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Você Não Pode Cavar Um Buraco Em Um Lugar Diferente Cavando Mais Fundo No Mesmo Lugar

O PORQUÊ DO TÍTULO

Ao decidir escrever sobre assunto de interesse para os profissionais de RH, optei por um título que tivesse três características:

  • Gerasse curiosidade.
  • Que fosse necessário ler pelo menos duas vezes para entendê-lo.
  • Que tivesse alguma ligação e sentido com as dificuldades e problemas enfrentados pela área de RH.

POR QUE É NECESSÁRIO CAVAR BURACO EM UM LUGAR DIFERENTE?

Após uma cuidadosa e atenta análise em aproximadamente 32 artigos publicados nos últimos cinco meses em jornais, revistas e e-mail especializados, constatei dois traços comuns entre aqueles que vem se dedicando à análise e discussão de assuntos relacionadas à gestão de Pessoas.

1) Excessiva ênfase no "como" RH deve e precisa atuar no novo milênio.

2) O exaustivo discurso de que o "maior capital das empresas são as pessoas e, para tanto, é necessário lhes oferecer mais atenção, além de considerá-las o principal diferencial competitivo das organizações de sucesso"

Tudo bastante bonito e inquestionável. No entanto, para nós é um discurso antigo e velho, cheirando a naftalina.

A realidade é que temos tido poucas discussões a respeito do "porquê" da existência de RH nas organizações, isto é, da sua razão de ser contributiva para os resultados finais.

Se RH não redirecionar suas efetivas contribuições para o aumento do lucro, diminuição dos custos, aumento dos índices de produtividade organizacional e criação de um ambiente de trabalho de satisfação e entusiasmo por parte dos funcionários., não há nenhuma razão nobre para continuar existindo.

As empresas poderiam adotar algumas das seguintes providências:

  1. Transferir a responsabilidade da folha de pagamento e registros para a área financeira,
  2. A área de Relações Industriais pode ficar sob a gestão de um escritório de advocacia especializado em questões sindicais e trabalhistas.
  3. As áreas de recrutamento & seleção, administração de salários e treinamento, certamente seriam mais produtivos se passassem a ser dirigidos por excelentes empresas especializadas nos assuntos.

A verdade é que infelizmente, não é pequeno o número de consultores e profissionais de RH que deixam de explicitar a importância do lucro nas atividades empresariais, como o um dos principais fatores, senão o principal, condicionante do crescimento e sobrevivência de qualquer organização.

Alguns chegam a afirmar que falar em lucro de uma forma direta e sem rodeios pode dar uma impressão utilitária, contrariando os saudáveis "princípios básicos na gestão de pessoas".

A questão crítica é a seguinte: Como é que a Função RH pode respeitar e valorizar pessoas em organizações que não forem lucrativas?

No final do ano passado, ouvi uma palestra de um Presidente de um grande grupo empresarial de médio porte. Dizia com muita convicção e segurança o seguinte:

"É ótimo e extremamente louvável que todos nós estejamos cada vez mais orientando nossas ações para garantir qualidade dos nossos produtos, assegurando um serviço diferenciado aos clientes externos e oferecendo um tratamento correto e respeitoso aos nossos colaboradores..

Entretanto, ninguém que trabalha na nossa empresa poderá jamais esquecer que para assegurar a existência de tudo isso precisamos ter lucro nas operações. E eu tenho a responsabilidade final de informar aos acionistas e situação econômica/financeira da Empresa. Certamente os resultados financeiros são o que realmente importa aos acionistas. Como sobreviver num mercado competitivo, se o caixa se encontra no vermelho? Quem irá pagar os salários? Ter lucro é uma responsabilidade social"

É fundamental que deixemos cada vez mais claro e explicito que a Função RH tem sua parcela de responsabilidade no sentido de fazer com que os investimentos feitos pelos acionistas, em todas as áreas da empresa tenham retorno.

Vergonhoso e utilitarista é deixar de reconhecer que todos são responsáveis pelo retorno do capital investido pelos acionistas ou pelos impostos pagos pelos cidadãos.

RH tem que obrigatoriamente agregar valor em suas ações, ao invés de teimar em persistir fazendo as coisas bem feitas, mas nada de real valor para a organização.

Basta de "ficar cavando fundo no mesmo lugar". Jamais RH irá alcançar resultados diferentes daqueles que atualmente vêm atingido, agindo e pensado da mesma forma.

QUE LUGARES DIFERENTES EXISTEM PARA CAVAR?

Profissionais de RH devem procurar lugares e espaços nos seus planos para 2001 que sejam diferentes, em natureza e essência, daqueles que até então vêm perseguindo.

Os objetivos que vierem a ser estabelecidos devem estar vinculados a lucratividade, rentabilidade, retorno sobre o capital, aumento de produtividade, qualidade nas relações com clientes, concorrência, segurança, desenvolvimento de pessoas, otimização dos recursos financeiros, físicos, tecnológico e de tempo mudança/Inovação, responsabilidade institucional e monitoramento da qualidade do ambiente de trabalho..

Para que os profissionais de RH possam escolher lugares diferentes para começar a cavar precisam:

  • Justificar a sua existência, de forma comprovada e mensurada. Lembre-se: aquilo que não pode ser mensurado, não pode ser melhorado.
  • Todos os objetivos devem ser passíveis de mensuração em termos de custos, qualidade, quantidade ou tempo.
  • Se você não puder mensurar o seu trabalho, esqueça e não faça, conforme já disse Ernest Mc Cormick,.

Como sugestão para descobrir novos lugares, responde as três perguntas a seguir:

  • Qual é o valor - e não apenas o preço - do seu trabalho para os resultados finais da sua organização? Porque?
  • Como você pode comprovar, através de dados mensuráveis, a retribuição para o resultado final da Empresa dos salários e benefícios que foram por você recebidos durante todo o ano de 2000?
  • Se você fosse o "patrão" da empresa onde trabalha você teria pago os salários e benefícios recebidos em 2000 para que outra pessoa realizasse exatamente o que você faz? Caso positivo, justifique com informações concretas as suas realizações.

Devido ao hábito pouco saudável de não questionar, profissionais da Função RH praticam comportamentos rotineiros, processualísticos e muitas vezes mecanicistas.

Em razão disso, a validade e a efetiva contribuição para os resultados finais da Empresa ficam comprometidos, principalmente quando não são concretamente comprovadas.

Grande número de Profissionais de RH valoriza apenas o enriquecimento do seu "vocabulário" com expressões e frases de efeito, mas continuam agindo da mesma maneira de há anos, isto é, permanecem ‘cavando o buraco mais fundo, no mesmo lugar".

QUATRO SUGESTÕES PARA 2001

Ao iniciarmos este novo milênio, vamos buscar alcançar resultados diferentes daqueles que até então RH vem obtendo.

QUATRO sugestões óbvias, simples e diretas:

  • Agir de maneira diferente, cavando buracos em lugares onde seja possível aumentar o lucro, diminuir os custos, e incrementar comprovadamente a produtividade e a satisfação das pessoas. Caso contrário, será uma "loucura" mudar, já que iremos alcançar os mesmíssimos resultados.
  • Admitir que também fazemos parte dos problemas organizacionais, e que só assim iremos aprender a nos enxergar como parte da solução. Não fique esperando ordens das outras áreas da Empresa. Busque as oportunidades, aponte os problemas existentes e ofereça sugestões. Não desista na primeira resistência. Crie suas próprias oportunidades.
  • Aguce sua curiosidade. Busque explicações para as orientações e diretrizes estabelecidas por sua Empresa. Experimente pensar sempre em busca de novas idéias. Lembre-se que como profissional você vale tanto quanto sua última ação.
  • Pergunte o "por quê" de todas as coisas que vem realizando. Quem se limita a pensar apenas no "como" fica distante do resultado final.

Mais quatro pequenas lembranças:

1 – A pior idéia é a solitária.

2 – Mais importante que o conhecimento e a imaginação.

3- A dificuldade não está em aceitar as idéias novas, mas em escapar das antigas (Lord Keynes)

4 – Desenvolvam raciocínios produtivos e não repetitivos.

Consultor -  Francisco Bittencourt - Consultor do Instituto MVC - Estratégia e Humanismo

 

 



 

 

 

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