Por Que Gestão De Valor Na Empresa?
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Simplesmente
porque é lá que uma parte muito significativa do valor se forma, se realiza.
Por se tratar de tema multidisciplinar e por interesse de autores considerados
como clássicos, a visão apresentada como mais freqüente aborda o tema como
sendo algo que se trata de fora da entidade. Essa abordagem decorre
predominantemente da origem do tema e da força da contabilidade financeira. No
entanto, o seu desenvolvimento tem ocorrido de maneira muito intensa, com
participações de profissionais de diferentes áreas de estudo. Senão vejamos:
o tema valor da empresa se relaciona com finanças, com comportamento,
macroeconomia, contabilidade, dentre outras áreas de estudo. Pela sua origem e,
a partir da pressão exercida pelos vários agentes externos (credores,
comunidade, fornecedores, governo e outros) essa área de estudo foi tomando
corpo, definindo seu escopo à luz de variadas fontes conceituais. No que se
refere aos gestores, ou seja, agentes internos à empresa, cada vez mais, são
cobrados pelo seu desempenho na gestão do valor. Os planos de negócios da
entidade e seu relacionamento com remuneração são formulados para que o foco
das ações sobre gerenciamento de valor seja acentuado. A mensurabilidade de
indicadores, abrangência e a clareza de seu entendimento são de grande importância
na sua definição. Devem permitir aos gestores traçar planos de longo prazo e
acompanhá-los no curto prazo a partir de uma hierarquia definida. O
desenvolvimento nessa área tem sido verificado ao longo do tempo e progressos têm
sido percebidos. Podem ser citadas as seguintes etapas percorridas ao longo do
desenvolvimento do Controle Gerencial:
1 -
Foco no volume de vendas e faturamento.
Espelhava percepção de falta de controle sobre outros elementos da atividade.
Seu referencial era a atividade comercial. Em algumas organizações, mormente
naqueles de porte não significativo, essa visão ainda é a única existente de
maneira consistente;
2 -
Foco na margem bruta e operacional.
Avanço sensível em termos de pretensão de controle sobre os elementos a
considerar, já que o controle sobre custos e despesas se torna possível e
exige uma certa estruturação contábil para que possa ser desenvolvido;
3 -
Foco no lucro líquido. A organização
passa a se preocupar com a geração de resultado para poder distribuir ao
acionista, bem como se apercebe que a estrutura de capital tem papel
significativo sobre o resultado final da operação. A estrutura contábil
necessária é mais complexa e exige maior confiabilidade dos relatórios;
4 -
Foco no retorno sobre o investimento.
Aqui se percebe uma importante guinada em decorrência da percepção de
controle não só sobre a operação, mas também sobre os recursos que tornam
viável tal operação. Notável contribuição deve ser mencionada na decomposição
da taxa de retorno, usualmente conhecida por decomposição da Du Pont;
5 -
Foco no valor. A partir desse momento,
além de se preocupar com resultado obtido pela entidade e os recursos
requeridos para as operações daí derivadas, a organização se preocupa com o
efetivo impacto sobre o valor da entidade dimensão que leva em conta variáveis
internas e externas à empresa. Tal dimensão tem nuanças de curto e longo
prazos, o que torna a abordagem ainda mais complexa de ser compreendida.
Na
verdade, todas essas contribuições não são incongruentes entre si, ou seja,
uma nova contribuição não necessariamente invalida as anteriores; ao contrário,
as contribuições podem ser vistas como cumulativas, como avanços; contudo, no
passado, o progresso nessa área foi visto como uma seqüência de rupturas em
relação às contribuições anteriores provocando uma sensação de espanto e
insegurança por parte dos usuários dessas informações já que no mundo
competitivo os gestores se vêem obrigados a perseguir as melhores soluções, o
que, normalmente, não pode ser algo a ser generalizado. No seu conjunto, devem
indicar se a organização é saudável, se está melhorando, se está estável
ou piorando nos intervalos de tempo em que ela considera adequadas as medições.
Contudo, podem proporcionar distorções ao processo decisório quando indicam
de maneira dúbia o estado da organização. O indicador financeiro de longo
prazo permite monitorar os vários elementos, servindo de elo entre o plano
estratégico e o orçamento anual. Significa dizer que a aprovação do orçamento
anual decorre de apresentar condições de atingir esse indicador. De qualquer
forma, na definição de objetivos de longo prazo, ao menos um indicador
financeiro deve ser estabelecido pelos gestores, a fim de proporcionar condições
de monitorar o desenvolvimento das operações sob a perspectiva de unificação
do entendimento dos eventos econômicos. Várias alternativas estão disponíveis
e são citadas na literatura como Dessa maneira, tanto para os acionistas como
para os gestores, é fundamental entender o tema de maneira integrada e
abrangente, levando em conta o relacionamento interno e externo que ele tem. As
questões técnicas são importantes mas o comportamento humano é que define o
tom da gestão, inclusive na gestão de valor. Como
conseqüência, qualitativamente falando-se o gestor pode não apenas entender
mas realmente atuar de maneira eficaz no estabelecimento de metas na gestão do
valor da entidade. Dessa forma, a gestão de valor deve ocorrer em função das
ações que são desenvolvidas na entidade por meio da definição do
relacionamento entre os acionistas e os gestores.
FÁBIO
FREZATTI
CONSULTOR
DO MVC
INSTITUTO
M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO
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