VENDAS CONSULTIVAS (Você sabe mesmo o que é isso?)
VENDAS
CONSULTIVAS (Você sabe mesmo o que é isso?)
Nos nossos trabalhos de treinamento e
consultoria, constantemente nos deparamos com empresas usando indevidamente
determinada terminologia para demonstrar sua forma de atuação no mercado. Na
área de vendas está se tornando cada vez mais comum ouvir os gestores dizerem
que suas equipes praticam a venda consultiva, quando na verdade o que esses
vendedores continuam a fazer é a velha venda baseada em análise de
necessidades ou então, o que é um pouco pior, ainda praticam a venda baseada
no conhecido modelo Estímulo X Resposta.
Visando evitar que você seja pego usando indevidamente uma terminologia
– e, obviamente, preocupados em evitar que alguns façam isso por má fé e não
por ignorância – nos propomos neste artigo a conceituar o que efetivamente é
a venda consultiva.
Para facilitar o nosso trabalho – e a sua compreensão – analisemos como vem
evoluindo o raciocínio e a prática comercial nos últimos anos.
1. A
Venda Estímulo X Resposta
Como já tivemos a oportunidade de discutir em artigos anteriores, até um
passado mais ou menos recente o mercado vivia uma situação em que a oferta era
menor do que a demanda. Neste tipo de situação, a venda acontece sem grandes
esforços por parte de quem detém a oferta, uma vez que existe um grande número
de pessoas interessadas em comprar seus produtos e serviços.
Neste tipo de mercado, se o vendedor diz as coisas certas (estímulos), o
comprador responde com atitudes de compra (respostas). Questões relacionadas à
dificuldade de aceitação, ceticismo, indiferença e mesmo objeções raramente
interferem no processo. Neste tipo de venda, a ênfase dá-se integralmente no
produto e não nas necessidades do cliente.
Comumente os vendedores deste tipo de empresa são chamados de tiradores de
pedidos, uma vez que sua aplicação dá-se, normalmente, em torno de produtos
simples, que apresentem ciclos de vendas curtos e para os quais a quantidade é
mais importante do que a qualidade.
Um mercado que geralmente apresenta condições para esse tipo de abordagem é o
de commodities agrícolas.
2.
A Venda por Análise de Necessidades
Na medida em que o consumidor passa a se deparar com um número maior de opções
para satisfazer suas necessidades e desejos, é natural que passe a exigir de
seus fornecedores uma atenção maior às suas demandas. Neste tipo de mercado,
é comum que as organizações já tenham compreendido que não basta oferecer
produtos e serviços ao mercado para que a demanda se materialize (lembre-se de
que já houve uma escola econômica que defendia a idéia de que a oferta gera
sua própria demanda).
Nessas empresas já existe preocupação com o mercado e com o cliente. A prática
da venda por análise de necessidades pressupõe que os clientes preferirão as
ofertas mais bem concebidas em torno da sua necessidade ou desejo. Dessa forma,
as empresas praticantes da venda por análise de necessidades preparam-se para
atender as demandas do mercado melhor do que a concorrência. Essa preparação
normalmente se dá através de investimentos significativos numa área técnica
capaz de produzir soluções para “qualquer” necessidade que o cliente
apresente. Um pressuposto é que o cliente não se incomodará de pagar mais
caro se a solução de fato lhe aprouver.
É fácil perceber que essa é uma forma passiva de lidar com o cliente. Nos
preparamos e ficamos esperando que ele venha e nos conte o que quer. Depois de tê-lo
ouvido é que vamos nos mobilizar para tentar oferecer uma solução ANTES da
concorrência (uma vez que é óbvio que ele não se limita a contar seu
problema só para nós); ou então MELHOR que a concorrência (uma vez que o sol
nasceu para todos e nossos concorrentes não vão ficar parados esperando que nós
nos mexamos) ou MAIS BARATA que a concorrência (o que nos empurra para
programas de Cost Down).
Esta prática traz como vantagens o fato de focalizar o comprador e não o
produto, implicando maior participação do cliente. Contudo, exige mais
tempo para o fechamento da venda e vendedores mais competentes, com bons
conhecimentos sobre o produto e como ele pode satisfazer as necessidades do
cliente.
3.
Venda Consultiva
A venda consultiva, por sua vez, representa uma evolução lógica da abordagem
de análise de necessidades. Agora, o vendedor assume uma postura ativa na relação
comercial. Não basta analisar as necessidades do cliente, porque este, muitas
vezes, pode não saber exatamente qual a melhor solução para seu problema.
Este papel cabe ao vendedor, que deve conhecer a empresa e o mercado em que atua
o cliente tão bem, ou melhor do que ele. Deve questionar as necessidades
apresentadas e ajudar o cliente a identificar aquelas que ainda estão ocultas.
As empresas que atuam com base na venda consultiva não vendem soluções que
sejam simplesmente melhores que as ofertas dos concorrentes. Vendem A SOLUÇÃO
DOS PROBLEMAS atuais e futuros do cliente.
Ao vendedor é exigido que seja altamente qualificado, tenha grandes
conhecimentos gerais e de produto, capacidade de dialogar e questionar o cliente
em busca das reais necessidades e pleno conhecimento da situação do cliente.
Ao mostrar-se como parceiro do cliente, o vendedor desenvolve com o cliente uma
relação de grande confiança e, principalmente, duradoura.
Esta abordagem é realmente focada no comprador, visando construir um
relacionamento efetivo e duradouro, de modo que o cliente perceba o quanto a
empresa é comprometida com seu sucesso. O objetivo é fidelizar o cliente, que
sempre terá a empresa – e o vendedor – como primeira opção de compra.
Se você, leitor, quiser saber qual o estágio em que se encontra sua
organização, entre em contato conosco. Teremos prazer em lhe enviar um
questionário para ser preenchido pela área comercial de sua empresa. Baseados
em suas respostas, enviaremos um diagnóstico da sua situação atual e uma
proposta de eventuais ações de T&D que poderão otimizar a performance da
sua equipe.
Obs. : Material do programa Vendas
Consultivas, Negociação e Vendas Consultivas
João Baptista Vilhena,
Consultor do MVC - Instituto MVC
www.guiarh.com.br/mvc.htm |