Você S.a Ou Você Ltda.
Você já ouviu falar em Você S.A.?
Provavelmente, sim. Para nós, entretanto, existem alguns aspectos pouco claros
neste conceito. Antes de aprofundarmo-nos nesses aspectos, devemos observar
algumas questões relativas à área de vendas das empresas e ao processo de
comunicação interna das empresas.
No momento em que o vendedor está fechando uma
venda, sobretudo quando se trata e de um serviço, o que ele está fazendo nada
mais é do que vender promessas. A intangibilidade dos serviços faz com que
aquilo que está sendo vendido seja a garantia (promessa) de que as outras áreas
da empresa envolvidas no processo cumprirão todas as etapas e requisitos de
forma satisfatória. Para que o vendedor tenha sucesso em sua empreitada, ele
depende, então, dos investimentos que essas outras áreas façam em sua venda.
No entanto, devemos também considerar que
algumas empresas do setor energético (entre outras mais) acreditam que, até
2005, 97% da comunicação entre funcionários e entre setores de sua empresa
acontecerá de forma não-verbal. Ou melhor, apenas 3% da comunicação interna
será feita de forma verbal. E isso trará conseqüências graves para as
empresas brasileiras e para os funcionários. Observemos, então, quais são
essas conseqüências.
Em primeiro lugar, há um aspecto cultural. Nós
brasileiros somos tradicionalmente orais e auditivos em nossa comunicação, ou
seja, o processo de comunicação é muito mais efetivo entre os brasileiros
quando executado de forma verbal. Por exemplo, quantos de nós já não passaram
por situações em que, ao transmitir mensagens escritas para outras pessoas,
verificaram que a mensagem não foi sequer lida? Faça um questionamento a si próprio:
você lê os manuais de sua empresa ou faz uma breve folheada superficial?
As pessoas não têm culpa pelo fato de não
lerem. Essa é uma questão cultural. Nesse momento em que comemoramos os 500
anos do Brasil, devemos atentar para o fato de que os povos que construíram o
Brasil – os indígenas, os africanos e os europeus, em especial os portugueses
– não são povos que tenham tradição na transmissão de conhecimento via
palavra escrita. Isso não é demérito algum. Apenas temos que ter ciência (e
consciência) desse fato. E procurar alternativas para que a diminuição drástica
da comunicação verbal entre os colaboradores e entre os setores da empresa não
interfira negativamente em seu desempenho.
Por outro lado, como mencionado acima, a área
de vendas depende sobremaneira dos "investimentos" feitos pelas outras
áreas em sua atividade. Mas o que acontecerá se de fato a comunicação verbal
tiver esta diminuição drástica vislumbrada por diversas empresas?
Acontecerá que o efetivo processo de comunicação
interna ocorrerá de forma parcial, sobretudo nos momentos em que a comunicação
verbal existir. Dessa maneira, os vendedores terão dificuldade na adoção do
conceito de Você S.A. no sentido de que se tornem realmente "sociedades anônimas",
ou seja, este tipo de organização pressupõe a possibilidade de incorporação
de capital das mais variadas fontes, dispersas pela sociedade. Os vendedores
tornar-se-ão, de fato, Você Ltda., isto é, só receberão investimentos de
determinados indivíduos pertencentes aos quadros da empresa, principalmente
daqueles com os quais mantêm comunicação verbal, oral.
Enfim, é preciso desde já buscar soluções
para tal questão. Se a comunicação interna das empresas passar a ser
tipicamente via palavra escrita, a área de vendas poderá sofrer conseqüências
negativas. Terá dificuldades em receber "investimentos" das outras áreas
e em cumprir as promessas feitas no ato da venda. E os vendedores, em vez de se
tornarem Você S.A., terão de se contentar em ser Você Ltda.
OBS.: Material retirado dos seminários
de Vendas e Comunicação
João
Baptista Vilhena
Diretor
do Instituto MVC
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