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A falta de pontualidade nos processos seletivos

O índice de desemprego no Brasil está alto! Na atualidade, de acordo com o site UOL, no final de Junho de 2020, 12,7 milhões de pessoas estão desempregadas no país, um total de 12,9% da população.

Já tive a oportunidade de atuar no mercado como Recrutador, e óbvio, como candidato. Sempre busquei conduzir os processos com ética, respeito e muita clareza, mais especialmente, num momento econômico tão difícil de ser vivido por muitas famílias.

Parte deste ano, vivi um período, disponível para o mercado de trabalho. Processos seletivos? Alguns! O que posso relatar? Consegui perceber que muitos recrutadores não estão utilizando o sentimento de empatia. Algumas empresas estão “abusando” do momento e mexendo em pontos sensíveis na vida das pessoas.

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Tenho certeza que, as empresas desejam que os funcionários sejam pontuais! Que tal, recrutadores, também, começar a serem pontuais em seus processos seletivos? Uma das empresas que estive, agendou comigo o processo às 9H30 em um local longínquo e de difícil acesso. Já dá para imaginar, que tem que sair com bastante antecedência para chegar no horário. Os candidatos se preocupam com isso. Tem receio de chegar atrasados e serem pontuados negativamente. Neste processo, fui atendido às 13H00, totalizando 04:30 de espera, com um detalhe: não foi concluído. A recrutadora alegou que, a gestora do setor tinha que almoçar, mas, que me ligaria depois.

Ao total, dez candidatos. O processo era apenas uma entrevista. Quando os candidatos terminavam, eles “discutiam” e chamavam o próximo. Observei que todos foram agendados para o mesmo horário, às 9H30.

Seria mais adequado à empresa, marcar cada candidato em seu determinado horário programando entrevistas entre períodos determinados, desse modo, não haveria uma incansável espera, por parte dos candidatos. Muitos recrutadores acreditam que fazer o candidato esperar seja um teste. Isto, é uma visão ultrapassada e equivocada! Se você, recrutador, quer avaliar o nível de paciência, resiliência ou resistência do candidato, o mercado já dispõe de testes psicológicos. Existem também dinâmicas de grupo com situações/simulações para observar esses pontos.

Não é eficaz constatar que, alguém que esperou muito tempo é paciente! Em um cenário de economia estagnada e desemprego em alta, a necessidade do candidato pode “falar mais alto” e obrigá-lo ao longo período de espera.

Tenho total preocupação, enquanto recrutador, em começar todos os processos seletivos no horário marcado, pois, como ser-humano, sei que existe, desde o momento do contato telefônico ou por e-mail, uma gama de sentimentos: ansiedade, preocupação, medo, incerteza, competitividade… Algumas pessoas nem conseguem tomar café, outras não conseguem dormir, outras tiveram grandes inconvenientes para conseguir chegar, como falta de recursos financeiros. Há candidatos que não tem com quem deixar os filhos. Outros, abandonam um compromisso importante, sem contar, os que já tem uma atividade e estão em busca de uma nova oportunidade, estes, são passivos de descontos salariais ou até mesmo sanções.

Fazer um candidato esperar horas a fio, por falta de organização, não comprova virtuosismo. Comprova desorganização, falta de empatia e sobretudo egoísmo.

Ao início da minha entrevista, era visível o estado de fadiga dos recrutadores e gestor por pura desorganização.

Em minhas palestras, costumo dar aos candidatos orientações sobre como devem se portar, pontualidade, tom de voz, currículo, figurino, dentre outros…, mas, hoje, deixo aqui as minhas considerações a você recrutador/empregador. Antes de iniciar um processo seletivo, organize seus horários, estabeleça tempo para cumprimento de cada etapa/tarefa, receba os candidatos de forma cordial, utilize a empatia e trate os candidatos como você gostaria e acredita que deve ser tratado. Sem dúvidas, seu processo seletivo será muito mais prazeroso, satisfatório e assertivo (para ambos).

Algumas empresas têm um processo um pouco mais extenso que pode durar até mesmo um dia inteiro, nesses casos, comunique ao candidato a extensão do processo para que ele possa preparar-se.

Lembre-se: num processo seletivo, não é apenas o candidato que está sendo avaliado, mas também, a empresa e sua cultura! Hoje, você é recrutador, amanhã poderá ser o próximo candidato.

Mais empatia, por favor! O mundo gira. Sucesso a todos.

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Por: GEISON MORAIS DOS SANTOS

Bacharel em Administração de Empresas. Formado em Gestão de Recursos Humanos. Especialista em Gestão da Qualidade com MBA em Gestão Competitiva e Business Intelligence. Pós-graduando em Marketing e Comunicação Integrada. Mestrando em Project Menagement pela Escola de Negócios Europeia de Barcelona. Profissional com experiência em Gestão de Pessoas nas áreas em Recursos Humanos, atendimento a Clientes e Gestão da Qualidade.

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