O Lucro Bom
Supor que exista o Lucro Bom pressupõe que
exista o Lucro mau ou ruim. Ruim é aquele lucro que não tem sustentabilidade
no médio e longo prazo. O especialista em estratégia Adrian Slywotzky
refere-se ao lucro ruim como aquele que é obtido do corte de investimentos em
pesquisa e desenvolvimento, da eliminação de treinamento de funcionários, da
redução de verbas em marketing e da redução da força de vendas.
Mas, como obter o Lucro Bom num mercado tão competitivo? Agregando valor ao
cliente. Fácil de responder, difícil de fazer. No entanto, os caminhos estão
por aí, precisamos encontrá-los. Ou seja, temos que ajudar nosso cliente para
que ele também tenha lucro e sucesso e continue no mercado onde atua, comprando
e investindo. Mais: que ele continue interessado em ser nosso parceiro. O
cliente atualmente compra predominantemente o menor “preço”, pois isto lhe
traz uma vantagem competitiva imediata – menor investimento inicial e, por
analogia, a melhor taxa de retorno. Ele também pode comprar um produto ou solução
por um preço superior se entender que o produto ou a solução oferecida traz
uma vantagem competitiva mensurável. Assim, os trabalhadores do convencimento
terão que provar a seus clientes que, adquirindo seus produtos ou soluções,
terão alguma vantagem competitiva mensurável. Num exemplo: para o mercado de
bens de capital, o cliente entende o valor agregado chamado disponibilidade.
“Maior disponibilidade” implica em ter seu equipamento, ou seu sistema,
disponível por mais tempo, o que resulta em menores interrupções, conseqüentemente
receitas não descontinuadas e, provavelmente, menores multas contratuais.
Entendendo o valor agregado, o cliente estará atento ao diferencial oferecido e
mais disposto a valoriza-lo. Portanto, para cada produto , os trabalhadores do
convencimento deverão dar ênfase ao valor que esse produto poderá agregar ao
cliente. Ou seja, não basta expor as qualidades dos produtos, pois se seus
concorrentes tiverem produtos nivelados, isto de quase nada ajudará a atingir o
objetivo, a venda. E mais: se o preço do produto não for competitivo, o
produto em si não terá nenhum diferencial mensurável. Para bens de capital,
por exemplo, se nossos equipamentos tiverem preços nivelados, portanto, sem
vantagem competitiva no preço deveremos inovar buscando:
- Baixar tempos na produção e melhorar a logística,
- Procurar soluções de sistema diferenciadas, ou seja, entender a real
necessidade do cliente. Concluindo-se que o cliente não necessita de nosso
produto ou solução, fica para uma próxima,
- Caso o cliente seja atendido com uma solução inovadora que nos traga benefícios
em custos de produção, e ele não a aceite, devemos trabalhar para que seja
uma barreira a ser removida,
- Metodologias de processos de transporte e de instalação com menores prazos,
menores riscos e maiores facilidades,
- Metodologias mais eficientes de serviços de colocação em operação,
- Atendimento aos problemas de manutenção de falhas em menor tempo, ou seja,
estrutura de atendimento local ou via internet,
- EALL em toda a cadeia, desde a oferta até os serviços pós-venda, tornando a
vida do cliente mais fácil, principalmente no que tange ao acesso a informações,
- Disponibilizar informações de real valia para o cliente, como dados dos
equipamentos mesmo após o término do período de garantia,
- Baixar o porcentual da influência do custo de produção na cadeia total do
fornecimento, vendendo mais conhecimento,
- Oferecer suporte financeiro via terceiros ou disponibilizar soluções
financeiras próprias para viabilização econômica do empreendimento,
respeitando as garantias.
E mais: seguir nesta busca incessante até encontrar o diferencial que agregue
valor ao cliente naquele negócio. Aí estará não só o Lucro Bom, mas nossa
sobrevivência e a de nossos clientes. As empresas só conseguirão atingir
essas metas através de uma comunidade interna voltada para a abordagem
inovadora e diferencial.
Mas quem fará esse trabalho no futuro? O guru Peter Ducker, pai da administração
moderna, preconiza que a Alta Gerência das empresas do futuro estarão cada vez
mais distantes dos problemas operacionais.
Esses dirigentes do novo milênio deverão satisfazer constantemente as quatro
fontes: clientes, acionistas, trabalhadores, sociedade. Desta maneira, fica fácil
entender que, ocupados com a satisfação do cliente, com o resultado financeiro
previamente acordado com os acionistas, com o bem-estar e a educação
continuada dos trabalhadores e com a comunidade onde as empresas estão
inseridas, esses executivos terão cada vez menos tempo para tratar de problemas
operacionais da própria empresa.
Portanto, isto implica no fato de que os trabalhadores operacionais terão cada
vez maior autonomia em suas funções e serão cada vez mais exigidos.
Observando que as oportunidades de negócios com o Lucro Bom serão menores e os
mercados estarão com tendências à saturação, esses trabalhadores terão a
responsabilidade sobre a melhor e mais inovadora maneira de abordar seus
clientes.
Sabemos que as próximas sociedades criarão outras riquezas que não a
proveniente do lucro, no entanto, isto demandará mais algumas décadas. O
lucro, na empresa do futuro, poderá satisfazer tão somente a duas das quatro
variáveis mencionadas acima, ou seja, os acionistas e, se estes forem
conscientes, os trabalhadores, a quem os primeiros repassarão parte deste
lucro. Mas a equação do lucro continua sem solução sem a satisfação das
outras duas variáveis, clientes e sociedade.
Ailton Vedramini
Ailton Vendramini é formado em Engenharia Elétrica, modalidade
Eletrotécnica, pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), com MBA em
e-business e MBA em Energia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Acumula mais
de 20 anos na área comercial de empresas multinacionais
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