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8 dicas para preservar a saúde mental de seus colaboradores

Segundo o Livro Verde da Comissão Europeia (2001), a responsabilidade social empresarial é um conceito segundo o qual, as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo. Fonte: Wikipedia.

Em minha humilde opinião, existem diversas frentes que podem contribuir para uma empresa ser considerada socialmente responsável, no entanto entendo que a maior prova de que ela é de fato responsável, está na forma como prepara seus líderes para lidar com pessoas, afinal um líder mal preparado pode destruir vidas. Lembrando que estes colaboradores que ficam à mercê dos “bem-intencionados, porém despreparados” estão inseridos em outros contextos sociais fora da empresa.

Tenho diversos exemplos disto, no entanto me contentarei em dar apenas um exemplo que foram emblemáticos ao longo de meus 14 anos como coach executivo.

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O primeiro caso refere-se a uma mulher casada, com aproximadamente 30 anos, que veio para São Paulo para trabalhar, com condição financeira estável, classe média, executiva, que tinha como sonho de vida ser mãe.

Conseguiu realizar seu grande sonho.

Em um determinado momento esta profissional, muito comprometida e competente, começou a se ver em sofrimento, pois tinha uma líder que a humilhava, enviava e-mails durante a madrugada exigindo resposta no primeiro horário do dia, indagava a todo momento o que estava sendo feito por ela, não admitia que saísse em seu horário dizendo que tinha muito trabalho, e se colocava como sua adversaria dentro da empresa nas tomadas de decisões estratégicas.

A profissional chegou ao ponto de não conseguir mais reagir. A pressão, a humilhação e a necessidade de se provar o tempo todo, fez com que suas energias se esvaíssem e saísse do trabalho todos os dias frustrada e esgotada. Acordar para ir ao trabalho era um sacrifício.

Na empresa, não havia apoio por parte do RH que não tinha forças e nem preparo para lidar com a situação, tornando-se conivente, pois a “suposta líder” apresentava resultados financeiros. (a que preço?)

Bem, lembram do sonho de vida desta mulher? Ser mãe? Estava totalmente destruído, pois ela começou entrar em um processo emocional, no qual ao chegar em casa torcia para seu filho dormir, para que pudesse ter um pouco de tranquilidade. Acabou se separando do marido e ainda carregando a culpa por não conseguir ter energia para estar com o tão sonhado herdeiro.

Haverá quem diga que a profissional é fraca e que não consegue dominar seus próprios sentimentos. Haverá quem diga que ela deveria fazer a escolha de pedir demissão ou transferência. (ela bem que tentou) Opiniões não faltarão, mas o fato é que onde estava esta empresa e seus profissionais de RH quando escolheram esta pessoa para a posição de líder? Ela era uma excelente técnica, mas péssima gestora de pessoas.

Onde estava o RH que deveria ter papel acolhedor e facilitador para apoiar a profissional quando ela o procurou pedindo socorro, pois estava em processo de esgotamento mental e alto nível de stress?

Enfim ela por si só foi buscar ajuda, tentou coaching, achando que poderia estar realmente sendo insuficiente e por isto a líder tinha aqueles comportamentos (a vítima se culpabilizando), por fim percebemos que ela precisava de apoio de profissionais especializados em saúde mental e assim o fez.

Bem, Darwin dizia em sua teoria que os melhores se adaptam, no entanto há uma necessidade muito grande de desenvolver a resiliência para ajudarmos os profissionais a serem mais resistentes. Sem eximir a responsabilidade da empresa em preparar seus líderes para lidar com pessoas, em um mundo onde a cobrança por produção, resultados e a auto exigência dos profissionais está cada vez maior.

A responsabilidade social primaria se mostra neste aspecto, pois assim como esta mulher sofreu, existem homens casados que maltratam suas esposas e filhos, ausência excessiva nas famílias, jovens se drogando e bebendo para conseguir lidar com a pressão, executivos tomando remédios tarja preta, para conseguirem se anestesiar e entregar o desejado pelas empresas, sem contar os suicídios por medo do desemprego.

Se você é líder e sua empresa ainda não te deu apoio para evitar adoecimento mental em seus colaboradores, seguem aqui algumas dicas:

1) Trate cada um como um indivíduo, com necessidades e modo de funcionamento diferentes;
2) Declare suas expectativas com relação à entrega que cada um deverá fazer;
3) Demonstre que confia em seu colaborador; Falta de confiança é um dos itens que mais gera desconforto e ansiedade.
4) Seja claro ao direcionar o trabalho. As pessoas se queixam, pois os líderes somem e não dizem o que é para ser feito.
5) Dê feedbacks respeitosos e assertivos;
6) Seja parceiro para a resolução de problemas
7) Promova uma revisão periódica dos processos de trabalho, pensando em simplificar sempre.
8) Respeite os horários de descanso do indivíduo. (proibido mandar mensagens e e-mails durante a madrugada, por exemplo)

Segundo a cia de talentos, que pesquisou 96000 profissionais no Brasil, 38% das pessoas terminam o dia com o sentimento de frustração e esgotamento. Sei que você líder também sofre as mesmas coisas, portanto vamos levantar a bandeira de uma empresa socialmente responsável e comece você a ter pequenas atitudes que evitarão que os índices de adoecimento mental sejam cada vez maiores, no mundo do trabalho.

Por: Melissa Campos

Melissa Campos é Consultora Organizacional e Coach Executivo Experiência em Consultoria e Coaching Mais de 20 anos de experiência profissional em organizações multinacionais e nacionais de grande porte 14 anos atuando como empreendedora e coach executivo, acumulando aproximadamente 4000 horas de atendimento a executivos colaboradores de empresas como: Alelo, G4S, Grupo segurador BB Mapfre, Mapfre Warranty, Chubb Seguros, Seguros Unimed, Power Eficiência Energética, Nextel, Vivo, SPCOM, SITEL, MC Global Services, Proxis, Teleperformance, Intervalor, TMKT, EMMES Embalagens, Vale, Odebrechet, Virtual Gate, Day Brasil, Estaleiro Paraguassu, Super Via, Infraero, TAM, D&A, MTCOM, Coletânea, VR, Unibanco, CIEE, entre outras, além de diversos executivos que contratam os serviços como pessoas físicas. Experiência principal para o desenvolvimento de novos líderes, transição de posições, consolidação de posições, sucessão, tomada de decisão, gestores comerciais, performance; com o desenvolvimento de competências essenciais para a liderança, entre elas planejamento, relacionamento, comunicação, gestão de conflitos, delegação, gestão do tempo, visão estratégica, senso de urgência, controle emocional, entre outras. A experiência em Coaching inclui: • Presidente empresa de eficiência energética • Presidente de indústria multinacional francesa • Herdeiro de empresa de metalurgia em perfilados de aço. • Herdeiro de empresa de impressões e tintas • CEO de grupo de multicomunicação • Empreededor do setor de saúde e qualidade de vida • Executivos de operações, administrativos e RH empresa seguradora de luxo • Diretor Comercial e Diretor de operações multinacional britânica de serviços de segurança • Diretor e gerentes de IT de grupo segurador espanhol • Gerentes e superintendentes comerciais de grupo segurador espanhol • Diretor executivo de vendas e marketing LATAM para indústria de tecnologia • Diretor e gerentes de RH de indústrias de call center • Diretor e gerentes de tecnologia de empresa da indústria da construção civil • Controller de multinacional britânica de serviços de segurança • Gerente de contabilidade de empresa especializada em relacionamento multicanal com o cliente • Superintendente jurídico de seguradora espanhola • Empreendedores de diversos setores. • Gerentes executivos de operações, logística, business analytics, de empresas de telecomunicações, • Gerente LATAM de diversidade e inclusão da indústria multinacional de tecnologia • Gerentes Regionais comerciais de empresa de cartões e benefícios Experiência em Liderança Organizacional e Negócios Gestão de treinamento e desenvolvimento organizacional em empresas como: Unibanco, Compaq do Brasil, Sitel do Brasil e MCampos Consultoria Principal experiência em gestão de pessoas; implementação e gerenciamento de projetos, estruturação de processos e áreas de desenvolvimento de pessoas em empresas clientes, head dos programas de desenvolvimento executivo, definição de políticas de RH, treinamento de lideranças, desenvolvimento de projetos de comunicação e campanhas de incentivo, homologação de tecnologias para desenvolvimento humano, relacionamento comercial com empresas clientes. Docente na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) para a formação de líderes do setor de serviços com a disciplina “Gestão de equipes”. Estudiosa no tema Saude mental relacionada ao trabalho e felicidade