Risco De Desempenho Humano
Risco
de Desempenho Humano
Este
artigo pode interessar, principalmente, a:
Diretores
e gerentes comerciais de bancos
Diretores e gerentes comerciais de empresas
Herdeiros de empresas familiares
Presidentes e diretores em geral
Profissionais de recursos humanos
Entre
os riscos mais comentados e comuns estão: risco de inadimplência, risco de crédito,
risco de mercado, risco sistêmico, risco país etc.
Neste
artigo, gostaria de sugerir uma análise de outro tipo de risco, que pode ser útil,
tanto como subsídio para programas de Treinamento e Desenvolvimento Gerencial,
quanto para avaliação de potenciais parceiros de negócios: o risco de
desempenho humano.
Algumas
utilidades da análise do risco de desempenho humano para a gestão de uma
empresa são:
-
Garantir
o potencial de crescimento do lucro e do valor patrimonial da empresa.
-
Garantir
um contínuo rejuvenescimento da empresa.
-
Manter
a unidade e harmonia no comando do negócio.
-
Evitar
futuras dores de cabeça.
Como
avaliar o risco de desempenho humano numa empresa?
Essa
avaliação pode ser feita por meio da análise do perfil dos principais
executivos, aqueles que detêm maior parcela de poder no comando da empresa. Uma
análise dos perfis do primeiro e segundo escalões é suficiente para se prever
potenciais problemas de deterioração do desempenho econômico da empresa, em
função do desempenho dos seus dirigentes.
A
análise do risco de desempenho humano vai revelar a real vocação da empresa e
seu atual potencial de produzir resultados econômicos positivos. Vejamos um
exemplo prático para ilustrar as possibilidades dessa análise.
Uma
aplicação prática da habilidade de analisar o risco de desempenho humano
Um
banco ou empresa que esteja concedendo crédito de valor elevado a uma empresa
cliente, além das análises de praxe, que poderíamos chamar de “histórico
de desempenho da empresa”, poderia também fazer uma análise do “histórico
de desempenho do executivo principal da empresa” (ou da alta direção da
empresa). Na maioria dos casos,
essa análise pode ser relativamente fácil de ser feita, dependendo da
profundidade desejada.
Muitos
gerentes de banco já fazem uma parte dessa análise, ao visitar a empresa
cliente e tentar “sentir no ar” alguma coisa que possa denotar
comprometimento da saúde futura da empresa. Como a percepção do gerente se
transforma em informação útil para o processo de concessão de crédito vai
depender da habilidade pessoal e qualidade do julgamento do gerente.
A
análise do “risco de desempenho humano” pode ser uma seqüência dessa
linha de raciocínio.
Entrevistas
informais com os principais executivos da empresa podem dar pistas sobre o
futuro desempenho da empresa.
Vejamos
alguns pontos que poderiam ser investigados.
O
ponto mais importante, na maioria dos casos, será descobrir qual é o perfil do
principal executivo da empresa. No contexto desse artigo, principal executivo da
empresa significa a pessoa que tem, no mais alto grau, poder e influência nos
destinos da organização, independe do título do seu cargo e até da sua
presença física no dia-a-dia da empresa.
Qual
a área de origem do principal executivo atual da empresa?
A
resposta a essa pergunta pode indicar se esse executivo “tem no sangue” o
negócio da empresa, se ele tem um desejo genuíno de fazer o negócio
prosperar, de criar riquezas (e capacidade de pagar o empréstimo). A resposta
pode também revelar se ele apenas tem o desejo de se manter no controle e
“desfrutar” de uma boa situação econômico-financeira e de um bom
posicionamento da empresa no mercado, condições geralmente criadas por seu
antecessor ou antecessores no cargo.
Se
o principal executivo veio de uma área do tipo “linha de frente” (vendas,
marketing etc), e teve um histórico de desempenho nessas áreas que o
credencie, já passou nesse primeiro requisito.
Temos aqui um indicador de que o executivo pode ter perfil de
empreendedor, condição sine qua non para garantir a vitalidade futura
da empresa.
Se
esse principal executivo veio de uma área administrativa, mesmo com bom histórico
de desempenho nessas atividades, já é um sinal de alerta.
Ele pode ter o perfil de “administrador”, de pessoa que tem gosto por
controles, processos, análises, organização etc.
Embora essas sejam atividades imprescindíveis para manter a “casa em
ordem”, são tarefas que exigem um perfil diferente daquele exigido pelo cargo
de principal executivo.
Mesmo
um Diretor Financeiro não produz lucro operacional, aquele lucro que vem das
atividades fins da empresa. Quem
produz este lucro é quem está na linha de frente: Vendas, Marketing ou
atividades que tenham a ver com o mercado e o produto da empresa.
É
claro que todos na empresa, desde a recepcionista, contribuem para esse lucro.
O que quero dizer aqui é que, sem um executivo que seja o principal
responsável e iniciador de ações para desenvolver os negócios, mesmo uma
excelente equipe não consegue produzir resultados de destaque.
Se
você achou que essa primeira pergunta não quer dizer nada, então vamos tentar
uma segunda pergunta para descobrir pistas sobre a vitalidade futura da empresa:
Com
quem o principal executivo passa a maior parte do seu tempo, dentro da empresa?
Se
for com o pessoal da linha de frente, ótimo.
É um outro bom sinal. Se
for com o pessoal da área financeira, contábil, ou de recursos humanos, por
exemplo, temos aqui outro sinal de alerta.
Atividades administrativas não produzem o “lucro operacional” necessário
para o desenvolvimento e crescimento da empresa.
Mesmo
que o executivo principal seja oriundo de uma área administrativa, ele ainda
pode ser um excelente dirigente. Mesmo que ele não tenha o perfil de linha de
frente dos negócios, ele ainda pode se sair bem como principal executivo.
Basta que ele tenha na equipe da alta direção alguém que tenha esse
perfil de visionário, empreendedor, arrojado. E que essa pessoa tenha liberdade
e apoio para desenvolver seu trabalho.
As
duas perguntas acima são apenas uma dica inicial para se avaliar a qualidade da
gestão da empresa. A idéia é ir
afunilando os assuntos abordados, com o objetivo de descobrir qual o verdadeiro
estilo do principal executivo.
A
seguir estão mais alguns exemplos de perguntas com o objetivo de identificar o
perfil do principal executivo e o potencial de desempenho da alta administração
de uma empresa:
-
O
principal executivo mostra disposição para assumir riscos?
-
Ele
pode ser considerado um visionário?
-
Suas
ações revelam que ele tem vocação para iniciar mudanças, ou para manter
o status quo?
-
Como
ele trata as pessoas criativas e empreendedoras dentro da empresa?
-
O
que a empresa tem feito de novo, em relação a seus produtos e ao mercado?
-
Qual
o horizonte de planejamento da empresa?
-
Quando
ocorreu a última mudança no alto escalão da empresa?
-
Qual
o perfil dos últimos executivos contratados?
-
Os
executivos do alto escalão têm perfis complementares, isto é, têm
estilos diferentes que potencializam o desempenho uns dos outros?
-
Os
executivos do alto escalão trabalham como “vasos comunicantes” ou como
“compartimentos estanques”?
-
O
executivo principal está mais para diplomata ou para desagregador de
equipes?
-
Há
quanto tempo o executivo principal está nessa posição?
O
analista deve também prestar atenção a outros fatores circunstanciais que
podem contribuir para a qualidade do resultado da análise. Problemas de sucessão,
iminentes acordos societários, por exemplo, podem significar mudanças
repentinas e dramáticas nos destinos da organização.
Seguindo
nessa linha de raciocínio, as pessoas que têm contato direto com as empresas
tomadoras de empréstimos, ou potenciais parceiros de negócios, podem
desenvolver essas habilidades de análise do risco de desempenho humano e evitar
que suas organizações embarquem em “canoas furadas”.
Um
aprofundamento da análise do risco de desempenho humano dará subsídios
importantes para se prever o que poderá ocorrer na empresa nos próximos cinco
ou dez anos. Há possibilidade de
ser vendida? Poderá ter uma nova equipe de dirigentes? Está condenada a
vegetar? Há possibilidade de falir?
São
perguntas interessantes para empresas que pretendem fazer negócios ou
estabelecer parcerias com outras empresas.
No
Brasil há muitos exemplos de empresários de sucesso que não conseguiram
institucionalizar em suas empresas aquelas suas qualidades e habilidades
pessoais que foram as responsáveis pelo sucesso de seus empreendimentos. Para
citar um exemplo fácil de ser lembrado, quantas empresas brasileiras do ramo
alimentício não foram vendidas para multinacionais, por motivos que podem ser
resumidos em “falta de perspectivas de continuidade gerencial no alto escalão”?
A
análise do risco de desempenho humano, quando feita nas diversas áreas da
empresa, pode mostrar o grau de sinergia e de entrosamento entre os diversos
departamentos, identificando oportunidades para ajustes ou sintonia fina na
forma de trabalhar dos gerentes e diretores, tanto individualmente quanto como
conjunto.
Vanderlei Silva é consultor, especializado em ajudar empresas a selecionar, organizar, remunerar, incentivar e melhorar o desempenho de seus profissionais. Para contatá-lo, envie e-mail para vsilva@promerito.com.br ou ligue para 31-3285-0120, em Belo Horizonte,MG. |