O Executivo E A Saúde Na Sua Empresa
Dentro do que se anuncia, e se prediz, em
termos de manutenção do emprego de cada brasileiro no século XXI, cumpre
salientar uma tendência que pode resultar num diferencial competitivo para o
executivo. Estamos falando daquele executivo ou gerente que possui noções
elementares de Saúde – medicina preventiva, medicina ocupacional e manutenção
da saúde dos trabalhadores e subordinados em geral. Quanto mais um indivíduo
aprende sobre saúde preventiva, tanto mais útil se torna para a Empresa, para
a Sociedade, e para si mesmo.
Este predicado visa agregar valores imprescindíveis
para uma boa interação num grupo dentre de uma Empresa como um todo ou parte
dela. Os conhecimentos isolados são pouco eficazes quando não se leva em
consideração compartilhar com seus semelhantes. Um bom estado de saúde física
e mental dentro de uma equipe pode levar a um forte desenvolvimento criativo e
de cooperação desde que se faça levar em consideração um dos itens
principais pela presença do funcionário no ambiente de trabalho que é
"saber manter a saúde, prevenir doenças ocupacionais e evitar os
acidentes de trabalho". Com este novo enfoque para os supervisores,
gerentes e diretores haveria um leque de novos conhecimentos de que ele, além
da empresa e dos funcionários se beneficiariam e muito. O alvo seria um ataque
preventivo ao "absenteísmo", praga que toda a Empresa tem que lidar
diariamente.
Já pensando nisto o Governo vem baixando
medidas, leis e portarias (Portaria do Ministério do trabalho nº 3.124 de 8 de
junho de 1978) e subseqüentemente dispositivos e normativas visando a implantar
e incrementar Sistemas de Segurança e Medicina de trabalho nas empresas
baseando-se nos Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e
nos Programas de Prevenção de Risco Ambientais (PPRA). Sendo já de caráter
obrigatório seria interessante estabelecer uma interface dos executivos e
gerente com o grupo de Médicos que coordenam este serviço dentro de uma
Empresa promovendo e solicitando palestras, orientações, sugestões e acima de
tudo métodos modernos de prevenção de doenças ocupacionais ou não. A tendência
da Medicina preventiva será importantíssima no próximo século. E dentro da
Empresa caberá ao executivo ou gerente supervisionar os dados estatísticos de
performances físicas, faltas ao trabalho ou mesmo de acidentes de trabalho. Por
este lado seria interessante que o gerente do futuro pudesse também passar por
alguma avaliação. Em 1996 foram registrados 34.689 casos de doenças
ocupacionais no Brasil segundo estatísticas do INSS, 68,8% a mais que 1995 e
127% a mais que 1994. E a tendência é de aumento destas doenças com conseqüente
prejuízo para as Empresas. Entre as enfermidades mais freqüentes estão a lesão
por esforço repetitivo (LER) – importantíssima e atualíssima; as doenças
pulmonares e a surdez.
Enumeramos, a seguir, algumas medidas que têm
e terão forte presença num futuro próximo na manutenção da saúde. A começar
com uma nutrição balanceada com carnes magras e/ou brancas adicionado de
produtos da terra (legumes, verduras, grãos, fibras e frutas), são o eixo de
uma alimentação saudável. Adicione-se a isto um suplemento alimentar com
antioxidantes (vit. C e vit. E) e teremos realizado um grande passo para evitar
um sem números das enfermidades. O exercício regular e condicionado, de difícil
realização por falta de tempo, deverá ser feito somente de 3 a 4 vezes por
semana. Caminhar até o próximo ponto de ônibus ou metrô, descer um ou dois
pontos antes de chegar em casa. Subir e descer escadas sempre que possível e
fazer um cooper aos sábados e domingos já é um começo. Aos mais esportistas
bicicletas ergométricas, ou esteiras rolantes podem ser de grande valia nos
tempos frios. Ah! Se puder coloque uma televisão em frente para distrair. Tênis
parece ser o esporte da moda, além de uma boa partidinha de futebol, para
aqueles que agüentarem.
Em alguns países já começam a surgir os spas
mentais, onde o estressado vai para descansar os neurônios, com várias
tecnologias modernas visam a descarregar a tensão diária e a "zipar"
os problemas insolúveis e colocar em arquivos ocultos. A meta é dar um reboot
no sistema nervoso central e dar uma rearrumada nos problemas/diretórios.
Usufrua do lazer: vá ao cinema ao teatro, visite um museu, vá a um concerto
sinfônico, uma comédia musical, uma exposição de quadros, veja obras de
arte, visite amigos, reuna-os na sua casa, troque experiências e informações
fora do ambiente de trabalho e guarde em outro arquivo do seu cérebro junto com
outras boas lembranças para usá-los em momentos difíceis e de tensão. Se for
o caso o computador em casa para surfar pela Internet, conheça outros países
ou lugares. Descubra algum hobby e invista parte do seu tempo livre nele.
Ao mesmo tempo, o repouso é fundamental,
dormir o suficiente, evitar estimulantes como álcool – socialmente os vinhos
são comprovadamente benéficos -, e excesso de café, de chá, e refrigerantes;
tentar abolir o cigarro por meio dos adesivos na pele, orientando o funcionário
a fazer parte de campanhas contra o tabagismo, facilitam e clareiam a mente para
uma melhor e mais criativa performance no emprego.
Algumas tecnologias advindas da Medicina
Preventiva e de trabalho, chegaram, ao ambiente de trabalho. Toda empresa tem
por Lei que implantar seu plano de saúde ocupacional – o PCMSO e o plano de
prevenção de riscos ambientais – o PPRA. Seria interessante que os gerentes
tomassem ciência destes Planos (exames admissionais, periódicos etc) para
usarem sempre que necessário, principalmente no caso de ocorrer algum acidente
de trabalho. Com o surgimento da "ergonomia", que se traduz pela ciência
que estuda a adaptação do ambiente e de material de trabalho ao ser humano,
surgiram várias inovações que precisam ser divulgadas. O ambiente tem que ser
bem areado, com boa luminosidade e o nível de ruído suportável. O não
cumprimento destes itens pode acarretar várias doenças.
Os filtros de ar condicionado têm que ser
lavados periodicamente, pois são um foco de fungos e bactérias. No material de
escritório deve-se evitar os alergogênicos, aqueles com excesso de tapetes e
cortinas de tecido. Tabagismo nem pensar. A luminosidade deve ser adequada para
evitar doenças oculares, os móveis e cadeiras devem ser ergonômicos, visando
evitar as lesões de esforço repetitivas (LER) ou as Doenças Ocupacionais
Relacionadas ao Trabalho (DORT) e as sempre incomodativas dores e lesões nas
costas. O uso correto dos equipamentos de proteção industrial – EPI – é
de responsabilidade do empregador. Os intervalos de descanso devem ser
respeitados, bem como evitar o excesso de horas extras. Conta-se que falhas
humanas, por excesso de jornada de trabalho e privação do sono, causaram a
queda da nave espacial Challenger e o acidente nuclear de Chernorbyll.
Mais vale um funcionário descansado e com jornada normal, do que um exaurido
especialista em hora extra.
Por fim, uma medida nos dias de hoje ainda
controversia é aquela do controle do consumo de drogas no ambiente de trabalho.
Várias empresas internacionais vêm testando funcionários, quer
obrigatoriamente ou aleatoriamente, por meio de um simples teste de urina, para
detectar se o empregado é usuário, ou dependente químico de drogas. Caso seja
comprovado encaminhá-lo, de imediato, para um programa de reabilitação. Isto
sem falar da AIDS que será a praga do século XXI. Mais e mais portadores do vírus
do HIV surgirão e embora o risco no ambiente de trabalho seja pequeno o absenteísmo
pode ser grande. Não há orientação de comunidade científica mundial sobre
qual medida será mais apropriada nestes casos.
Com a falência do Sistema Único de Saúde
(SUS) se faz necessário, dentro das possibilidades de cada empresa,
disponibilizar algum tipo de seguro complementar de saúde no plano empresarial.
Todo funcionário, no futuro, que tiver carteira assinada deverá ter acesso a
um dos planos de saúde que o governo está regulamentando. Uma boa nutrição,
com algum tipo de exercício regular, o pronto atendimento a uma enfermidade, os
check-ups periódicos e preventivos de funcionários, realizados pelos médicos
do trabalho e supervisionados pelos gerentes, aliados a uma permanente campanha
de vacinação leva a crer que, nesta passagem do século, difundir a manutenção
da saúde é melhor que tratar da doença. É bem mais barato.
As Empresas só terão a ganhar se seus
gerentes tiverem noção elementar de medicina preventiva no ambiente de
trabalho e por que não dizer também na dimensão pessoal.
Carlos Legal
Consultor do MVC
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