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A liderança e o “novo normal”

novo normal

Ser um bom líder quando tudo ao seu redor não está indo bem, considerando o período de crise pelo qual estamos passando, torna-se um desafio de um milhão de dólares. Diante disso, como preparar a liderança para atuar no novo normal?

Durante os meses de home office forçado, a espontaneidade dos corredores deu lugar às reuniões via teleconferência, sempre agendadas com antecedência e não com mais do que cinco pessoas. Não há uma “etiqueta virtual” recomendando que os participantes deixem suas câmeras ativas, a fim de que o interlocutor saiba suas reações e consiga extrair, pelo menos um pouco, de linguagem não verbal daquela conversa. A essa postura, deram o título de “novo normal”.

Nova call to action

A verdade é que esse movimento que arrebatou de uma vez nossos hábitos e costumes (e por que não mencionar nossa cultura?), não é e nem nunca será natural. Fomos forçados, de um dia para o outro, a nos distanciarmos uns dos outros e restringirmos aquilo que nos faz, também, humanos.

Uma pesquisa realizada com 1460 pessoas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro em dois períodos distintos do ano (de 20 a 25 de março e de 15 a 20 de abril), ou seja, bem no começo da pandemia e após certo período, mostrou que os casos de depressão aumentaram 50%, em razão da quarentena. Além disso, e com base no mesmo estudo, os sintomas de ansiedade e estresse aumentaram 80%. Isso é só uma amostra do que pode vir pela frente.

No universo corporativo, instalou-se uma distância que torna mais difícil pertencer, sentir-se parte de um grupo, principalmente quando alguém acaba de ser contratado pela empresa. E pouquíssimas companhias estavam preparadas para o trabalho remoto, com estrutura que não só garantisse a interação entre colegas e gestores, mas também que os unisse em torno de um mesmo propósito.

É intrigante o fato de que, ao mesmo tempo que tudo está acessível, falta acessibilidade humana. Aquela coisa de dar ao outro a permissão, a liberdade de ligar por qualquer motivo e a certeza de que ele poderá contar com esse acesso fácil, espontâneo e necessário. Ainda mais em tempos como este, quando uma simples pergunta trivial pode ser a porta para a inclusão de uma pessoa entre as demais.

A confiança a que me refiro transmite aos colegas profissionais o sentimento de que há uma saída, de que nossas bases são firmes e duradouras. Não é à toa que muitos de nós têm buscado estabilidade não somente no aspecto financeiro, mas na saúde emocional, na boa convivência, no sentimento de conforto, no respeito à história de vida de cada um. Por isso a importância do olhar atento às individualidades.

É natural que procuremos pelo controle de situações sobre as quais sabemos que jamais teremos, afinal isso nos traz a sensação de segurança e nos permite seguir com a vida e com o trabalho. Mas ao líder cabe o papel de transmitir calma, transparência e firmeza em relação ao futuro, e não de controle.

Fato é que ainda não sabemos qual será o preço a ser pago pelo isolamento no longo prazo, mas já temos algumas dicas sobre como reagimos a essas situações de estresse e quão difícil é transitar tão repentinamente para outra realidade, outro mundo!

O compromisso que podemos assumir com nossos liderados é de que tentaremos, sempre, ser fontes de inspiração e um norte pelo qual eles podem se guiar, contribuindo para que sejam os protagonistas de suas próprias histórias – dentro e fora da empresa.

O que considero normal mesmo – e isso não é novo, embora infelizmente seja pouco praticado, é o relacionamento humano ser colocado como prioridade em qualquer circunstância e em qualquer lugar.

*Por Fábio Camara é CEO e fundador do Grupo FCamara.

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