Remuneração Ou Renumeração
Remuneração
ou Renumeração
Se
você for ao supermercado, pedir um quilo de carne e depois, em sua casa,
descobrir que recebeu só 900 gramas, de quem é a culpa? É do açougueiro que
errou ao pesar, ou da balança do supermercado (assumindo que esta esteja
aferida)? Se a balança estiver
funcionando bem, o erro deveria ser atribuído à pessoa que pesou a mercadoria.
Essa
analogia serve para esclarecer uma questão controversa na área da administração
de cargos e salários.
Por
não ter habilidade de gestão nessa área extremamente sensível e sujeita a
todo tipo de manipulação, muitas empresas acabam dando razão aos críticos
dos sistemas de administração salarial.
Um
sistema de administração salarial é como a balança da analogia acima.
Por
exemplo, um sistema de mensuração de cargos pode dizer que determinado cargo,
num determinado mercado, para determinada empresa, vale R$1.000,00.
Se essa empresa resolve pagar R$1.500,00 ou R$500,00 para o seu ocupante,
é uma decisão de gestão. Se a
empresa resolve entregar esse cargo a uma pessoa que não tenha aptidão, estilo
ou perfil para ocupar o cargo, é outra decisão de gestão.
O
sistema de administração salarial, como a balança do supermercado, funciona
como um guia. Dependendo da habilidade dos usuários desse guia, as decisões
tomadas pela empresa nessa área podem resultar numa contribuição expressiva
à última linha do balanço. Se
esses mesmos usuários utilizarem o sistema de administração salarial de forma
política, para manipular pessoas e salários, é claro que a influencia no
resultado do fim do ano fiscal será exatamente o oposto.
Infelizmente,
esse prejuízo causado pela má utilização do sistema de administração
salarial é difícil de ser segregado num demonstrativo financeiro. A empresa
pode facilmente encontrar muitas explicações para o seu resultado. Poucas
empresas terão coragem para reconhecer e atacar o problema que se encontra à
sua mão e dentro do seu controle.
Questões
de pessoal são complexas e envolvem decisões em outras áreas, além da
administração salarial. A questão
da filosofia de gestão pode ser citada como um exemplo. Apenas uma minoria das
empresas pode se gabar de que sua filosofia de gestão privilegia a
“meritocracia”. Uma
meritocracia pura é utopia, mas há empresas em que sua filosofia de
recompensas (incluindo o sistema de remuneração) favorece um bom desempenho
profissional.
A
falta de conhecimentos é a causa principal da pouca sensibilidade e habilidade
nas decisões de administração de cargos e salários.
As pessoas que tomam essas decisões geralmente pertencem ao alto escalão
hierárquico, são Diretores, Presidentes, que tomam decisões baseadas em sua
percepção pessoal.
O
perigo, e a causa dos prejuízos, ocorre quando uma decisão é claramente
percebida pelo resto da organização como legitimamente questionável, isto é,
quando o salário está claramente errado (para cima ou para baixo), ou quando a
pessoa não é a mais indicada para o cargo.
Como
uma organização é um ambiente humano, extremamente sensível a padrões de
comportamento estabelecidos pela alta cúpula, uma decisão errada pode abrir
precedente para que outros diretores e gerentes tomem decisões baseadas no
mesmo “princípio oculto” da decisão errada.
Uma
manipulação incentiva outra manipulação.
Isso gera a famigerada situação em que muitas pessoas acabam ficando
“com o rabo preso”. Como muitos
têm culpa no cartório, começa então a existir o famoso “um livra a cara do
outro” e institui-se um hábito que, mais cedo ou mais tarde, fará parte da
cultura da empresa. Depois de certo
tempo, com a multiplicação de manipulações, adivinhe quem sai perdendo?
Se você pensou na empresa como um todo, seus proprietários e funcionários,
acertou.
Uma
saída para a diretoria da empresa é, além de ter um sistema confiável de
administração salarial, instituir uma política e filosofia de gestão que
privilegie a meritocracia. Como o
exemplo vem de cima, é necessário não só divulgar, mas viver pelos princípios
que são divulgados.
É
impressionante como muitas vezes um diretor aceita que a empresa tenha centenas
de milhares e até milhões de reais de prejuízo todo ano, apenas para garantir
a posição de um “protegido” num cargo para o qual ele não está
preparado.
Nas
empresas que já utilizam sistemas de administração salarial, a mudança de hábitos
e padrões decisórios nessa área pode ser difícil.
Um bom diagnóstico da situação atual, para identificar por onde começar,
pode ser interessante. O resultado dessa análise poderá abrir caminho para um
plano de ação fulminante visando a mudar hábitos decisórios indesejados.
Em
empresas com hábitos arraigados, as mudanças necessárias estão relacionadas
a comportamentos e atitudes, e não a sistemas, processos ou estruturas.
Por
exemplo, quando se lê nos jornais que uma grande empresa está fazendo uma
reestruturação organizacional, elaborando um novo organograma, pode-se esperar
que nada vai mudar nessa empresa. No nosso caso, mudar o sistema de administração
salarial só trará benefícios se mudar a filosofia de administração salarial
da empresa. Caso contrário, será apenas uma renumeração de cargos e
salários, como dizem os críticos.
Para
as empresas que precisam se organizar nessa área, é importante começar com o
pé direito. Introduzir um sistema
bem calibrado, definindo políticas e procedimentos que privilegiem o
reconhecimento do bom desempenho e incentivem o desenvolvimento profissional de
seus funcionários, pode ser um bom começo.
A
administração salarial oferece um potencial enorme de benefícios para a
empresa. A remuneração pode
funcionar como uma alavanca estratégica para melhorar os seus resultados.
Se
a empresa tiver uma estratégia de negócios bem definida, terá um grande número
de opções para alinhar sua remuneração com essa estratégia de negócios. Se
os objetivos da empresa não estiverem claros para os funcionários, então a
empresa deveria primeiro tentar elaborar um plano geral de ação e depois
alinhar a ele sua estratégia de remuneração.
Vanderlei Silva é consultor, especializado em ajudar empresas a selecionar, organizar, remunerar, incentivar e melhorar o desempenho de seus profissionais. Para contatá-lo, envie e-mail para vsilva@promerito.com.br ou ligue para 31-3285-0120, em Belo Horizonte,MG. |