O texto a seguir
é parte integrante do curso "Administração do Tempo: Tempo, Trabalho e
Vida” ministrado in-company pelo consultor Dino Carlos Mocsányi. Informe-se
sobre este curso pelo tel. (11) 9912-6967.
"O TEMPO NA ADMINISTRAÇÃO: DE QUEM É O PROBLEMA?”
Capítulo 1 de 2
Esta é a primeira parte da "estória dos macaquinhos", ou seja, da
delegação "para cima", "para o lado" ou "para
baixo", para sua reflexão. Este artigo foi cedido a muitos anos atrás
pelo consultor e amigo Renato Bernhoeft.Observe, em seu dia-a-dia nas próximas
4 semanas, quantos e quais simpáticos macaquinhos você está carregando e
reflita por que nunca parece haver tempo suficiente para realizar tudo o que
necessita ser feito... Depois de ler e refletir, você deverá ler a parte 2
desta estória!Porque razão os administradores não têm tempo para nada,
enquanto seus subordinados nada têm a fazer? Neste artigo vamos analisar a
fundo o significado do tempo na administração, no que tange ao
inter-relacionamento do administrador com seu "big boss" (como
chamaremos o "chefe" maior) e com seus subordinados.
Mais especificamente, vamos tratar aqui de três tipos diversos de tempo do
administrador, a saber:
O tempo imposto pelo superior - para execução das atividades
exigidas pelo superior e que o administrador não pode menosprezar sem sofrer
uma admoestação direta e imediata.
O tempo imposto pela organização - para atender aos pedidos
formulados ao administrador, para um apoio efetivo aos seus colegas. Essa
ajuda também deve ser proporcionada, sob pena de ocorrerem admoestações,
embora nem sempre diretas e imediatas.
O tempo imposto por ele mesmo - para realizar aquilo que o
administrador criar ou resolver por conta própria. Uma parte deste tipo de
tempo, porém, será tomada por seus subordinados e é chamada de "tempo
imposto pelos subordinados". O tempo restante será todo seu e é chamado
"tempo discricionário", imposto por seu livre arbítrio. O tempo
auto-imposto não está sujeito a nenhuma imposição externa, pois nem o
"big boss" nem a organização podem repreender o administrador por
não fazer o que eles nem sabiam que ele tencionava realizar.
A perfeita administração do tempo exige que o administrador tenha total
controle da programação ou cronograma de suas funções. Uma vez que aquilo
que o "big boss" e a organização lhe impõem está apoiado nos
regulamentos internos, ele não pode brincar com tais exigências. Portanto, o
tempo que ele impõe a si próprio se torna seu principal motivo de preocupação.
A estratégia do administrador será, por conseguinte, a de aumentar o
componente "discricionário" do tempo auto-imposto, minimizando ou
eliminando o componente "subordinado". Ele se valerá, então, do
incremento adicional a fim de manter um controle mais efetivo das atividades
que lhe são impostas pelo "big boss" e pela organização. A
maioria dos Gerentes despende muito mais do "tempo imposto pelo
subordinado" do que podem imaginar.
Assim sendo, vamos utilizar aqui a analogia do "macaquinho" (isto é,
o problema) para analisar de que forma surge o tempo imposto pelos
subordinados e o que o administrador pode fazer no sentido de evitá-lo.
ONDE ESTÁ O "MACAQUINHO"?
Vamos imaginar que o administrador esteja atravessando o corredor e nota que
um de seus subordinados, o Senhor Fulano, vem vindo em sentido contrário.
Quando os dois se cruzam, o Senhor Fulano cumprimenta amavelmente o Gerente,
dizendo: "Bom dia!... A propósito, temos um pequeno problema. Sabe como
é..." À medida que o Senhor Fulano vai falando, o Gerente descobre
nesse problema os mesmos dois aspectos fundamentais que caracterizam todas as
questões que seus subordinados graciosamente lhe trazem à atenção. Isto é:
Ele já sabe de sobra o que acontece para compreender a situação, mas, não
sabe o suficiente para tomar uma decisão ali mesmo, o que seria a atitude
esperada dele. Após algum tempo, o Gerente diz: "Foi bom você ter
trazido isso ao meu conhecimento. Só que estou com muita pressa no momento.
Deixe-me pensar um pouco no assunto e eu o aviso em seguida". Cada qual
segue o seu rumo. Analisemos o que acaba de ocorrer. Antes de os dois se
encontrarem, com quem estava o "macaquinho"? Com o subordinado, é
claro. Mas, depois que se separaram com quem ficou? Com o Gerente. Portanto, o
"tempo imposto pelo subordinado" começa no momento em que o
"macaquinho" consegue pular das costas do subordinado para as costas
do seu supervisor, e o pior é que não termina enquanto o "macaco"
não voltar ao seu dono para ser tratado e devidamente alimentado. Ao aceitar
o "macaco" nas costas, o Gerente, voluntariamente, assume a posição
de subordinado do seu subordinado.
Ou seja, ele
permite que o Senhor Fulano o faça de seu próprio subordinado ao realizar
duas coisas que um subordinado geralmente deve fazer para seu chefe - o
administrador tirou a responsabilidade das costas de seu auxiliar e
prometeu-lhe que faria um relatório sobre as providências cabíveis.
O subordinado, para certificar-se de que o Gerente não deixou de compreender
tudo direitinho, dará um pulo a sala e cordialmente lhe indagará: "Então,
como vai à coisa, chefe?" (a isso se chama "supervisão"...).
Ou, então, imaginemos que, ao encerrar-se uma reunião de rotina com um outro
subordinado, Senhor Beltrano, o Gerente administrativo lhe diga: "Ótimo.
Mande-me um memorando sobre isso aí”. Analisemos este caso. O
"macaco" está nesse dado momento nas costas do subordinado porque a
próxima providência é dele. Porém, o ágil "macaquinho" já está
preparando o pulo... Olhe só que danado! O Senhor Beltrano obedientemente
elabora o memorando solicitado e o coloca em sua caixa de saída. Pouco
depois, o Gerente o retira de sua caixa de entrada e o lê com atenção. De
quem é a vez agora? Do Gerente administrativo, é claro! Se ele não tomar
uma providência logo mais, receberá um outro "memo" de seu
subordinado, cobrando a coisa (essa é uma outra forma de "supervisão"!).
E quanto mais o Gerente demorar em responder, tanto mais frustrado ficará seu
subordinado (este ficará "dando tratos à bola") e mais culpado o
Gerente se sentirá (seu atraso no "tempo imposto pelos
subordinados" estará aumentando cada vez mais).
Suponhamos, por outro lado, que numa reunião com o Sr. Sicrano, o Gerente
concorde em fornecer-lhe todo apoio num plano de relações públicas que
acaba de solicitar-lhe. As palavras finais do Gerente ao Sr. Sicrano são:
"Avise-me de que forma posso ajudá-lo nisso, está bem?"Agora
examinemos a situação. Neste caso o "macaquinho" inicialmente
encontra-se nas costas do subordinado. Mas, por quanto tempo? O Senhor Sicrano
entende perfeitamente que não pode desenvolver o plano até que a sua
proposta receba a aprovação do Gerente. E, por experiência própria, também
sabe que sua proposta com certeza ficará arquivada na pasta do Gerente por várias
semanas, aguardando que o chefe, com tempo, chegue até lá. Quem é que
realmente está com o "macaquinho", então? Quem estará cobrando de
quem? Haverá muita "fundição de cuca" e novo atraso nas providências,
uma vez mais. Outro subordinado, o Senhor de Tal, acaba de ser transferido de
um outro departamento, a fim de lançar e posteriormente administrar um
projeto recém-criado.
O Gerente
disse-lhe que deveriam reunir-se logo mais, a fim de estabelecer uma série de
objetivos para o cargo, e que "farei um esboço inicial para discutirmos
então a questão". Ora, analisemos este caso também. O subordinado
assume o novo cargo (por nomeação efetiva) e toma a si toda a
responsabilidade (por delegação efetiva), só que a providência seguinte
cabe ao Gerente administrativo. Enquanto ele não a tomar, estará com o
"macaquinho" nas costas e o subordinado ficará de braços
cruzados... Mas porque as coisas são assim? Porque em cada um dos casos o
Gerente e o subordinado entendem logo de cara, consciente ou
inconscientemente, que o tema em questão é um problema conjunto. O
"macaco" em cada caso começa montado nas costas de ambos. Tudo o
que tem a fazer agora é mexer a perna errada e - pronto! - o subordinado
habilmente tira o corpo fora. O Gerente fica, assim, com mais um bicho em sua
coleção. Claro que macacos podem ser ensinados a não movimentar a perna
errada. Mas é bem mais fácil evitar que ele suba nas costas, para início de
conversa.
AFINAL, QUEM TRABALHA PARA QUEM?
Para tornar o que se segue mais verossímil, admitamos que estes quatro
subordinados sejam tão ciosos com o tempo do Gerente que se esforcem a fim de
que não mais de três "macaquinhos" pule das costas de cada um para
as do chefe num mesmo dia de trabalho. Em uma semana de cinco dias, então, o
Gerente terá ficado com sessenta "macaquinhos" esganiçados - o que
é demais para que o coitado possa tratar de todos eles, um de cada vez.
Portanto, o Gerente gasta o "tempo imposto por seus subordinados"
jogando pra lá e pra cá com suas "prioridades”. Na Sexta-Feira à
tardinha o Gerente encontra-se em sua sala, com a porta fechada para poder ter
o necessário sossego e poder pensar na situação, enquanto seus subordinados
aguardam, do outro lado, por uma última chance de lembrar-lhe, antes do fim
da semana, que ele deverá "assobiar e chupar cana”. Imagine só o que
estão dizendo, um ao outro, enquanto esperam para dar aquela palavrinha com o
Gerente: "Que chateação... O homem não é capaz de tomar uma decisão...
Como é que alguém consegue chegar àquela posição na empresa sem
capacidade de decidir coisa alguma. É o que ninguém entende...” O pior de
tudo é que a razão pela qual o Gerente não pode tomar nenhuma das
"providências seguintes" é que o seu tempo está quase
inteiramente tomado com o atendimento das exigências do "big boss"
ou da própria organização. Para poder controlar tais exigências, ele
precisa de tempo discricionário que, por sua vez, lhe é negado quando está
às voltas com todos esses "macaquinhos". Enfim, o Gerente fica
preso a um verdadeiro círculo vicioso.
Mas o tempo está sendo perdido (o que não é bem verdade).
O Gerente administrativo chama a secretária pelo interfone e a instrui a
dizer a seus subordinados que não poderá vê-los até segunda-feira pela
manhã. Às 8 horas da noite ele vai para casa, com o firme propósito de
voltar ao escritório no dia seguinte e passar o fim de semana trabalhando.
Retorna ao escritório bem-disposto na manhã de Sábado apenas para ver, no
campinho de futebol que fica do outro lado da rua e que pode ser visto da
janela de seu escritório, adivinhe quem batendo uma bolinha e tomando umas
cervejas?Era só o que faltava! Agora ele ficou sabendo quem realmente
trabalha para quem. Além do mais, agora entende que, se conseguir realizar
neste fim de semana tudo aquilo que veio decidido a fazer, a moral de seus
subordinados se elevará tanto que eles aumentarão tranqüilamente o número
de "macaquinhos" que no futuro deixarão saltar para as costas do
Gerente. Em suma, ele compreende agora, com a nitidez de uma revelação num
monte sagrado, que quanto mais se aprofundar no trabalho mais e mais ficará
atrasado no atendimento dos problemas. Ele então deixa o escritório com a
pressa de quem vai tirar o pai da forca.
O que pretende? Envolver-se de corpo e alma em algo que há muitos anos não
tem tido tempo de fazer: passar um fim de semana inteirinho com a família
(esta é uma das muitas alternativas de utilização do "tempo discricionário").
Na noite de Domingo ele assiste ao "Fantástico" sem culpa e
permite-se aproveitar 8 horas de sono tranqüilo e imperturbável, porque já
tem planos bem definidos para segunda-feira. Resolveu livrar-se do "Tempo
imposto por seus subordinados". Em troca, vai conseguir o equivalente em
"tempo discricionário", parte do qual passará com seus
subordinados para que estes aprendam a difícil, porém compensadora, arte de
"Como Cuidar de Macacos". O Gerente também terá bastante tempo
discricionário à sua disposição para controlar o cronograma e a espécie não
só do tempo que lhe é exigido pelo "big boss", mas também do
tempo que lhe é exigido pela empresa. Tudo isso poderá levar vários meses;
porém, quando comparado com a maneira como as coisas iam antes, as compensações
são enormes. O seu objetivo final é o de gerir seu próprio tempo
administrativo.
Esta estória continua no capítulo segundo...
Antes de ler o capítulo segundo, permitam-se uns dias e passe a observar e
listar em uma folha à parte o seu zoológico pessoal, a partir de agora mesmo
(no tempo que lhe sobrar).
Macaquinhos que a organização me impõe:
Macaquinhos legitimamente impostos pelo meu chefe:
Macaquinhos gentilmente cedidos por meus subordinados:
Meus próprios e legítimos macaquinhos:

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