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Planejamento Estratégico De T&d

A volta triunfal - e definitiva - do planejamento estratégico com todas as restrições que este nome possa ter ao mundo empresarial, leva-nos a algumas reflexões sobre o tema dentro de uma visão contemporânea da administração. Talvez seja necessário entender, em primeiro lugar, que muito mais do que uma metodologia o planejamento estratégico é um processo contínuo que eu preferiria alocar no patamar de uma mentalidade. Todos os meus clientes em que esses conceitos foram aplicados com efetividade dos últimos 25 anos, entenderam a profundidade da matéria e continuam até hoje a usar o raciocínio estratégico em suas mais diversas dimensões, como parte intrínseca do seu modelo mental. Eu mesmo, há mais de 20 anos, venho aplicando sistematicamente seu conteúdo nos meus focos pessoal, profissional e empresarial; num processo mental permanente faço perguntas formais sobre avanço estratégico, ambiente externo e evolução da minha pessoa (Vide Fax do Triunfo 182 e 183 disponibilizados em nossa home page). Esta é, portanto, uma conclusão importante: o processo estratégico é para ser usado em cada um dos núcleos de atividade de nossas vidas - desde a aplicação do negócio como um todo, passando por um departamento ou célula, chegando até mesmo à vida pessoal. Vale à pena registrar que, como consultores em estratégia, já tivemos como clientes empresas grandes, médias e pequenas; públicas e privadas; nacionais e internacionais; grupos, estados, municípios, autarquias, famílias e pessoas físicas.

 

Estratégia em T&D

Estratégia é uma ferramenta fundamental para estruturar a incerteza do futuro e adiantar fatos que virão acontecer, permitindo a adoção de medidas que ajudem a construir o futuro que desejamos. Por isso mesmo, a presente matéria tem como objetivo conectar o pensamento estratégico a uma das mais importantes funções empresariais deste final de século: a educação corporativa, através da área de Treinamento e Desenvolvimento das organizações. No quadro anexo ao final do presente artigo, elaboramos uma contraposição entre as estratégias tradicionais e contemporâneas nesta área, dando uma visão se não abrangente, pelo menos geral das grandes diferenças que pontuam a avaliação estratégica de T&D.

Alguns comentários específicos devem entretanto ser ressaltados. Embora inúmeras empresas tenham desgastado a avaliação de sua missão - o próprio Scott Adams, através do Dilbert, adora derrubar o conceito - para mim este é o início básico da reflexão sobre a vida de qualquer instituição. Até seres humanos devem se perguntar sobre sua missão terrena. Não há dúvida que o indivíduo que conhecer sua "razão de ser maior" terá facilitado a ação cotidiana que empreende no caminho de sua própria evolução. Neste contexto podemos perguntar, então, qual seria a missão de uma área de T&D. Embora a maioria talvez a identifique sob um conceito exclusivo de educação, eu preferiria afirmar que a missão de uma área de T&D é "melhorar continuamente os indicadores estratégicos de resultados de uma organização através de uma efetiva ação de aprendizado dinâmico e contínuo". Assim sendo, em realidade, sua missão é fazer melhorar e perpetuar a organização a qual pertence.

Mero jogo de palavras? Não! Estabelecer a missão de uma instituição é sempre o primeiro passo que vai desencadear toda a linha e conjunto de ações posteriores. Sempre vale à pena lembrar o caso que vivi há dois anos em uma determinada universidade. Ao me receber, frente a um público de 2.000 jovens o reitor afirmou orgulhosamente: "gostaria de ressaltar, professor Vianna, que a missão de nossa universidade é promover a excelência desses jovens para a busca do mercado de empregos". Com todo carinho, retruquei: "temos que mudar a missão desta universidade porque, literalmente, os caminhos do futuro desses jovens devem ser traçados por estratégias muito diferentes do que permite esta missão". Dois anos depois, voltando à mesma universidade, fiquei muito feliz quando o reitor, reformulando sua sentença, me afirmou: "queria ressaltar, professor Vianna, que a missão da nossa universidade é desenvolver esses jovens como seres humanos integrais, buscando a sua excelência para o encaminhamento de suas atividades profissionais".

 

Customização

Palavras muito diferentes vão gerar estratégias completamente diferentes. Estabelecer a missão de treinamento e desenvolvimento pode levar a uma outra curiosa passagem da minha vida. Perguntei certa vez a um gerente de T&D se o ano que terminava tinha sido produtivo e ele me respondeu: "Claro, professor Vianna. Tivemos 344 atividades em 828 dias, contratamos 194 professores, que foram avaliados com a média de 9,14, utilizamos 58 espaços físicos e gastamos 0,344 % de nosso faturamento. A temperatura média das salas era de 21,4 ºC". Eu me voltei estupefato e disse "parabéns, seus números são maravilhosos. Mas eu só queria saber uma coisa: "Quanto as pessoas aprenderam?" E ele retrucou: "isto eu não tenho a menor idéia". Por isso mesmo, temos que rever de maneira séria esta evolução proposta. Este mesmo gerente deveria ter me respondido: "eu fui muito efetivo e consegui melhorar 12 indicadores estratégicos de resultados de nosso negócio, em pelo menos 20% dos patamares atuais através das ações de aprendizado aplicadas e coordenadas por nossa área".

Em termos de estratégia, cabem também alguns comentários. Uma grande parte das organizações focaliza suas ações em torno do esquema tradicional da sala de aula. Apesar de ser uma tática aplicada a inúmeros casos, devemos considerar que cada vez mais o leque das ações de uma efetiva área de T&D deverá tomar por base o desenvolvimento do amor como aprendizado através da ação autônoma e voluntária que cada indivíduo formará em efetiva parceria com as organizações. Em realidade, a verdadeira fonte de aprendizado da vida está no universo e a incorporação desta mágica do mundo ao universo pessoal de cada ser humano, resultará da decisão e da ação de cada um e não do chicote ameaçador de um capataz / gerente. No máximo, precisaremos da batuta inteligente de um regente nos motivando e inspirando para a busca desta sabedoria que está à nossa disposição. Cada vez mais, com a nova tecnologia disponível, nos tornaremos grandes inspiradores, facilitadores e motivadores e deixaremos de ser agentes burocráticos de uma educação ultrapassada.

Área de Treinamento e Desenvolvimento

Estratégia Tradicional

Estratégia Competitiva

Missão

  • Educar pessoas
  • Melhorar a organização através do aprendizado contínuo, aplicado e mensurado

Objetivos

  • Cumprir orçamentos
  • Aplicar aprendizado na realidade da empresa, melhorando continuamente sua performance
  • Centro de custos
  • Centro de lucros
  • Burocrático
  • Competitivo
  • Sem vinculação com a cultura
  • Melhorando a cultura

Estratégias

  • Concentrada na sala de aula
  • Aberta para o mundo
  • Visão endógena
  • Visão exógena
    • Visitas
    • Entrevistas
    • Benchmarking
  • Não há exigência de aplicação
  • Busca aplicação em projetos
  • Não há vinculação com a avaliação de desempenho
  • Serve como indicador de desenvolvimento de carreira
  • Responsabilidade na empresa
  • Responsabilidade conjunta entre colaborador e empresa
  • Avalia os professores
  • Avalia a aplicação
  • Professores externos
  • Professores internos e externos
  • Tecnologia tradicional
  • Uso de tecnologias avançadas
  • Mudança por obrigação
  • Mudança por exemplo
  • Aprendizado Individual
  • Benefícios organizacionais
  • Cliente interno
  • Clientes internos, externos, fornecedores e comunidade
  • O indivíduo vai a sala de aula
  • A sala de aula vai até o indivíduo
MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA
PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC
 
 

 

 



 

 

 

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