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A corrida de São Silvestre

A corrida de São Silvestre
– Corvinus, seria correto afirmar que, o que faz uma empresa ser bem sucedida em seu negócio, é a força da energia eletromagnética que seus funcionários criam no ambiente e em todas as atividades que realizam?– Não seria correto; é correto.
– Então as empresas que não são bem sucedidas têm como causa, não saberem trabalhar as energias?
– Minoritariamente, sim. A grande maioria, simplesmente não conhece.
– Existem empresas cujo sucesso pode ser atribuído à interação com essa energia?
– Sem dúvida e muitas, com maior incidência no relacionamento público.
– E, o que vem a ser?
– Qualquer ação ou influência que modifica o estado de repouso ou de movimento de um corpo, ou seja, um agente atuante cujo resultado provoca um efeito, cria uma força que proporciona a um objeto de massa, sua aceleração. Senão vejamos:
Se o agente força atuar na velocidade, provocará a energia cinética, ou seja, a energia gerada por algo devido ao seu movimento.
– Não estou entendendo.
– Você já teve oportunidade de assistir a uma prova de pedestrianismo?
– Sim, uma maratona, a corrida de São Silvestre?
– Isso mesmo. Observe que à medida que a corrida se desenvolve, três características habituais se apresentam:
1a característica
0 “coelho”, designação que se dá ao corredor que dispara na frente. Sua função é dá ritmo ao evento . Num campo de futebol quem faz o ritmo é a torcida. Aqui o ritmo se refere á cadência da corrida, á velocidade. Essa é a função do “coelho”. Entretanto, o seu bom desempenho é temporário. Olha para os lados, não vê ninguém consigo. Está só. A solidão o deixa feliz. Embora sua função seja importante, como dizem, e muitos desconhecem, a maioria apenas busca publicidade, a alegria de – ainda que por poucos minutos – ser visto como um provável vencedor é o seu desejo. Mas sua vontade tem fronteiras. Aos poucos sua resistência diminui, até que…talvez desista…ou… talvez seja um dos últimos a chegar,… se chegar.
Certa vez, perguntei a um “coelho” qual a sensação. Poder brilhar, ser ovacionado, receber apoio, sentir-se absoluto…Ele respondeu:
– Só se é “coelho” uma vez. Embora eu saiba o que vem a seguir, vale a pena… Não sei, porque depois…depois é apenas uma alegria sem risos, falsa, ilusória, passageira. Ser apenas um “coelho”, não,… não na próxima.
2a característica
O grupo que a certa distância observa o trabalho do “coelho”. Mas, apenas observa. Seus integrantes não se preocupam com ele. São profissionais que conhecem muito bem o ofício. Sabem que o “coelho” logo não estará mais ali. Este grupo é composto por profissionais experientes, com muitos quilômetros corridos. Sabem controlar a respiração. São exímios observadores. Não falam, mas não deixam escapar nenhum movimento. Sua percepção é aguçada. São sensíveis entre si. Embora competidores ferozes, neste momento, é uma excelente equipe. Seu desempenho é uniforme, persistente, equilibrado. No olhar, na passada, no trabalho de braços, na batida do pé e no controle da respiração de cada um. Determinação, vontade, engajamento e força, são visíveis. Às vezes alguém recua. Cansado? Revezando posição assim como os gansos? Não, nada disso. Apenas revendo as posições. Eles conhecem.
Se por um lado não há sinergia, porque o esforço é individual, por outro, a exploração é intensa, o que provoca a troca de calor a cada movimento. Criam ondas magnéticas, que se transformam em energias, que se irradia entre eles. Sabem que, se afastarem uns dos outros, as ondas curtas se desfarão. Por isso, mantêm-se juntos, quase colados, pois só assim, podem explorar mais, se energizarem. Captar sempre, cada vez mais, – fortalece – através do olhar atento de cada um, em cada um, até o momento que, aquele que estiver melhor suprido, largará e abandonará o grupo.
– Mas, aquele que larga na frente, uma vez sozinho, não corre o risco de enfraquecer?
– Não. Não está só. De forma inteligente ele interage com as palmas e com as palavras de estímulo da plateia, que vibra ondas sonoras eletromagnéticas que o fortalece mais, a cada passada, além da própria energia acumulada que também o faz vibrar.
3a característica
A grande massa, centenas, milhares de desportistas que buscam aprimorar o seu condicionamento físico. Vez por outra, passa um pequeno grupo, alegre e falante. Acreditam que juntos, conversando, se distraem para enganar o cansaço, não pensar na dor física, embora saibam que ela está lá. Querem apenas chegar. Não importa quando, nem o tempo gasto. Apenas… chegar. São verdadeiros heróis anônimos. Não buscam medalhas nem lugar ao pódio. Não buscam consagração nem aplausos. Querem apenas passar por baixo da faixa de chegada. E ao final, exaustos, esgotados, doídos, porém, juntos, olham-se, riem e carinhosamente se abraçam, sem preconceitos. E num gesto de solidariedade, de força e de união, erguem a fronte, olham para o céu e um grito ecoa no espaço:
“Conseguimos…”.
Ao retornarem para suas empresas, no trabalho, para essas pessoas tudo poderá ser diferente, a partir de então. Um sentimento de poder, de determinação e de capacidade vibra intensamente em suas almas. Demonstraram para si que são capazes de vencer a inércia. Assumiram um compromisso consigo, ainda sabendo difícil, mas com a certeza de existir só uma forma de conseguirem: se unirem e criar uma sinergia, uma associação simultânea de vários fatores num esforço coordenado para a realização do trabalho, apesar da dor e do cansaço. E assim o fizeram.
– Devo entender então, que o sucesso das pessoas reside na forma como elas administram as energias existentes em seu ambiente de relação, como exposto na 2a. característica onde predominou o ambiente de competição e exploração – sem sinergia – e na 3a. onde predominou o ambiente de união e doação – com sinergia.
– E por que não a 3a. característica? – arriscou Corvinus.
– Seria um grupo ainda em formação, com grande potencial para mudanças e energias a serem exploradas? Um terreno pronto para se plantar o coaching operacional?

Clodoaldo Ramos é consultor de empresas, proprietário da empresa Lydera Seeds é instrutor de treinamentos, coach profissional, palestrante de relações humanas e professos de comunicação verbal, há 19 anos. Possui graduação profissional em administração de empresas e engenharia industrial com especialização em perfil comportamental e elaboração de modelo de competência, treinamento e desenvolvimento de pessoal nas áreas da comunicação, do comportamento, das atitudes, da motivação, da criatividade.

Profissional com 36 anos de experiência no mercado corporativo, tendo atuado em dezenas de empresas com segmentos variados, em grandes grupos nacionais e internacionais em áreas operacionais e gerenciais.

Nova call to action

É criador e responsável pela aplicação de programas de treinamento, entre eles: Coaching liderança; Coaching operacional, Coaching empresarial e Avaliação e feedback coaching.

Nas empresas, desenvolve os seguintes serviços de consultoria: Coaching liderança fatual; Coaching empresarial; Coaching empresarial da alta direção; Diagnóstico técnico organizacional sistêmico/ coaching; Diagnóstico técnico organizacional/ambiente coaching.

Desenvolve, estrutura e aplica programas personalizados de treinamento para todos os níveis hierárquicos.

É palestrante do tema “O coaching na empresa e nos negócios”, de sua criação.

Autor dos livros Onde está a minha caixa azul; Crepúsculo de uma raça; A visão.(Não publicados)

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