Os cuidados com a seleção
Os cuidados com a seleção
Nos últimos anos, a presença da ética tem
conquistado cada vez mais espaço dentro do universo corporativo. Isso pode ser
sentido na prática, pois empresas de vários segmentos e portes têm
registrado, através dos códigos de ética ou de conduta, aquilo que esperam
dos funcionários, bem como tornam explícitos seus deveres e direitos. Em
alguns casos, a ética tem sido estendida para além das fronteiras das organizações,
já que não são raros os códigos que também tratam de questões relacionadas
aos fornecedores, aos clientes externos e até mesmo aos concorrentes.
Mas, será que a ética deve estar presente
apenas após a assinatura do contrato de trabalho? Muitos profissionais de RH
acreditam que não, pois para se manter a integridade profissional e pessoal, é
preciso que a ética comece a ser posta em prática a partir da realização do
processo seletivo. Quando isso acontece, ganha a empresa contratante, pois essa
terá sua imagem preservada junto ao futuro funcionário, e os candidatos que são
valorizados e, conseqüentemente, motivados para assumir um novo desafio. Para
Francisco Teixeira, diretor da CentroServ RH, consultoria especializada em
processos de Recrutamento e Seleção, a organização que valoriza a ética em
suas ações é vista pela sociedade e pelos profissionais como um parceiro sério
e confiável.
Considerando uma tendência do mercado,
Teixeira comenta que na área de Recursos Humanos, principalmente, a ética
empresarial deve ser valorizada porque o produto de qualquer organização
voltada para a Gestão de Pessoas é o próprio ser humano, com todas as suas
individualidades. Se um gestor de RH não for ético e transparente em suas ações,
jamais conseguirá fazer com que os seus colaboradores contratados absorvam
princípios de uma corporação, seja ela pequena, média ou grande. "O
elemento humano precisa de exemplos, para que possa conduzir suas atividades. Um
gestor de RH, à vezes, precisa fazer papel de pai, orientando e instruindo seus
colaboradores", ressalta.
Ao ser questionado sobre a importância da
presença da ética nos processos seletivos, o consultor exemplifica duas situações
distintas. Na primeira, quando o R&S é realizado por consultorias
especializadas, os selecionadores precisam ser duplamente éticos, pois
necessitam preservar tanto os clientes quanto as pessoas que procuram uma
recolocação no mercado de trabalho. E quando uma empresa recorre ao trabalho
de uma consultoria especializada, o selecionador deve estar atento a um detalhe
importante: a confiança que organização contratante depositou não pode ser
quebrada, mas isso não significa que os candidatos davem ser discriminados.
Para que isso ocorra, a empresa contratante deve ser orientada de forma
profissional sobre o andamento do processo, pois caso contrário o selecionador
estará enviando apenas quantidade e não profissionais qualificados que possam
preencher, adequadamente, as vagas disponíveis. Se isso não for respeitado,
toda a seleção poderá tornar-se um processo banal.
O segundo caso ocorre quando os processos
seletivos são realizados diretamente pelo contratante, ou seja, pela área de
RH da própria organização. Atualmente, comenta Francisco Teixeira, cada
empresa desenvolve seus métodos baseados no tipo de mão-de-obra que procura.
Em geral, a experiência anterior é o primeiro item a ser checado, mas os
profissionais de RH devem, sobretudo, aprender a detectar o potencial de cada
candidato e mostrar a capacidade desse para a empresa, em sua atividade fim. Um
outro cuidado que deve ser tomado, de acordo com Teixeira, é nunca permitir que
candidato seja inferiorizado por não estar apto para assumir uma determinada
vaga. "Não estar apto em um determinado momento, não significa que o
candidato deixará de concorrer a uma outra oportunidade", lembra.
Um processo seletivo ético, explica o
consultor, começa quando esse é visto como a aceitação de um desafio. Se uma
empresa não for capaz de captar determinada mão-de-obra, não deverá iniciar
o processo. Já a escolha do candidato deverá seguir uma linha previamente traçada:
localização do profissional, avaliação de currículo e entrevista pessoal.
Essa última deve ser considerada como a principal fase do processo. O consultor
aconselha que, no máximo, três profissionais sejam selecionados antes da
escolha final.
Em relação às conseqüências que um
processo seletivo mal conduzido pode gerar, Teixeira diz que como as prestadoras
de serviço as consultorias, geralmente, ficam desacreditadas num mercado cada
vez mais competitivo. A escolha de um profissional, reforça o consultor, deve
ser baseada na qualidade e nunca na quantidade de candidatos que se possa
reunir. Isso vale para qualquer nível, seja gerencial, técnico ou fundamental.
O objetivo do processo seletivo não pode ser esquecido: localizar profissionais
qualificados, especializados ou potencialmente capazes de desenvolver o trabalho
proposto pela empresa.
O feedback - E quando o processo
seletivo é concluído, o que se deve fazer com os profissionais que não foram
contratados? É nesse momento que o conhecido feedback deve ser colocado
em prática, pois todos os candidatos que foram entrevistados acabam criando
expectativas. Por outro lado, Francisco Teixeira diz que toda a seleção
deveria seguir esse caminho, mas na prática isso nem sempre é possível.
"A falta de informação final, principalmente para aqueles profissionais não
selecionados, não implica em uma quebra de código ético. Porém, essa é uma
falha que alguns profissionais de RH são obrigados a cometer em função do
grande número de pessoas que são entrevistadas", afirma, ao acrescentar
disponibilizar telefones pode ser uma alternativa para não deixar os candidatos
sem retorno.
Patrícia Bispo |