransferível”. Somente a própria pessoa
pode saber o que realmente quer e decidir de acordo com o que deseja.
Mas
o importante é que ela também deve assumir as conseqüências de suas decisões.
Assim, quando alguém não aceita uma promoção tem que lembrar que alguém será
promovido em seu lugar. Deve também
lembrar que a empresa pode perder a confiança de investir em alguém que não
quer “subir” e que sua atitude pode ser vista como uma falta de
comprometimento com as necessidades da empresa.
Assim, existe o direito, mas é
preciso saber que existem também conseqüências. Você tem o direito de querer
ficar mais tempo com sua família, com seus amigos. A
empresa, por sua vez, exige a cada dia mais dedicação por causa da competição
do mercado. Achar o equilíbrio não é fácil. Este
é o desafio. E a decisão é só
sua! Mas, lembre-se: você tem o direito de não ser o “primeiro”.
Luiz
Marins
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