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A Emancipação Feminina

A sociedade evolui através da mudança cultural, da história que se transforma, o modo de se ver e perceber. O meio se modifica de acordo com os anseios da humanidade. A mulher naturalmente evoluiu, conseguiu, através de sua luta, de seu espaço na sociedade, com o seu merecido salto de labor e de firmeza sobre os seus propósitos, redefinir-se sobre o seu verdadeiro valor enquanto ser humano, ser pessoa.A emancipação feminina, em especial o próprio modelo do feminismo, pode ser calcada pela luta feminina, pela reivindicação das mulheres de uma forma geral por diretos iguais, pela bandeira da igualdade entre homens e mulheres. A França é considerada o berço do feminismo. A mulher conseguiu quebrar paradigmas, tabus, ascendeu socialmente e intelectualmente, adquirindo com isto gradativamente, e por que não dizermos, dentro de nossa cultura, uma ascensão sobre diversas áreas que antes eram consagradas somente aos homens.
Por muito tempo, a mulher esteve enclausurada, presa diante de suas emoções e de seus sentimentos, não podia se expressar e manifestar o seu pensamento. A mulher, ao longo da história, fez parte de uma composição de regras estabelecidas pelo seu “varão”, que determinava o que ela podia ou não falar. Isto, sem dúvida, eram regras de uma cultura do passado que, hoje, já não se permite mais. A mulher faz parte de uma engrenagem complexa quanto ao seu amplo papel. Ela é, sem dúvida, uma guerreira que consegue concatenar suas múltiplas funções com algo que realmente transcende a nossa compreensão. Eis aí a essência de ser mulher: o amor ao próximo e a um ente que a natureza lhe concedeu de dar a luz sobre suas entranhas à uma nova vida, que surge ao mundo. Torna-se ela um ser realmente único.
A história remete, há tempos, que a mulher, ao desfazer um laço familiar, mesmo com toda a crise de um relacionamento, era um ato constrangedor. A sociedade, até pouco tempo, calava-se diante de toda e qualquer forma de agressão e violência entre um casal.O silêncio da mulher, travado por diversas gerações, traduzia-se no cenário de manipulação, de tirar da mulher a esperança de manifestar o seu pedido de socorro às autoridades. Toda e qualquer forma de diálogo que a mulher pudesse apresentar e a tentativa de resgatar qualquer situação de desconforto era extremamente reprimida por parte daquele que detinha o poder econômico, pela submissão daquela que, frágil e dependente, não só financeiramente, como emocionalmente, já se encontrava literalmente vítima da dominação masculina.
A mulher desempenha um papel impar. A singularidade de ser mulher, mãe, companheira e amiga traz o estigma do ser humano que sofreu e, ainda sofre, o paradigma da submissão e da discriminação. Vítima da imposição “modelista” e “não verdadeira” da real essência do potencial feminino e de suas habilidades e competências, que são e estão inerentes tanto no homem como na mulher. Ele reivindica os seus direitos, posiciona-se não só como mulher, a sua condição de ser mulher, como também luta cotidianamente em busca de uma outra visão da mulher como um ser autêntico e determinado, não mais submisso, que levanta a bandeira contra toda e qualquer forma de violência que fere de forma universal a primazia da luta pelos direitos humanos.A nova mulher encontra-se apoiada em elementos importantes de dignidade e ,principalmente, no surgimento da Lei nº 11.340/2006, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha. Não só mudanças naturais e comportamentais da sociedade, mas também o surgimento de Leis vieram auxiliar e exigir que posturas de abusos, maus tratos e costumes primitivos e agressivos possam ser denunciados e que a sociedade venha a ser cada vez mais presente no combate a este tipo de comportamento, não mais omissa, contrária aos chavões em que o senso comum tanto apregoou: “Em briga de marido e mulher não se mete a colher”, “Parece mulher de malandro, gosta mesmo é de apanhar”. Estes e outros chavões de rótulos pejorativos e grosseiros não podem mais ser aplicados contra a mulher.
A posição da mulher tem uma função especial quanto à atuação de contribuição direta da construção de valores, da sua postura enquanto mãe, ao fazer valer sobre os seus filhos os ideais que a mesma carrega como elementos de sua história, de suas crenças e superstições. A história da mulher está elencada sobre as suas diversas transformações sociais, que estão naturalmente fundamentadas sobre os seus anseios, suas perspectivas de luta, medos e desafios.A mulher tem o poder de contribuir cada vez mais sobre a base de formação do indivíduo na sociedade. Ela tem uma responsabilidade muito grande sobre esta formação, pois nela, enquanto mãe, é depositada a cobrança e a responsabilidade cada vez mais acirrada sobre o seu poder de educar e de transformar.
A mulher tem conquistado, sutilmente, uma grande colocação no mercado de trabalho. Ela tem mostrado que, mesmo inserida sobre diversas jornadas como a família, trabalho e seus anseios pessoais, tem provado que é e sempre foi capaz de realizar suas funções de forma competente.

Prof. Júlio di Paula

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