Trabalho é Castigo Ou Prazer?
TRABALHO É CASTIGO OU PRAZER?
“Goste do que faz para não
precisar trabalhar”
Ditado indiano
É impressionante como a gente
tem uma relação dúbia com o trabalho. Ele pode ser encarado como fonte de
crescimento e realização, mas também como fonte de castigo e sofrimento.
Inclusive, na nossa cultura, algumas expressões reforçam isto, “vou para a
guerra”, “amanhã é dia de ir à luta”, “sustento minha família com o
suor do meu rosto”. A própria origem do termo trabalho confirma isso, pois
veio de “tribalium”, um instrumento de castigo medieval.
É como se a gente tivesse que trabalhar em
nossa vida adulta, até se aposentar por alivio, sem usar a cabeça. Será por
isso que o pessoal é também chamado de mão-de- obra? Muitos, então, agem
automaticamente. Será que são as pessoas que muitas vezes tomam o lugar dos
robôs, ao contrário do que acreditamos?
Na minha experiência profissional,
desenvolvendo programas de treinamento e consultoria nos mais variados segmentos
empresariais, observo que esta dubiedade passa pelo trinômio ‘modelo de gestão,
estilo de liderança e perfil profissional’.
Líderes autoritários do tipo “manda quem
pode, obedece quem tem juízo” tendem a produzir profissionais submissos, onde
o medo de errar se sobrepõe à criatividade e onde procedimentos formais e
burocráticos eliminam qualquer forma de participação. Em ambientes assim, as
pessoas acabam tendo uma relação trágica com o trabalho, que é visto com
sofrida ansiedade domingo à noite. É quando dizemos “hoje dá seis horas mas
não dá cinco”.
Existe uma componente psicológica e
denunciadora muito interessante em relação ao tempo. Quando estamos fazendo
algo maçante ou sem participação, o tempo não passa, mas se estamos
comprometidos, tudo acontece muito rápido.
Sou absolutamente apaixonado pelo brasileiro,
um povo que apesar de todas as carências estruturais, sempre me encanta pela
sua capacidade de superação, pelo seu enorme poder criativo e pela sua genuína
alegria de viver. Exemplos como o da Escola de Samba no Rio de Janeiro e das
organizações multinacionais que têm na filial brasileira a maior
produtividade, comprovam esta tese. Sem falar nas emprEUsas, ou seja, pessoas
que conseguem trabalho sem ter emprego.
Mas, para que isso aconteça cada vez com mais
freqüência, precisamos ensinar os nossos colaboradores a sambar no ritmo da
auto-realização e do prazer de produzir e ser útil. Precisamos de uma nova
ordem social nas organizações e de gestores mais humanos e participativos,
onde todos se sintam co-responsáveis pelo que fazem.
Temos que ampliar nossa qualidade, gerar
empregos e resgatar a alegria de trabalhar, para que nossas empresas não dancem
neste mundo cada vez mais competitivo e globalizado. Temos que gostar do que
fazemos para não precisarmos trabalhar, assim como faz nosso ídolo Ronaldinho
Gaúcho que leva o seu trabalho muito a sério, mas que joga sorrindo e, quando
acaba um jogo, deve pensar “eu estava trabalhando”?
Fonte: Victoriano Garrido Filho
Diretor de Educação Corporativa da ABRH-BA
vgarrido@terra.com.br
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