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A Era Do Propósito

Em algum momento de nossas vidas, experimentamos um vazio profundo, que damos o nome de vazio existencial. Seu período de duração, bem como sua consistência, dependerá de uma serie de fatores, inerentes a cada individuo, poderá se manifestar através de um simples flash ou acompanhar toda uma vida.
Nesses momentos buscamos preencher este espaço nefasto e diabólico, com o que tivermos em mãos, alguns optam em mitigar esse sentimento, através dos vícios, outros encontram na religião o conforto que buscavam, e outros tantos encontram coisas para se dedicar, como por exemplo, participar de missões humanitárias.
Independente do tipo de escolha, aquelas que realmente preencheram esta lacuna, conferindo verdadeiro propósito para suas vidas, experimentaram como efeito colateral, a explosão de um sentimento inexplicável e injustificável, que sentiu nascer no âmago de suas almas, aflorando gentilmente em suas faces, e os experts classificam simplesmente como, paixão.
O “Vazio Existencial” não é um produto da sociedade moderna, como muitos acreditam, sempre existiu e sempre existirá, o que está agravando sua manifestação em nosso meio, é o fato de não darmos a esse sentimento o devido valor, e buscar entender sua origem.
Hoje no mundo moderno, não precisamos correr atrás da caça para se alimentar, nem tão pouco ficar atento a fogueira, para que não se apague, temos facilidades em nossas mãos, inimagináveis do ponto de vista de nossos ancestrais, portanto, teríamos que ser mais felizes em nossas vidas, pois nossas necessidades básicas estão bem atendidas. Além do que, a tecnologia facilita nosso dia a dia, oferecendo comodidades simplesmente magníficas, tudo para satisfazer nossas inquietudes.
Porem, o que assistimos não é bem isso, vivemos numa sociedade com um sentimento profundo de “falta de algo em nossas vidas”, por conta disso, experimentando um conflito interior enorme, gerando em alguns casos, a sensação de inutilidade.
Na realidade o que falta para nós, é buscarmos um propósito de vida, aquilo que possamos investir nosso tempo e energia, e que venha nos satisfazer completamente, e possamos ser reconhecidos como uma pessoa realizada. Por estranho que possa parecer, todo esse processo é viabilizado através do trabalho, nada mais pode elevar o espirito para este estado. Para muitos poderá parecer um paradoxo, já que enxerga em seu trabalho, uma forma de castigo e não uma benção, porem para esses, me atrevo a dizer, que ainda não percebeu o mecanismo da vida.
Assim sendo, podemos concluir que: “O remédio está no que muitos classificam como veneno”.
Vamos então analisar essa relação de amor e ódio que temos com o trabalho: Odiamos trabalhar, quando estamos executando algo que não sentimos o menor prazer em fazer, amamos nosso trabalho, quando nos realizamos através dele, como pessoa, e como profissional.
Então tudo é questão de escolha, de buscar uma oportunidade naquilo que possa representar nosso propósito. Então, porque não fazemos as escolhas certas? Muito simples, porque nossas escolhas na maioria das vezes optam pelo “TER” e não pelo “SER”, o retorno financeiro é colocado em destaque em nossas vidas, em detrimento do nosso estado de espirito futuro.
O status, a posição social, a cobertura na orla ou o carro esportivo do ano, nos move para um caminho difícil de voltar, como alterar nossas vidas, quando descobrimos que fizemos escolhas erradas, se já acostumamos com o que somos ou com que temos.
Essa percepção errada de conquista ou de vitória como queira chamar, tem levado muitos as drogas e a outros males maiores, tudo na tentativa de preencher o vazio existencial, criando gerações de infelizes, que buscam a felicidade, na infelicidade.
Peço licença para contar uma pequena historia que representará perfeitamente o que eu tenho dito até agora:
Tenho um amigo, que é um executivo de um grande banco na cidade do Rio de Janeiro, quando éramos jovens dizia que um dia teria uma cobertura na orla do Rio, e teria o prazer de ver mundo, de um ponto privilegiado. Foi em busca deste sonho, investiu muito tempo e energia, se distanciou da família, abandonou os amigos, não viu quando seus pais partiram, deixou de viver em sociedade para focar no seu objetivo.
Hoje, tem sob sua responsabilidade grandes contas, possui grande prestigio no mercado na qual trabalha, é frequentemente é assediado pela mídia, desfrutando de um padrão de vida invejável, para muitos ele é tido como um vencedor.
Porem, para os amigos confidentes, confessa que odeia o que faz, detestando acordar todo dia de manhã sabendo de seus compromissos. Inclusive classificando o Domingo a noite como pior dia da semana, porque sabe que no dia seguinte, terá que trabalhar. Detesta seu escritório, detesta as reuniões intermináveis e as decisões que é forçado a tomar.
Mas sua vida “ganha vida”, no inicio de Novembro, quando sua escola de samba do coração, abre as portas do barracão para começar a preparar as alegorias do próximo carnaval, e consegue se inscrever no grupo de trabalhadores que irão participar dos trabalhos de construção dos projetos. Neste grupo, ele participa ativamente no setor de serralheria, cortando tubos, serrando esquadrias, soldando chapas, limpando o barracão no final do expediente, e tudo mais que envolve trabalho braçal.
Um respeitado executivo de terno e gravata de dia, e um excelente serralheiro à noite; no banco aonde trabalha recebendo um gordo salário, no entanto no barracão aonde “rala”, além de não receber absolutamente nada, tem que arcar com os custos de sua alimentação.
Percebeu que mundo louco que estamos vivendo? Isso prova que para satisfazer nosso proposito de vida, não precisa muito, apenas fazer as escolhas certas, aquelas que fazem parte de nossas verdades. Teremos que pagar um preço? Sim, na vida tudo tem um preço, formado pelos custos tangíveis e intangíveis. Porem, a decisão sempre esteve e estará em nossas mãos!
Felizmente, percebo que essa nova geração já captou o espirito da coisa, e tem demonstrado uma postura totalmente diferente da minha geração, eles estão buscando trabalhar naquilo que atenda seu verdadeiro propósito de vida, mesmo que signifique ganhar menos e “ter” menos.
Suas escolhas contrariam tudo que meus pais acreditavam, como por exemplo, o conceito de empresa boa para trabalhar, o mesmo valendo para suas profissões e escolhas de carreiras. Atualmente o que seduz o jovem na hora de escolher a empresa, para investir seu tempo e energia, é o proposito que elas atendem, sendo cuidadosos em investigar se estão alinhados ou não com suas verdades pessoais.
O nome da empresa já não seduz nossos jovens, mas sim, o que elas representam; seus valores, sua missão e objetivo,
Minha geração buscava ficar o maior tempo possível dentro de uma empresa, isso representava competência, mesmo que fosse doloroso e revoltante, acordar todo dia de manhã, e fazer as mesmas coisas tediosas, contrariando completamente o conceito de “existência produtiva”.
A única forma de buscar satisfazer nosso proposito de vida é através do trabalho, que somente será encarado desta forma “como trabalho”, quando estivermos executando algo que nada tem haver com nossos objetivos de vida.
Se você compara seu trabalho, com algo ruim e danoso, é hora de reavaliar sua vida, e buscar seu propósito, aquilo que trará felicidade plena para sua existência. Como? É muito fácil!
Pense em algo para trabalhar, que mesmo sem ganhar um centavo, certamente faria com muita satisfação.
Pronto, já achou seu proposito de vida, poderá não atender suas supostas necessidades financeiras, porem, fará você despertar todos os dias de manhã, sempre feliz, porque tem um trabalho a fazer.

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