Assim,
o autor inicia seu romance policial:
"Àquela
hora da noite, a estrada deserta, ladeada de plátanos sombrios, parecia
adivinhar os terríveis acontecimentos que nela estariam por acontecer."
Antes
de continuar a leitura – e para poder "saborear" melhor o texto –
não resisti à tentação de dar uma boa olhada no dicionário, para descobrir
o que seriam esses sombrios e desconhecidos plátanos.
Olha
só a definição que eu encontrei.
Plátano,
s. m. Árvore da família das Platanáceas
(platonus orientalis L.)
Palavra
que eu quase desisti de ler o romance.
Tudo
bem que o nome científico da árvore – pelo menos agora eu sei que é uma árvore
– é platonus orientalis. Mas eu não sou botânico, e
essa informação não me acrescentou nada.
Teria
ficado bem melhor, se encontrasse algo do gênero:
Plátano:
Árvore nativa da América do Norte, cuja folha, de tom vermelho-amarelado,
aparece na bandeira do Canadá.

Já
que é para facilitar, por que não fazer assim?
Moral
da história
Agir
como um bom comunicador pressupõe trabalhar duro para aumentar a clareza e a
legibilidade do texto.
E
ponto final.
Claro
que dá menos trabalho culpar o leitor por nossos fracassos comunicativos. Esse
é seguramente o caminho mais fácil.
Se
eu já disse antes algo parecido, sem problemas. Vou até dizer de novo, só pra
você não esquecer.
É
muito mais fácil culpar o leitor por nossos fracassos que trabalhar duro para
facilitar a vida de quem nos lê.
Para
que você resista, de uma vez por todas, à tentação de culpar o pobre do
leitor, segue a pergunta que não quer calar:
Você
conhece algum Professor de Matemática – ou de Química – que não se queixe
da incompetência "antalógica" de seus alunos para resolver problemas
– segundo os mestres – de fácil e cristalina resolução?
Eu
não. A maioria desses gênios (para mim, todo matemático é um gênio - até
hoje não consegui descobrir qual o exato valor de X) sempre fazia questão de
me mostrar o enunciado daqueles malditos problemas, que nem a mãe de Einstein
conseguiria resolver.
Professor
Isaac – que não era nem Newton, nem membro remoto da ilustre família – era
um deles. Bastava me ver no corredor da escola para me exibir, infeliz, aquele
fatídico problema da prova que, rigorosamente, nenhum de seus alunos conseguira
resolver.
-
Você está vendo só? O enunciado está mais que claro. O problema dos alunos não
está na Matemática. O que eles não sabem mesmo é ler e interpretar o
problema. Antes de conhecer Matemática eles precisam mesmo é estudar Português.