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Ético
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Não ético
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ético/legal
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não ético/legal
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| Ilegal |
ético/ilegal
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não ético/ilegal
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Então
vejamos:
1o.
caso: comportamento não ético/ilegal
Vamos
começar por um exemplo radical de comportamento que não é ético nem legal:
a propina. Infelizmente várias empresas acham que, para vender em certos
mercados, somente "dando uma bola para o comprador". Em primeiro
lugar, não acredito que isso seja verdade, uma vez que vejo empresas sérias
vendendo para clientes que têm a fama de "boleiros". Tenho certeza
que essas empresas não empregam a tática suja da propina. Se sua empresa tem
algo de realmente bom e diferente para oferecer e todo o mercado reconhece e
deseja essa diferença, dificilmente um comprador corrupto conseguirá
justificar para seus clientes internos a compra do produto concorrente. Por
outro lado, é óbvio que se há corrupto, há corruptor. Ambos são apenas as
duas faces de uma mesma moeda podre. Se sua empresa estimula ou faz
"vista grossa" para esse tipo de comportamento, das duas uma: mude-a
ou mude de empresa.
2o.
caso: comportamento ético/ilegal
Como
sabemos, a informação pode ser considerada como um dos principais fatores
que influenciam o comportamento ético nas negociações. Sob essa
perspectiva, ocultar algumas informações da outra parte com a qual estamos
negociando, normalmente é considerada uma atitude eticamente aceitável. Mas,
dependendo da legislação, podemos ir parar nas barras do tribunal por agir
de acordo com essa ética. Como exemplo, basta lembrar que até um passado bem
recente, os automóveis saíam com defeitos e somente aqueles que procuravam
as concessionárias para denunciá-los eram atendidos. Hoje os fabricantes são
os primeiros a anunciar falhas nos seus carros, fazendo recalls até mesmo de
veículos recém-lançados, se necessário for. Porquê? Porque é muito mais
caro limpar a mancha de uma reputação do que mantê-la ilibada. Sua empresa
estimula os vendedores a exagerar nas "qualidades" do produto?
Promete entregar o que notoriamente não tem condições de produzir? Cuidado,
o código de defesa do consumidor é uma realidade e existem inúmeras
jurisprudências definindo os limites legais da ação das empresas.
3o.
caso: comportamento não ético/legal
l
Dissemos
acima que a propina é antiética e ilegal. Pergunto: quando uma empresa
farmacêutica convida um médico e sua família para participar de um
congresso no exterior, custeando todas as despesas do "doutor" - e
garantindo-lhe luxos e mordomias que nada têm a ver com a melhoria da
qualidade da medicina praticada por aquele profissional – ela está agindo
de forma ilegal? Não. Está sendo ética? Do meu ponto de vista não, uma vez
que está se beneficiando de um poder financeiro que a maioria de suas
concorrentes não tem. Concordo que a questão é polêmica, pois será que
devemos nos ver impedidos de fazer alguma coisa porque nosso concorrente não
teria condições de também fazê-la? Minha opinião está expressa algumas
linhas acima, mas você, o que acha?
4o.
caso: comportamento ético/legal
Muitas
empresas desenvolvem um código de ética interno. Algumas o tornam explícito,
outras praticam-no tacitamente. Aquelas que tornam público seu código de ética
interna submetem-se ao julgamento de seus clientes, concorrentes e da
sociedade. São empresas que cumprem as leis e querem o melhor para si e para
os outros.
Mas
há aquelas que não submetem seus princípios a ninguém. Para dar um
exemplo, parece haver um código tacitamente aceito pela força policial de
alguns estados brasileiros que autoriza, institucionaliza e referenda a aceitação
de suborno – chamado por alguns de "presentinho" – sob certas
condições. Todos sabemos que, pela "lei da cadeia", estupro não
tem perdão e alcagüete tem que morrer. Lá dentro ninguém discorda dessa
lei, pois fazê-lo significa ser condenado à morte (ou, no mínimo,
espancamento). Alguns políticos – e até membros do judiciário –
defendem o "direito" do MST em invadir terras classificadas por ele
mesmo como improdutivas. Nunca vi o Governo Federal descontar os dias parados
de seus funcionários grevistas, embora a lei determine que isso seja feito.
Nosso querido Betinho aceitou dinheiro da contravenção e justificou seu ato
dizendo que isso era melhor do que deixar mais um miserável passar fome.
Muitas empresas estimulam a competição e o conflito entre suas equipes de
vendas, dão tratamento discriminatório a clientes de mesma categoria,
estimulam seus vendedores a prometer o que não vão poder cumprir, fazem o
jogo do "esperto" e praticam o tempo todo a "lei de
Gerson". Embora se digam éticas, se comportam de forma absolutamente
individualista. Além disso, criam suas próprias leis, impondo-as sem
discutir ou negociar.
Conclusão
Para
as empresas que adotam o primeiro comportamento que descrevi – práticas
anti-éticas e ilegais – há pouco esperança de sobrevivência. Para ficar
no exemplo citado, empresas que só vendem porque dão "bola" para
seus clientes não obtêm o respeito de seus concorrentes, de seus funcionários
e dos demais clientes. É mudar ou morrer logo.
As
que adotam o segundo comportamento – práticas consideradas éticas, mas
ilegais – vivem no fio da navalha. Não são acusadas pelos
"tribunais" da ética (conselhos profissionais, órgãos de classe),
mas gastam o pouco lucro que geram pagando advogados para defendê-las de
clientes mais esclarecidos quanto a seus direitos. Para elas a questão é se
vale a pena correr o risco – algumas acham que sim, pelo simples prazer da
aventura. Lembremo-nos que os tributos que pagamos não retornam em termos de
produtos e serviços e isso nos faz pensar que são injustos. Mas o Governo não
pensa assim e, se descobrir que você é um sonegador, vai tentar te levar
para as barras do tribunal.
No
terceiro grupo – ações antiéticas, mas legais – há um farto espaço
para o que chamo de picaretagem legalizada. Não estou, com isso, dizendo que
os laboratórios farmacêuticos sejam todos picaretas (alguns são, é
verdade). Mas, para ficar no exemplo, foram eles que popularizaram a expressão
BO (bom para otário).
Porém,
na minha opinião, é no quarto grupo que "mora o perigo" pois,
embora haja empresas que são transparentes e cumpridoras da lei, há as
obscuras e que criam suas próprias leis. Incluem-se aí desde os taxistas que
roubam seus clientes, dando voltas desnecessárias pela cidade – mas o fazem
para "defender o leite das crianças lá em casa" – até as Encol
da vida, que deixaram um enorme número de "sem teto" e com dívida
por aí. Essas são as empresas que querem "levar vantagem em tudo",
que só negociam usando táticas sujas, que tripudiam da inteligência do
cliente, que riem da honra e que, infelizmente, conseguem nossa complacência
e por isso se mantêm vivas por muito tempo...