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100% De Satisfação (quase…)


Pesquisas em RH! Campo fascinante! Bem elaboradas e interpretadas devidamente, são ferramentas poderosas para nortear transformações e descobrir muita coisa importante a respeito do que pensam e esperam as pessoas. Assim que entrou em efervescência o movimento sindical no Brasil pelos idos de 1979, a empresa que é o pano de fundo desse RH POSITIVO se deu conta de uma série de problemas, descoberta por via de pressões sindicais e as ações internas desenvolvidas pela equipe de Relações Industriais. 

De todos os problemas identificados, que sinalizavam grandes insatisfações dos seus colaboradores, a empresa identificou o restaurante. Era de amargar, o restaurante! Velho, nos fundos da fábrica, ladrilhos escurecidos, mesas que pareciam depósitos de inservíveis e uma comida de lascar! Lá pelas onze horas, a comida chegava de fora, em panelões imensos, horrorosos, descarregados de uma Kombi que ainda rodava por pura teimosia e o comentário era o mesmo: “Chegou a lavagem!”. Como não havia alternativa, era aquele “rango” que tinha que ser aceito como almoço. Do problema, para a solução. 

Em pouco tempo, foi montado um restaurante novo. Prédio novo. Cozinha própria, dirigida por nutricionista, com equipe de cozinheiros e preparadores profissionais e um cardápio cuidadosamente planejado, com base nos princípios de variedade, fartura e qualidade impecável. Nas mesas, jarros com leite, água e refrigerantes. Sobremesas, três diferentes por dia! Assim que inaugurado e, daí em, diante, só sorrisos no rosto dos colaboradores e elogio até dos sindicalistas que, é claro, espalharam que “se não fosse eles…”. Enfim, tudo azul em céu azul de brigadeiro. 

Então, só para formalizar o que já era sabido, foi feita uma pesquisa de satisfação junto aos comensais. Os resultados foram unânimes: satisfação total! Ou melhor: quase total! Apenas UM dos formulários, dentro de um universo de perto de 660, pedia o retorno do restaurante antigo. Depois de perguntar muito, a equipe de Relações Industriais descobriu o respondente: era o “seo” Terto, ajudante de produção, um homem simples, humilde, de poucas palavras e olhos sempre baixos. 

A psicóloga de equipe, depois de usar toda a sua habilidade, obteve a resposta que a deixou atônita e os demais da equipe sem entender nada. Disse, finalmente, o “seo” Terto: “Sabe moça, tá tudo muito bom, comida boa, muita fartura, mas eu fico pensando se é direito eu me tratar tão bem assim aqui na companhia e os meus barrigudinhos em casa na base de feijão, arroz e farinha todos os os dias! Olha, eu preferia comer a comida de antes porque ao menos eu não passava tão bem e podia chegar em casa e olhar na boa os meus meninos!”. 

A “equipe” de redação do RH POSITIVO, que sempre discute e discorda asperamente na hora de interpretar os “assucedidos” , preferiu ficar calada e buscar outros motivos para discutir. E você, caro, leitor, como interpretaria o comportamento do “seo” Terto? 

Benedito Milioni,
54 anos, é graduado em Sociologia e Administração de Empresas e, por vocação e escolha, um especialista em educação empresarial. Sua carreira começou em março de 1970, como instrutor substituto de programas de treinamento de pessoal de supervisão industrial.

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