Você Já Saiu Em Uma Escola De Samba?
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Todos nós Consultores somos (ou deveríamos
ser) especialistas em mudança. Nossa principal missão é mudar o "status
quo", desenvolvendo nossas tecnologias, metodologias, propondo alterações
de comportamento que agreguem valor para nossos clientes (ou por que não, para
nós mesmos).
Na coluna desse mês gostaria de abordar dois
temas EXEMPLO e OUSADIA, sempre sob o ponto de vista de sua importância para o
processo de mudança organizacional ou pessoal.
OUSADIA
Para efeito desse texto vou definir ousadia
como aquelas atividades que não executamos normalmente . A idéia é que a título
de desafio ou provocação possamos ir além dos limites estabelecidos por nós
mesmos (a maioria) ou pelo contexto em que vivemos.
Diria que a ousadia depende basicamente de duas
dimensões: motivação para expandir os limites e coragem para cometer
eventuais erros.
Vamos a alguns exemplos:
- O leitor deve ter percebido que a foto que
acompanha esta coluna não é a usual; o colunista está se apresentando com
um fantasia carnavalesca (Mangueira).
- É verdade, neste ano resolvi quebrar alguns
paradigmas e desfilar em um escola de samba. Certamente houve uma resistência
inicial, logo vencida pelo desafio de fazer, aos 55 anos, algo inusitado.
- Outro paradigma quebrado foi a inexistência
de planejamento e estruturação da "atividade"; não sabia cantar
o samba, tomei contato com a fantasia 3 horas antes do desfile. Queria
testar minha capacidade de improvisação, de reação diante do
desconhecido, de convivência com a ambigüidade.
- A convivência com pessoas das mais
diferentes classes sociais, unidas em torno de um único objetivo, foi uma
aula de team building e orientação para resultados coletivos.
"Você não está dançando sozinho, mas sim na Mangueira, dizia sempre
o Diretor da Ala".
- Aspecto importante foi a reversão do
processo hierárquico; receber e aceitar ordens de pessoas desconhecidas,
sem questionar sua capacidade para tal; simplesmente reconhecendo que todos
eram competentes no que para mim era desconhecido.
- Quando apareceu um problema com a fantasia,
logo surgiu "D. Helena", com alguns alfinetes, demonstrando que a
grande motivação era para cooperação e não para competição. Também
ficou claro que a tecnologia precisa sempre de um "jeitinho".
EXEMPLO
É interessante notar como ousadia gera
ousadia. Quando pensei em desfilar na Mangueira logo apareceu um casal amigo que
também se entusiasmou pela idéia, confessando que estavam precisando mesmo de
um "empurrãozinho".
- isso é verdadeiro em toda organização ou
em nossa vida pessoal. As pessoas estão em busca de alguém que incentive a
realização "do sonho", não no sentido de procurar uma liderança,
mas sim na busca de companheiros para a mudança.
- Acredito que mudança depende de exemplo, de
companhia, de alguém que "saia" em primeiro lugar ou interprete
nossas expectativas (independente de sua posição "hierárquica").
- A Escola de Samba é basicamente uma
atividade voluntária (algo de que muito precisamos em nosso País); com
raras exceções não se ganha nada. Aqueles que podem, pagam para desfilar.
O ganho não é o dinheiro, mas a vontade de fazer algo novo, mostrar que
pode superar desafios, realizar sonhos.
- Outro exemplo interessante é que as pessoas
têm liberdade para sambar como sabem; há pouca estruturação nessa
tarefa, porém existe a oportunidade para todos de mostrarem sua habilidade,
enfatizando a importância da criatividade.
- A igualdade das fantasias em cada ala parece
demonstrar que o que importa não é a "roupa" (processo), mas a
habilidade de cada um em dançar, ou expressar sua alegria e comprometimento
(produto); apontando para uma clara orientação para resultados.
CONCLUSÃO
A experiência de desfilar na Mangueira
certamente foi inesquecível pois demonstrou que quebrar paradigmas pode ser
ameaçador no início, mas certamente muito gratificante ao final.
Que tal pensar em outros paradigmas a quebrar
em sua organização ou vida pessoal?
- Não esperar que os outros mudem, para, então,
você começar a mudar.
- Discutir com seu superior a possibilidade de
você treiná-lo.
- Solicitar a sua mulher que lhe dê aulas de
culinária.
- Pedir ao marido para jogar futebol com ele
aos sábados /domingos.
- Mudar o trajeto casa/trabalho.
- Oferecer-se para fazer trabalhos adicionais
em sua organização.
- Trocar de atividades com seu (sua)
parceiro(a).
- Dividir com os outros, sistematicamente, seu
conhecimento.
- Prestar serviços comunitários/voluntários.
- Combinar com seu filho que você quer que
ele ensine algo para você de vez em quando.
- Trocar o lado da cama com o cônjuge.
A lista é infindável, você, leitor, pode
completá-la melhor do que o colunista.
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