Treinamento com foco em resultados (Simulador de Guerra)
O Simulador
de Guerra Treinamento com Foco em Resultados
Cena 1
São 8 horas da manhã e os vendedores estão
chegando para o treinamento. Nada convencional, eles são recebidos por soldados
com metralhadoras em punho e no ambiente externo ao treinamento, um cenário de
"guerra" decora aquilo que será uma batalha para os treinandos
naquele dia. Arame farpado, sinalizações de minas espalhadas pelo chão, uma réplica
de um tanque de guerra, uma sirene toca a cada 5 minutos. A sala é decorada com
motivos de uma verdadeira guerra e um telão apresenta cenas de batalhas e de
comerciais de produtos da empresa e dos concorrentes. Na sala de aula (ou sala
de guerra), surpresa! Produtos da concorrência entre os produtos que a empresa
comercializa no mercado. Vai começar o treinamento.
Cena 2
De Segunda a quinta, às
14 horas reúnem-se na "sala de guerra" mecânicos, operadores,
administradores e executivos de grande empresa do segmento de produtos
hospitalares e ortopédicos para discutir as metas, o fluxo de caixa, a inadimplência
de clientes e informações estratégicas da companhia. Daí, saem as decisões
importantes. Resultado: 8 prêmios Top Hospitalar, numa pesquisa de preferência
por produtos hospitalares que envolveu 7.500 estabelecimentos no país. Projeta
para este ano uma receita 25% maior que 1998 e espera aumentar em 50% sua geração
de caixa. É líder de mercado com 60% de market share e vem abrindo
fronteiras no Exterior. "Criatividade, motivação e treinamento foram os
elos poderosos da nova realidade da Empresa", afirmou um membro do comitê
executivo numa matéria para a revista Empreendedor (Editora Empreendedor) de
abril deste ano. www.empreendedor.com.br
O que tem em
comum as duas cenas anteriores? Quase tudo, se uma delas não fosse fictícia. A
cena 1 é fruto de nossa inesgotável capacidade criativa. E a cena 2 é real.
Mas em todo
caso, consideremos que a cena 1 está ocorrendo em algum lugar e é provável
que esteja mesmo. Com essa história de globalização, enquanto nós dormimos
os japoneses estão fazendo exatamente isto... Se preparando para a guerra
comercial. Portanto, o que era ficção virou realidade. Existem empresas
preparando seus funcionários para o combate empresarial, utilizando táticas de
guerrilha e muita munição informacional disponível no mercado.
Você pergunta:
- Como? Simples! Compre um produto ou serviço concorrente, prove, comprove,
compare com o seu, descubra os pontos fortes e fracos, compare-os, consulte a
internet, converse com o boy (ainda existe este cargo nas empresas?), vá até o
ponto de venda e descubra porque o consumidor escolheu o seu produto ou do
concorrente, fique ligado nas pesquisas de consumo, de opinião, de mídias, nas
revistas, nos jornais, em catálogos, nos congressos e seminários, nas
palestras, nas feiras e exposições (um bom lugar para obter informação de
concorrentes). Enfim, pense um pouco! Não é necessário espionagem, grampo ou
coisa do gênero. As informações estão disponíveis, em muitos casos
gratuitas, e não pense que é antiético fazer isso. Quando o técnico da seleção
brasileira vai assistir a uma partida do próximo adversário, é uma atitude
antiética? Não. É estratégica. Portanto, as informações estão aí.
Procure-as e acharás.
Você deve
estar pensando que este texto foi escrito para um profissional de marketing e
que está na revista errada. Engano! Foi escrito para profissionais de recursos
humanos e treinamento que, vez por outra, frustram-se com a pouca contribuição
da área para "os negócios da companhia":
Com as informações
colhidas e conhecendo os seus "soldados" é hora de elaborar a estratégia
de treinamento. Depois dela, aí sim, vamos montar o programa de treinamento e
qualificar o pessoal para enfrentar os concorrentes "armados até os
dentes" (se você não estiver, alguém que atua no seu mercado estará).
Desenvolver uma
estratégia de treinamento passa pelo reconhecimento das metas e de como vamos
incendiar as pessoas para atingi-las. Se você me perguntasse hoje qual é a
palavra-chave que anda rolando na "boca das empresas", eu diria: -
VENDER. Sempre foi assim mas hoje, nestes tempos bicudos, mais ainda. Para obter
êxito, vincule o programa de treinamento a um programa de incentivo viável e
atingível. É importante frisar isto, porque muitos programas de incentivo
fracassam até mesmo antes de começar. É que o pessoal (que de bobo não tem
nada!) percebe que é inatingível. A motivação vai pro saco!
O treinamento
deve estar vinculado a uma meta, a meta deve justificar a ação de treinamento
e o treinamento deve incentivar a conquista do resultado esperado. Todo
treinamento deve incentivar a adoção de uma nova atitude, uma nova habilidade
ou um novo conhecimento a ser aplicado no trabalho e o treinamento deve agregar
algum valor ao negócio. Caso contrário, não faça treinamento. Vai desperdiçar
tempo, dinheiro e aumentar sua frustração.
Uma aproximação
estratégica com a área comercial é um bom começo para aqueles que desejam
medir resultados em treinamento. Quando você ouvir aquela frase da diretoria: -
Precisamos aumentar nossas vendas. - Opa! - E aí que eu entro! Coloque um
capacete de soldado, uma metralhadora (de brinquedo!) e entre em cena. Parece
brincadeira mas não é! Estou envolvido com um trabalho onde comparamos
produtos concorrentes e esgotamos todos os argumentos e objeções em vendas. O
treinamento é um verdadeiro simulador de guerra. As pessoas saem fortalecidas e
encorajadas quando dispõe das informações, do conhecimento e das habilidades
na medida certa. A atitude vencedora é conseqüência do estímulo positivo
oferecido.
Agora, que tal
montar uma sala de guerra em sua empresa e começar a criar uma cultura de
treinamento focada em resultados? Como exercício, comece pela área comercial e
aos poucos vá incrementado para outros departamentos da empresa, até que você
consiga medir resultados em programas de difícil tangibilidade como trabalho em
equipe, motivação, lealdade, comprometimento etc. Em breve a sua "War
Room" transformar-se-á no QG estratégico da empresa. Decisões
importantes serão tomadas lá! E melhor, você poderá estar participando
ativamente!
Nota de
interesse estratégico:
Os alunos de pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing –
ESPM - exercitam a sala de guerra numa das cadeiras da Escola. Pergunto:
Será que um destes alunos não está trabalhando no seu concorrente?
Mais uma
pergunta: Você ainda acha que este artigo é dirigido para profissionais
de marketing?
©
julho de 1999. Dermeval Franco. Administrador e Consultor da Danton Velloso
& Consultores Associados – SP. Permitida
a reprodução total ou parcial desde que citada a fonte. Para opiniões, sugestões
e contribuições sobre o tema ligue (011) 457-1702 ou (011) 9178-0559 e-mail: dfranco@hitnet.com.br |