Planejamento Estratégico - Para Quê?
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Em conversas com nossos clientes temos sido
freqüentemente questionados sobre a validade de se realizar ou não um trabalho
de Planejamento Estratégico. Os argumentos apresentados para justificar a dúvida
concentram-se, na maioria das vezes, sobre dois pontos principais:
- "Com este ritmo acelerado de mudanças
é impossível se planejar qualquer coisa com prazo superior a um ou dois
anos";
- "Além disso, nossa empresa tem sido
bastante lucrativa. No ano passado, por exemplo, ............."
Sobre estes argumentos valem os seguintes
comentários:
- Ritmo acelerado de mudanças
– Normalmente, mudanças são percebidas via ações da concorrência e das
novas necessidades dos clientes. A aceleração do processo é conseqüência do
acirramento das disputas e demandas desses atores. Neste contexto, não se pode
prescindir de uma boa estratégia.
Planejamento para prazos mais longos
– O conceito de curto e longo prazo é função do segmento em que a organização
atua. Com certeza, empresas siderúrgicas e petrolíferas operam em horizontes
bastante superiores aos de uma cadeia de exibidores cinematográficos que, por
sua vez, planejam para prazos bem maiores do que uma padaria de bairro. Mesmo
assim, as mudanças, quando não antecipadas, são impiedosas com qualquer negócio
– sugerimos ao leitor voltar cinco, dez anos atrás e comparar os cinemas e
padarias bem-sucedidos de então com aqueles de hoje. São os mesmos? O
atendimento aos clientes mudou?
Antecipação das mudanças
– As mudanças e, principalmente, a intensificação de seu ritmo não ocorrem
por acaso. Elas decorrem da ação das grandes revoluções que hoje se
processam em âmbito global, produzindo impactos consideráveis sobre todos os
países, numa explosão em cadeia que atinge progressivamente todos os setores
econômicos. As organizações que perceberem hoje mais claramente os impactos
que o futuro produzirá em seus negócios e que forem capazes de implementar ações
para lidar com as mudanças antecipadas aumentarão suas probabilidades de
sucesso nos próximos anos.
Nossa empresa tem sido bastante lucrativa
– O lucro de hoje é resultado de uma concepção estratégica bem-sucedida
desenvolvida no passado e das sucessivas ações operacionais que a
implementaram. Em resumo, o sucesso de hoje foi idealizado no passado; no ritmo
atual de mudanças, nada garante que ele se repetirá no futuro.
Estrategicamente, o importante é garantir o potencial gerador de lucros futuros
da empresa.
Por essas razões, acredito que a adoção de
um pensamento estratégico faz-se essencial para a sobrevivência de uma
organização nos momentos de grande turbulência. Para mim, portanto, a essência
de uma boa estratégia começa com a seguinte pergunta: Qual o potencial que
nossa organização tem de criar lucros futuros permanentes?
A resposta a esta pergunta é a própria concepção
estratégica do negócio da organização que, para ser bem-sucedido, deverá
obedecer à seguinte combinação de idéias:
- idealizar uma nova forma de criar valor para
os clientes – quais as atividades que a organização deverá desempenhar
e que produzam um real valor a seus clientes? Que produtos e serviços deverá
desenvolver? Enfim, qual é o seu negócio?
- ser capaz de colocar em ação um conjunto
de competências que produzam este valor – são as principais forças da
empresa postas em funcionamento para criar o valor desejado para o cliente.
Uma competência não é uma simples força, mas uma força que destaque a
empresa da concorrência;
- criar uma fórmula única (distinta) que
permita apropriar-se de parte do valor criado – é a capacidade de a
empresa operar um conjunto de competências capaz de produzir um resultado
único que os competidores não consigam copiar em curto prazo. Em conseqüência,
o valor criado aos clientes gera um excedente que é apropriado pela
empresa, acionistas, colaboradores e demais atores de influência.
Para testarmos a força da concepção estratégica
do negócio atual de nossa empresa devemos responder as seguintes perguntas:
- O que é único na concepção de negócio
de nossa empresa?
- O que impede nossos competidores de copiarem
nossa concepção de negócio?
Segundo Michael Porter, as empresas competem
criando vantagens competitivas em relação aos concorrentes. A habilidade de
desenvolver competências distintas (respostas positivas às perguntas
anteriores) favorece o estabelecimento de vantagens competitivas que,
normalmente, se manifestam através de estratégias de diferenciação ou de
liderança em baixo custo.
Nosso ponto é que a eficácia a longo prazo de
uma estratégia de sucesso – via diferenciação ou baixo custo - depende da
construção de uma fórmula de negócio estruturada de forma distinta e impossível
de ser copiada no curto prazo pela concorrência. Para mantermos nossa vantagem
competitiva no longo prazo é preciso testarmos permanentemente nossa concepção
de negócio frente aos cenários futuros que pudermos antecipar para o ambiente
de negócios de nossa organização.
O início de um trabalho de planejamento estratégico
compreende uma fase de diagnóstico da aplicação destes conceitos, ou seja, até
que ponto a concepção do negócio da empresa está clara para seus líderes
principais. Além disso, deve ficar também evidente a vantagem competitiva que
ela produz. Uma vez uniformizado este conhecimento, passamos para uma fase de
construção de cenários futuros que estruturem as incertezas que as mudanças
estão provocando em nossos negócios. Finalmente, o conceito atual de negócios
é aplicado perante os cenários futuros objetivando verificar a necessidade de
se promoverem ajustes nas competências que mantenham a vantagem competitiva
desejada. O Plano Estratégico em si consiste em objetivos e ações
estruturados numa base temporal para implementar estes ajustes.
Além da estruturação estratégica
propriamente dita, a realização de um trabalho deste tipo produz outras conseqüências
positivas:
- alinhamento dos participantes à estratégia
da empresa, tanto por suas opiniões durante a fase de diagnóstico dos
problemas quanto pela franqueza utilizada na discussão da visão de cada um
a respeito da concepção atual do negócio da empresa;
- o esforço coletivo em discutir as divergências
existentes até a obtenção de uma convergência de opinião, condição
fundamental para a obtenção de uma visão estratégica compartilhada pela
liderança;
- a compreensão detalhada de como se
estrutura estrategicamente o negócio da empresa favorece a construção de
um processo decisório mais rápido e alinhado aos interesses da empresa e
de seus clientes.
Sérgio
D. Velasco
Vice-Presidente
do MVC
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