OS RISCOS DO TRABALHO
OS RISCOS DO TRABALHO
Mais de 5.000 mortes e 25.000 incapacitados permanentes. Não é o saldo de uma
guerra civil, mas o resultado de 428.000 acidentes de trabalho ocorridos em 1996
no Brasil, gerando custos da ordem de R$ 4 bilhões, conforme dados do Ministério
do Trabalho e Previdência Social. Os números de 1997, e anos seguintes até
2002, não são nada melhores.
Neide Richopo, socióloga do Setor de Saúde da Prefeitura do Município de São
Paulo, diz, em uma de suas publicações: " O trabalho em si não é nocivo
e perigoso. O que o torna assim é a maneira como ele é organizado nas
empresas, provocando fadiga, exaustão e doenças ocupacionais em seus funcionários".
A maneira como os empreendimentos empresariais exploram os recursos naturais e o
trabalho humano, provoca uma série de efeitos no ambiente e na saúde das
pessoas. Funcionários, moradores e consumidores são os principais ameaçados e
prejudicados. Expostos a atmosferas contaminadas e a acidentes, os funcionários
é que sabem como as empresas poderiam evitar processos poluidores, quais as saídas
ocultas de poluentes não tratados ou a disposição clandestina de lixos tóxicos.
E as comunidades são as que mais sentem as consequências do uso de agrotóxicos,
lixo químico, poluição da água, resíduos industriais, ar e alimentos.
Há pouco tempo, ministrando o Curso Seis Sigma na sede da FIESP, em São Paulo,
um jovem e compenetrado diretor de renomada empresa me interpelou dizendo:
""Está bem, o que você está ensinando eu concordo. Mas, o problema
em minha empresa são os resíduos, desperdícios e tudo aquilo que tenho que
jogar fora. O que fazer?" - Disse a ele que palavras como resíduos,
desperdícios e poluição não podem mais fazer parte do vocabulário de empresários
com responsabilidade pela qualidade de vida. Enfatizei que ele não deve ter resíduos,
desperdícios - e muito menos gerá-los - em seus processos, mas procurar
trabalhar com produção limpa.
No último dia do Curso, ao se despedir de mim com um grande abraço, disse-me:
"Muito obrigado. Nunca ninguém me falou disso em minha empresa. Pode ter
certeza que vou dar um jeito nisso!"
A maioria das empresas vem negligenciando uma norma previdenciária que pode
render multa de até R$ 63 mil em caso de descumprimento. Algumas sequer tomaram
conhecimento da regulamentação. Trata-se de um decreto da Previdência Social,
datado de maio de 1999, determinando que toda organização mantenha atualizado
um histórico das atividades que envolvam risco à segurança e saúde de seus
funcionários. A regulamentação se aplica a empresas de todo porte e deve ser
obedecida em qualquer ramo de atividade. Fazer a biografia funcional do
empregado é simples, rápido e evita problemas futuros para os dirigentes. De
maneira concisa, fazer a biografia funcional do empregado significa relacionar,
principalmente, as mudanças de função ou área desde a admissão até a
rescisão do contrato de trabalho. Não é complicado elaborar o documento, mas
é aconselhável buscar ajuda de alguém especializado. Sai bem mais em conta do
que arcar com uma autuação. A multa prevista no decreto depende do porte da
empresa e varia de R$ 6 a R$ 63 mil. Além de ser boa para a empresa, a medida
é útil também para o empregado. Com ela é possível comprovar tempo de
trabalho para solicitação de aposentadoria especial, paga a quem trabalhou em
ambiente insalubre ou sujeito a riscos.
Paulo Por Paulo Botelho
Augusto de Podestá Botelho é Professor Universitário e Consultor de Empresas
para Programas de Engenharia da Qualidade, Antropologia Empresarial e Gestão
Ambiental. www.guiarh.com.br/paulobotelho.htm |