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Sua empresa está cheia de pernas de pau?

Sua empresa está cheia de pernas de pau?

Quem entra na sua empresa? Quem faz parte do seu time? Estas perguntas são simples e teoricamente fáceis de responder, mas qualquer questionamento um pouco mais sério vai mostrar que existem falhas gritantes nos processos de recrutamento e seleção na imensa maioria das empresas. É uma coisa pouco comentada, mas que certamente existe.
Comecei a prestar atenção nisso nas constantes viagens que faço para dar treinamentos e palestras para vendedores e representantes. Comecei a reparar que, dentro do grupo, tem sempre uma parcela de profissionais que certamente não deveriam estar ali. Têm péssimos resultados, péssima atitude, estão desmotivados e parecem odiar o que fazem. Ganham mal e reclamam de tudo. Seus gerentes sabem disso, mas nada é feito. Porque? Porque esses incompetentes ainda estão ali?
Em qualquer empresa, existem sempre um ou dois profissionais que vendem entre 5 e 30 vezes mais do que a média. Se a empresa tivesse mais dois ou três desses supervendedores, podia mandar todo o resto da equipe embora. Como não tem, enche lingüiça com o resto.
Aliás, a maioria das empresas não sabe nem quais são as características profissionais e psicológicas de seus melhores vendedores. Então não é de se estranhar que não consigam recrutar mais supervendedores – é difícil achar alguma coisa quando você não sabe o que está procurando.
A grande vantagem competitiva hoje em dia não está mais em ter idéias, mas sim em colocar esse conhecimento em prática. E tem gente que na prática não está fazendo absolutamente nada. Pior – está ocupando um lugar que poderia ser ocupado por alguém que traria muitos mais resultados.
Muitas vezes são profissionais antigos, que foram ficando, e a empresa tem medo da confusão que pode ser criada (perda de clientes, problemas trabalhistas, etc.). Outras vezes, é por falta de opção – dizem que é difícil achar um profissional qualificado (pelo menos é o que dizem).
Mas muitas vezes é por preguiça mesmo – todo mundo concorda que o recrutamento e seleção é importante, mas na prática nada é feito. E continua tudo igual. É muito fácil ficar tendo discussões teóricas intermináveis – mas para fazer alguma coisa você tem que ... fazer alguma coisa! Não adianta ficar discutindo, nem participando de reuniões. Tem que fazer!
Falar sobre uma coisa não é fazer. Planejar não é fazer. Fazer um relatório, por mais bonito que seja, cheio de gráficos coloridos e tal, não é fazer. Até mesmo decidir fazer não é fazer. Tem que fazer!
A coisa mais importante que existe numa receita são os ingredientes. A coisa mais importante numa máquina são suas peças. A coisa mais importante de uma seleção são seus jogadores. A coisa mais importante da sua empresa são as pessoas que trabalham ali. E como eles são escolhidos?
Como é feito o recrutamento e seleção na sua empresa? Não apenas de vendedores, que são obviamente importantes, já que são eles que vão lidar diretamente com clientes, mas de todos os funcionários da empresa?
O que tenho visto freqüentemente é o que chamo de Síndrome do Bingo Classificado, onde um anúncio é feito no jornal da cidade, dezenas de candidatos aparecem, uma pessoa completamente despreparada faz a análise superficial para filtrar os candidatos, e um diretor ou gerente entrevista o pessoal, usando e abusando de todos os preconceitos que inevitavelmente carregamos.
Como resultado temos um método que parece uma loteria – às vezes dá para gritar bingo, mas é mais sorte do que juízo. E o pior é que é um método burro, porque quando dá certo é sorte, e mesmo quando se contrata errado não se aprende nada com isso, e o erro torna a se repetir. É ou não é?
Recentemente, estive numa empresa que teve uma rotatividade de 300 vendedores só neste ano. Imagine o custo disso, tanto em termos financeiros, quanto de mal atendimento a clientes e imagem no mercado.
Mesmo que o número seja menor na sua empresa, não importa: qualquer pessoa que entrar deveria passar por uma avaliação formal, com testes, psicólogos, etc. Algumas pessoas acham que é caro. Caro mesmo é a ignorância.
Não vou recomendar um sistema, um teste, uma empresa de Recursos Humanos – acho que cada realidade é diferente, e essa história de fórmula mágica serve bem para horóscopo, não para empresários como nós. Gostaria apenas de reforçar o conceito: se a sua empresa ainda não o faz, é necessário urgentemente que o processo de recrutamento e seleção seja formalizado.
Contrate um consultor (ou consultora – nessa área tem muitas psicólogas) para ajudá-lo a criar um processo inteligente, que permita filtrar os melhores candidatos, aprendendo com eles para melhorar cada vez mais o nível da equipe. Mas de forma organizada – nada de bingo nos classificados.
Principalmente, tem que parar de falar sobre o assunto e realmente fazer alguma coisa: toda a inteligência e planejamento de nada servem se a sua equipe depois não consegue executar, certo? Faça todos os cálculos, seja honesto com você vai acabar concordando que caro mesmo é o custo da ignorância. Resolva logo esse problema e você vai ver como sua vida vai melhorar.

Raúl Candeloro,
Autor dos livros Venda Mais e Negócio Fechado,
é palestrante e editor da revista Venda Mais® e responsável pelo site VendaMais®
www.vendamais.com.br  , www.raulcandeloro.com.br  ,  candelo@zaz.com.br

 

 



 

 

 

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