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A Exclusão Dos Idosos Do Mercado De Trabalho


Já faz tempo, mas houve época em que havia muita disponibilidade de vagas no mercado de trabalho. É possível que alguns leitores se lembrem. Naqueles tempos as empresas dispunham de reservas de mercado para seus produtos e não era possível importar desde que houvesse produção doméstica. Isto ocorreu nos idos dos anos 80. Nunca houve o pleno emprego, mas as entradas e saídas de funcionários geravam uma movimentação (turn-over) até saudável. 

Entretanto, as coisas mudaram. Houve a abertura dos mercados no início de 1990 e a concorrência aumentou. Na mesma época surgiu a globalização na qual os povos que tinham mais capacidade para produzir a preços baixos e ganhavam mais e mais os mercados internacionais. Esta mudança foi gradativa, porém inexorável, trazendo novas técnicas de administração da produção com maior produtividade, redução de desperdícios e, como conseqüência, de custos. Programas da qualidade, produtividade e certificação nas normas ISO 9000 mostravam as possibilidades de economias de escala e produtos com preços mais competitivos. 

Os custos da mão de obra, tanto na manufatura quanto nos serviços passaram a ser alvo de políticas de redução de custos, restando apenas funcionários mais qualificados. O fantasma do desemprego passou a causar calafrios naqueles cujo poder de competição no mercado de trabalho era menor. O corte de níveis na hierarquia das empresas passou a ser normal, aumentando a carga de trabalho dos que eram mantidos. Naturalmente, aos candidatos que demandavam as vagas oferecidas pelas empresas passou a ser exigida melhor formação profissional. Novas escolas e cursos proliferaram. 

Os fatos narrados até aqui espelham o que ocorreu nos últimos 20 ou 25 anos. Dentre as conseqüências destacamos duas. A primeira foi a redução do nível das remunerações pela substituição de antigos funcionários por novos com salários menores. A segunda foi o aumento de pessoas com mais idade disputando vagas com os mais jovens. Nessas condições criou-se um paradigma, pelo qual, pessoas com idade entre 40 e 50 anos são considerados “velhos” para determinadas funções. Outras com mais de 50 anos passaram a ser consideradas “idosas e até obsoletas” para exercerem funções que demandam novas habilidades, tais como, em informática ou no domínio de um segundo idioma. Com os progressos da medicina e da farmacologia, a vida útil dos seres humanos aumentou de tal forma que hoje encontramos pessoas de ambos os sexos com 70 ou 80 anos em ótimas condições físicas e mentais. Isto vem agravar ainda mais a situação do desemprego e da qualidade de vida das pessoas longevas. 

O que fazer? Tenho tido a oportunidade de examinar esses casos em diversos trabalhos de consultoria em empresas que necessitam de colaboradores com perfil definido e idade ao redor de 45 anos. Há casos em que a indicação remete à experiência de profissionais até com 60 anos. A solução adotada tem sido aliar a juventude à experiência, empregando-os de acordo com a estratégia das empresas recuperando a auto-estima das pessoas e criando um ambiente com moral elevado com êxito indiscutível para as empresas. Uma única recomendação: não tenha preconceitos, quebre paradigmas e os resultados serão expressivos. 

João Baptista Sundfeld
joão@sundfeld.com.br 
Sócio fundador da Sundfeld & Associados – Consultoria em Gestão Empresarial.

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