O Que Vai Fazer A Diferença
O QUE VAI FAZER A
DIFERENÇA
Depois de ter questionado em outros artigos ações
cansativas do impessoal “telemarketing” e das frases feitas como “Algo
mais, senhor?”, resolvi refletir sobre o que vai fazer a diferença na produção
para o bem-estar das pessoas.
Nunca foi tão necessário tratar o outro e ser tratado como alguém com
identidade pessoal, como um ser humano único. A relação de confiança
mostra-se como diferencial de escolha em cada escolha que fazemos.
Você sentaria num salão de beleza para cortar
o cabelo, pegaria uma revista para ler e relaxaria se não conhecesse o
profissional? Ou iria ao dentista, ao terapeuta, através de uma consulta na
lista telefônica?
Quando eu atendo ao telefone e alguém diz
“eu gostaria de falar com o senhor Antonio Luiz Miranda Amorim ”, fico
esperando o que é que ele(ela) está tentando me vender. E o grande problema,
ainda não está no que ele(ela) vai tentar me vender, mas e sobretudo no pós-venda.
No pós-venda, a tendência é que eu passe a
ter um número de cliente e após digitar vários números no telefone que
tentam descobrir o meu problema, corra o risco de escutar: “a sua ligação
será atendida em no máximo... 6 minutos!!!!”.
Recentemente cancelei um cartão de crédito de
mais de 10 anos, pelo fato da empresa ter mudado o plano de milhagem sem um
aviso sequer aos clientes. Hoje você elimina participantes de programas
culturais(!) digitando o número tal, compra digitando o seu cartão de crédito
,correndo o risco de ser clonado, e até mesmo pode fazer sexo por telefone se
tiver uma boa imaginação...
Mas tudo isso está muito igual, concorda? Quem
está do outro lado, é gente ou máquina? Você saberia responder? Que a
tecnologia veio para facilitar a nossa vida não há dúvidas e o próprio
computador em que escrevo esse artigo, olha com desprezo para uma jurássica máquina
de escrever que guardo no armário do escritório, na esperança de um dia
mostrar para o meu neto uma peça de museu. Mas sabemos que quem mora no
interior tem sede de cidade e quem mora na cidade precisa ir relaxar no
interior. Excesso de impessoalidade gerou uma profunda necessidade de
pessoalidade e busca de significado para as relações.
Como diz o nosso amigo Lama Padma Samtem,
“todos gostaríamos de contar com uma conexão social e humana em cada coisa
que compramos”. Se visitarmos as ladeiras de Salvador, ou Gramado no Rio
Grande do Sul, prossegue ele, nos deliciamos de ver pessoas fazendo trabalhos de
forma artesanal.
Outro exemplo é o da comida. É cada vez mais
necessário saber quem produz o que comemos, de que forma aquele alimento está
vindo até nós. Aquilo dá um sentido humano aos produtos, ao consumo.
No livro Construindo Estratégias para Vencer,
os autores mostram uma pesquisa com o perfil da empresa e do profissional para o
Século XXI, onde destacamos:
- Direcionada pela Visão;
- Direcionada ao Cliente;
- Flexível e aberta;
- Foco nos acionistas, comunidade e parceiros;
- Integrada em rede, interdependente.
Existe hoje uma aspiração de que a economia
volte a ter uma face humana. Quando convidado a fazer uma palestra ou
consultoria , faço questão de antes de aceitar o convite, conversar com o
cliente sobre ele, sobre a sua empresa, sobre a expectativa em relação ao meu
trabalho, antes de sugerir a técnica, afinal a palestra ou a consultoria é
para... gente!
O Will Schutz, Consultor e Psicólogo
americano, diz “alegria é o sentimento que vem da plena realização do meu
potencial” O ambiente em que trabalho me permite isso? As relações são
estabelecidas a partir de abertura e confiança? São relações de dependência
ou de interdependência? Ainda prevalece o “manda quem pode, obedece quem tem
juízo”?
Não restam dúvidas de que ao interagir com o
cliente, o outro ser humano que está do outro lado da linha ou do balcão, tudo
isso vai estar presente. A técnica é importante, a tecnologia é fantástica,
mas o que faz mesmo a diferença é comportamento e atitude que dependem
intimamente dos sentimentos reinantes entre conexões humanas.
E fechando com o Lama Padma Samtem, “quem
perceber isso primeiro vai andar mais rápido, não há dúvida”.
Autor: Antonio Amorim é Consultor Associado à Marcondes & Consultores Associados (SP).
Atualmente é Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Humanos- ABRH-BA e Diretor da Universidade Internacional da Paz- UNIPAZ- BA, e possui 08 livros publicados, entre poesias, contos e artigos voltados para a área de consultoria. |