Os 7 Pecados Capitais Nas Organizações
OS 7 PECADOS CAPITAIS NAS ORGANIZAÇÕES
Pensar a empresa seguindo determinado paradigma
é útil e adequado, mas pensá-la em termos de valores parece ampliar bastante
esta visão e com isso podemos perceber com mais clareza os fatores que
influenciam a motivação,isto é, o quanto as pessoas se dão para a empresa.
Percebi que a maioria dos fatos que aconteciam
e freavam o crescimento das pessoas na empresa eram os 7 Pecados Capitais.A idéia
de pecado não tem conotação religiosa. Pecar vem de "pecare"que
significa "errar de alvo ". Sempre que "pecamos", erramos de
alvo.
Conhecer quais são os 7 pecados capitais ,
suas consequências nas organizações , nos relacionamentos e exemplificá-los
é o objetivo desta reflexão.
A IRA
: Tem como sinônimos a raiva, a cólera, agressividade exagerada. Se pararmos
para observar, encontraremos nas empresas várias cenas que ilustram esse
pecado. As origens da ira podem ser por meticulosidade, por perfeccionismo ou até
mesmo por desqualificar nossa capacidade de solucionar problemas bem como a
importância desses problemas.
Basicamente a atitude mental que está por trás da ira é "quero
destruir’ ou "eu quero e você deve". Como ficaria esta atitude em
termos de gestão ? Como será o processo de tomada de decisão sob o impacto da
ira ? Certamente o mais destrutível possível, com ranço de autoritarismo,
desrespeito e baixo clima de confiança mútua entre o gestor e sua equipe.. Uma
maneira de detectarmos a manifestação da ira é observar a destruição do
patrimônio da empresa bem como a expressão facial das pessoas. Por baixo de
toda ira quase sempre detectamos medo: de errar, de expressar-se de outra
maneira,de perder espaço,etc. Ao invés de tremer as pessoas atacam para
defender-se de seus fantasmas.
A GULA:
No sentido literal, gula é o excesso no comer e beber,na sua simbologia maior
significa voracidade.A característica da gula é engolir e não digerir.A gula
pode ser entendida como gula intelectual inclusive, o sentido que está por trás
da gula é o de estar funcionando abaixo das nossas , potencialidades.
A sensação é de que não estamos fazendo tudo que o nosso potencial permite,
que estamos vivendo sem atender nossas expectativas.
A atitude mental básica é : necessito aprender tudo.
Um exemplo da gula nas organizações é quando compram-se equipamentos de última
geração desnecessariamente ou quando os gestores centralizam o processo decisório
e as informações visivelmente observado nas mesas cheias de papéis.
A gula vai influenciar tanto nos relacionamentos quanto na produtividade das
pessoas.
A INVEJA:
É o desgosto ou pesar pelos bens do outro, a dificuldade de admirar o outro, o
sentimento de injustiça .O slogan que define a inveja é : Ele é mais do que
eu, também quero" a inveja nos faz perder o contato com nossas reais
possibilidades.
Nas organizações podemos entender quando não há apoio das chefias para
determinados projetos, quando alguém tenta apagar o seu "brilho",
vemos também a procrastinação e os processos de "fritura",
geralmente quando o discurso é de um jeito e as ações não são coerentes com
ele.
Esses pecados não são claros , não são declarados .
O que deixa a inveja bem caracterizada é a sua expressão pelo comportamento não
verbal, o olhar, principalmente.
Não devemos confundir a competição com a inveja. Esta última é um
sentimento negativo que pode transformar o processo de competição em algo
destrutivo.
O ORGULHO:
É o brio, a altivez, a soberba. A sensação de que "Eu sou melhor que os
outros" por algum motivo. Isto leva a ter uma imagem de si inflada,
aumentada, não correspondendo a realidade. Surge com isso a necessidade de
aparecer, de ser visto passando inclusive por cima de padrões éticos e vendo
os outros colaboradores ou colegas minimizados. Podemos criar a imagem de pavões
relacionando-se na empresa o que certamente trás resultados desastrosos.
Podemos citar o exemplo de gestores que tomam determinadas decisões por questões
de orgulho pessoal ferindo muitas vezes as metas organizacionais mas com o único
objetivo de dar vazão a este sentimento.
A AVAREZA
: Define-se como estar excessivamente apegado a alguma coisa levando a um grande
medo de faltar, uma percepção de escassez. A avareza pode ser percebida no
cotidiano das empresas levando ao slogan: "Não tenho confiança em ninguém"
logo terei avareza com as informações que me chegam as mãos, com a expressão
dos sentimentos e opiniões em relação aos projetos que estou envolvido, etc.
Economizo pensamentos, sentimentos e ações pois não consigo lidar com a
diversidade, com a transparência entrando num clima defensivo. Em termos de
gestão de pesssoas podemos apontar a tendência a centralização como gesto
avarento nas organizações.
A PREGUIÇA:
É definida como aversão ao trabalho, negligência. Este sentimento faz com que
as pessoas desqualifiquem os problemas e a possibilidade de solução destes. A
preguiça não se resume na preguiça física mas também na preguiça de
pensar, sentir e agir. A crença básica da preguiça é "Não necessito
aprender nada", levando a um movimento freador das idéias e ações dentro
das organizações que no cotidiano e traduzido pelo "deixa para
depois".
A LUXÚRIA:
É definida como uma impulsividade desenfreada, um prazer pelo excesso, tendo
também conotações sexuais. Nas empresas este pecado é identificado pelo assédio
sexual: em nome da posição hierárquica "Desfruto do poder de
dominar." Aparece com isso a grande dificuldade de relacionamento entre
homens e mulheres nos ambientes organizacionais, reforçando heranças culturais
arraigadas bem como dificuldades emocionais de expressar a afetividade de forma
saudável.
Faz-se necessário perceber de forma ampliada
os fatores que influenciam a gestão de pessoas nas organizações e o seu grau
de maturidade para compreender melhor os processos decisórios, a motivação e
a qualidade de relacionamento.
Os fatores culturais, os paradigmas
administrativos bem como a saúde emocional das pessoas que trabalham juntas
parecem somarem-se num todo coerente e explicativo para o grau de desempenho e
competências exigidos no modelo de gestão atua.
Os sentimentos envolvidos nos Pecados Capitais
por si só não são negativos. O negativo é alimentá-los e agir sob o efeito
deles não combatendo-os nem trazendo novas alternativas de comportamento,
minando com isso o crescimento e o fortalecimento das competências dentro das
organizações.
Lúcia G. Monteiro é psicóloga, pós
graduada pela FGV,Mestranda em Gestão Estratégica, Diretora da VISÃO
CONSULTORIA, com experiência em treinamento motivacional de equipes, liderança
e diagnósticos. luciagmonteiro@oi.com.br |