VOCÊ JÁ FEZ ALGUÉM SENTIR-SE IMPORTANTE HOJE?
VOCÊ
JÁ FEZ ALGUÉM SENTIR-SE IMPORTANTE HOJE?
Uma das maiores motivações
humanas é saber-se importante.
Não
me refiro àquela “importância” dos abastados e poderosos. Essa é fútil,
porque se impõe pela riqueza ou pelo poder – e acaba quando essas coisas
acabam.
Refiro-me
à importância imaterial da sua
utilidade, do seu valor pessoal, da qualidade da sua essência e da sua existência.
Aquela que é construída pelo Ser
e não pelo Ter.
Essa importância é que é verdadeiramente importante, porque o Ser é perene e
o Ter é passageiro.
Quer
um exemplo? Lembre das pessoas que tiveram mais importância na sua vida. Você
descobrirá que muitas delas foram, simples, humildes, modestas – mas
tremendamente valiosas pelo que lhe ensinaram de bom, pelas marcas e mensagens
positivas que deixaram em você. Tantos anos já podem ter se passado, mas a
importância delas para você continua presente até hoje.
Se
você ouvir: “Fulano é importante”,
significa que Fulano tem poder, fama ou riquezas. Mas se você ouvir: “Fulano
é importante para mim”, significa que Fulano tocou seu coração pela
solidariedade, companheirismo ou afeto – embora não precise ser rico, famoso
nem poderoso.
Em
suma, ser importante é ser útil, é saber que ocupa com mérito e direito seu
espaço na vida.
O
mais maravilhoso de tudo isso, é que cada um nós pode fazer alguém sentir-se
importante. Todo dia. Várias vezes ao dia. Basta reconhecermos e declararmos
explicitamente seu valor e sua importância para nós.
O
mundo anda cheio de pessoas carentes e
ressentidas porque as outras se esquecem dessa ação singela de deixar que elas
ouçam ou percebam como são ou foram importantes para nós, num determinado
momento.
Lembra-se
de como foi importante aquele sujeito que lhe ensinou uma direção segura,
quando você estava perdido numa rua desconhecida? Ou aquele que, sem conhecê-lo,
emprestou-lhe um dinheiro – ainda que muito pouco – o suficiente para
completar a conta do supermercado, do ingresso do cinema ou da passagem do ônibus?
E o que dizer daquela senhora desconhecida que o amparou e providenciou um copo
d’água quando você sentiu-se mal na fila?
Nessas
e em muitas outras ocasiões, a gente costuma dizer um rápido “muito
obrigado”, para logo em seguida esquecer a importância e a beleza daquele
ato voluntário, o qual certamente mereceria um agradecimento menos automático
e muito mais caloroso, mais humano. Aquelas – e muitas outras - são pessoas
que, embora tenham sido importantes, passam pela nossa vida sem maiores
registros afetivos e logo são esquecidas.
No
entanto, é muito mais fácil lembrar daquelas que fazem o oposto, que o
desqualificam ou o ignoram, em ações opostas à arte de fazer o outro
sentir-se importante. E isso acontece com freqüência porque, ironicamente, a
crítica flui com muito mais facilidade da boca humana do que o elogio – e
assim as pessoas vão deixando de se sentirem importantes.
No
mundo corporativo, os gestores têm às mãos uma ótima oportunidade de fazer
cada membro de suas equipes sentir-se importante: é durante o chamado
“feedback”, ocasião em
que é manifestada sua opinião sobre o desempenho do colega.
O
“feedback” não foi criado para
ser um instrumento de crítica e
desqualificação. É justamente o contrário: deve ser uma oportunidade para
identificar as competências que devem ser aperfeiçoadas.
Mas, sobretudo, deve ser um instrumento para reconhecer e expressar a
importância daquela pessoa na equipe – porque se não o fosse, não deveria
estar na equipe. Se está, é porque é importante, ainda que precise
desenvolver algumas habilidades ou conhecimentos.
Como
“feedback” não tem dia nem hora
para ser dado, isso significa que qualquer gestor pode fazer com que,
frequentemente, qualquer membro da sua equipe se sinta importante – de preferência
todo dia. Bastam algumas poucas palavras. Ou, às vezes, um pequeno gesto.
Eu
não tenho a menor dúvida de que cada leitor tem um monte de gente importante
à sua volta - em casa ou no trabalho. A questão é: eles sabem disso? Você já
lhes disse?
Se
você fizer a sua parte, você também vai se tornar muito importante para alguém.
E ao sentir como isso é gratificante, você certamente vai querer compartilhar
esse sentimento e fazer com que outros sintam a mesma coisa. Chame a isso de
“efeito dominó” ou “bola de neve”. Não importa o nome, importa a ação.
Talvez
a origem fundamental desse sentimento de prazer ao nos percebermos importantes,
esteja na consciência definitiva de que, em resumo, importante é aquele que
cumpre com dignidade a sua Missão.
Floriano
Serra é psicólogo, diretor
de RH e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica, eleita
pelo terceiro ano consecutivo "uma das Melhores Empresas para
Trabalhar". É autor dos livros "A Empresa Sorriso"
e "A Terceira Inteligência"
(Editora Butterfly) e um dos 25 profissionais brasileiros incluídos no livro
"Gigantes da Motivação".(Editora Landscape). |