Quão Importante é A Liderança?
"Agora, dirigimos nossa
empresa através equipes. Eu não dirijo mais a Galileo."
William T. Hanley, Presidente
e Principal Executivo, Galileo Electro Optics Corporation
Somos os senhores do nosso próprio destino,
mas somos também os senhores do destino de nossa empresa? Afinal de contas, as
organizações têm grande estabilidade e inércia. Com o trabalho de centenas e
até mesmo de milhares de funcionários bem-afinados e bem-orquestrados em função
de um objetivo em comum, você pode realmente ter a expectativa de fazer alguma
diferença como um líder empresarial?
Um modo de responder à questão é se imaginar
recebendo um e-mail em seu escritório. Um choque completo mas agradável: um headhunter
está perguntando se você aceitaria ser nomeado como diretor esportivo da
Seleção Brasileira de futebol ou como diretor musical da Royal Opera Company,
da Grã-Bretanha. Embora você nunca tenha jogado futebol ou se apresentado em
um palco de ópera, o fax do headhunter lhe assegura que ambas as
organizações almejam suas habilidade gerenciais.
Inspirado por uma latente crise da meia-idade,
você impulsivamente diz "por que não?" Visto que as duas organizações
já contrataram seus astros mais caros para a próxima temporada, as duas têm
excelentes escritórios de apoio, e as duas têm excelente reputação para
garantir uma bilheteria segura, você se sente confiante quanto à temporada
deste ano. Em outras palavras, sua liderança nesse curto período pode, de um
modo ou de outro, não fazer muita diferença. No entanto, você está certo de
que, em um período mais longo, ela fará, e você está se perguntando ao que
ela irá levar e quanta diferença você pode realmente fazer.
Quão importante é a liderança?
Um modo de responder à questão sobre a
diferença que você pode fazer é estudar o que acontece com o preço das ações
de uma empresa quando um alto executivo é contratado ou despedido. A ascensão
e a queda abrupta de um executivo financeiro chefe da Eastman Kodak ilustram
ambos os casos.
Christopher J. Steffen foi contratado pela
Kodak, em Janeiro de 1993, para ajudar a erguer uma empresa em que os lucros e
os preços das ações haviam caído. Ele foi caracterizado como "o
cavaleiro branco, chefe de finanças, que poderia salvar a preguiçosa Eastman
Kodak", e os investidores aplaudiram sua contratação, entusiasticamente
divulgada. O preço das ações da empresa elevaram-se nos dias que seguiram à
sua contratação, agregando mais de $3 bilhões ao valor da empresa. Contudo,
em uma disputa imediata com o executivo chefe, o "homem de três bilhões
de dólares" renunciou 90 dias depois. Os investidores venderam com vigor
as ações da Kodak, fazendo com que, no dia seguinte, o valor da empresa caísse
em $1,7 bilhões. Pode parecer que, de um dia para o outro, uma única pessoa é
capaz de adicionar bilhões ao valor de uma empresa, ou subtrair dele o mesmo
tanto.
Mas você achará que esse é um modo
insatisfatório de julgar o impacto de um líder em uma organização, já que,
nesse caso, o tempo de atuação foi curto e as expectativas contaram mais do
que a performance real. Assim, voltemo-nos para uma espécie de experiência
mental. Diversos estudos pesquisaram o que acontece com a performance de uma
empresa durante os anos que se seguem à saída de um executivo chefe e à posse
de um novo CEO. Nesse caso, a performance é tomada não como as expectativas
dos investidores, mas como os resultados financeiros reais — rendimento por ação,
retorno em ativos. A medida da diferença que um CEO faz deve ser evidente no
movimento ascendente ou descendente das medições financeiras subseqüentes à
troca de comando.
Para tornar o teste mais conservador, limitamos
a análise às grandes empresas, onde se pode esperar que uma única pessoa faça
um mínimo de diferença. Consideramos também um fator de confusão que pode
falsamente inflacionar ou deflacionar esse "efeito do CEO" : se a
economia está subindo quando a sucessão ocorre, o sucessor pode receber um crédito
falso por um aumento nos ganhos da empresa; ao contrário, se a economia está
em queda, o novo CEO pode ser acusado de modo injusto. Usando métodos estatísticos
poderosos, os estudos confirmaram duas teses. Eles mostram, em primeiro lugar,
que nossos sistemas inerciais de direcionamento são muito fortes.
Aproximadamente 90% da variabilidade dos ganhos da empresa são direcionados
pela economia e pela organização, independentemente de quem ocupa a posição
de CEO.
Mas os estudos confirmam também que a pessoa
no comando faz uma diferença significativa. Um novo CEO bem-sucedido pode
elevar a performance da empresa em aproximadamente 10%; e um novo CEO
mal-sucedido pode diminuí-la em cerca de 10%. No cenário de um empreendimento
com milhares de funcionários, anos de tradição e pequenas margens de lucro, o
fato de um novo executivo chefe poder mover tais margens para cima ou para baixo
em dez pontos percentuais ilustra a diferença substancial que a liderança de
um executivo pode fazer.
Quando a Liderança é mais Importante?
Quando há maior possibilidade de a sua liderança
fazer alguma diferença? Lembramo-nos melhor dos primeiros ministros e dos
presidentes das épocas de guerra do que dos líderes dos tempos de paz, e o
mesmo é verdadeiro para os gerentes de empresas. A liderança organizacional é
mais importante em um período de tensão e incertezas.
Essa conclusão emerge de um estudo de 48
empresas presentes na Fortune 500. O professor Robert House, da Wharton,
pediu, a dois subordinados diretos dos CEOs de cada uma das empresas, para
avaliarem em que medida o CEO:
- mostrava forte confiança em si próprio e
nos outros;
- comunicava expectativas e padrões de alta
performance;
- exemplificava pessoalmente a visão, os
valores e os padrões da empresa;
- demonstrava sacrifício pessoal, determinação,
persistência e coragem.
Ele avaliou também a capacidade das empresas
de enfrentar ambientes dinâmicos, arriscados e incertos. Levando em conta o
tamanho da empresa, o setor e outros fatores, House descobriu que essas
qualidades de liderança do CEO fazem uma diferença significativa nas margens
de lucro líquido da empresa quando ela está enfrentando um ambiente altamente
incerto. Contudo, quando a empresa não está enfrentando grandes desafios,
essas qualidades de liderança fazem menos diferença.
Inúmeras implicações práticas decorrem
dessa constatação. Sua liderança é mais importante quando a direção que
você deve seguir é pouco clara. As decisões e as ações acima, ao lado e
abaixo de você também são mais importantes quando a empresa está enfrentando
forte concorrência ou precisa de redirecionamento estratégico. Infelizmente,
esses são os momentos em que o desenvolvimento da liderança é menos praticável.
Os períodos de normalidade – quando as estratégias estão funcionando e os
ganhos são altos – são, portanto, aqueles em que a liderança é melhor
desenvolvida, embora a necessidade seja menos evidente. Em resumo, construa
agora a sua liderança organizacional para os desafios que virão.
Questões para discussão : liderança eficaz
de cima e de baixo
- Quão bem as pessoas que trabalham com você
compreendem e apreciam a sua visão e a da organização?
- Em que grau os funcionários da organização
aprenderam como assumir responsabilidades e liderar?
- Os recursos e as oportunidades são acessíveis
àqueles que poderiam mover a organização para novas direções e prepará-la
para a mudança e o redirecionamento estratégico?
- Que outras atitudes são necessárias para
você preparar a si mesmo e aos outros para tomarem a iniciativa,
estabelecerem a agenda e mobilizarem seu pessoal?
- Você está preparado para defender a sua
visão, independentemente das dúvidas e dos desafios vindos de todas as
partes?
Diretor do Center for Leadership and
Change Management, The Wharton School
|