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A pedagogia em revolução

A pedagogia em revolução

Era do Conhecimento ou Era da informação? Na atualidade é bem provável que já nos tenhamos deparado com uma das alternativas acima sendo utilizada para conceituar e/ou identificar a realidade em que estamos inseridos.
Morin, pensador francês, citado por Gandelman (1997), evidencia o tema ao afirmar:

“O primeiro significado da palavra conhecimento é informação; é obvio que quem tiver informação tem vantagens. O segundo significado é o conhecimento que classifica as informações. Porém, um conhecimento supersegmentado, como o de especialistas, incapazes de contextualizá-la, não é capaz de atingir este dito de PASCAL: ‘É necessário conhecer as partes para entender o todo, mas é necessário conhecer o todo para entender as partes.’ Estamos vivendo num período em que o conhecimento só se torna significativo quando está situado no seu contexto. O terceiro significado tem a ver com inteligência, consciência ou sabedoria. A inteligência é a arte de vincular conhecimento de maneira útil e pertinente; consciência e sabedoria envolvem reflexão.” (Gandelman, 1997, p.21)

Nova call to action

Observa-se, no entanto, que ambas as descrições tem-se fundamentado nas ações e reações da sociedade globalizada. Dado o rápido processo de digitalização que vem ocorrendo no mundo e que pressupõe uma nova postura cultural influenciada pelo fator tempo-espaço e pela capacidade contínua de adaptação do ser humano. Portanto, o advento das tecnologias digitais e sua inserção se fazem sobremaneira na vida cotidiana, afetando o indivíduo e sua concepção no mundo. Inicia-se, assim, uma corrida pela aquisição de novos conhecimentos.
Concomitantemente, a informação tem-se tornado cada vez mais democratizada, dinâmica e dispersa, encontrando-se portada nos mais variados veículos de comunicação. E, a internet, símbolo da modernidade, tornou-se a promotora da “informação em tempo real” e a responsável pela velocidade da interação com o mundo distante.
Partindo dessas premissas, o indivíduo passou a necessitar de melhor e maior qualificação para perceber todo esse conteúdo informativo de forma crítica, transformando-o em conhecimento. Devido à velocidade e à obsolescência dos recursos tecnológicos, essa qualificação demanda uma postura de aprendizagem cíclica e que oportunize uma atuação eficiente e eficaz mediante as novas necessidades que se fazem necessárias. Atualizar-se passa a ser uma imposição dos novos tempos.

Considerando a inter-relação entre conhecimento e informação poder-se-á considerar, despretensiosamente, que adentramos à Era da Revolução Pedagógica, em que o pedagogo enquanto profissional, vê-se redimensionado para atuar nos mais diversos setores da sociedade, onde o homem não se reduza a si mesmo, porquanto, torna-se principal sujeito responsável de toda ação transformadora. E, esse movimento eloqüente pronuncia-se numa dinâmica intensa, posto que, o eixo norteador da evolução abstém-se da cristalização, assumindo um caráter cada vez mais indissociável para a história socioeconômica e cultural da humanidade.
Nesse viés, oportunizou-se a construção de um projeto de intervenção no âmbito da prática educativa universitária correlacionada com o fazer social e, tendo como proposta de ação, a “análise do site de uma instituição de ensino”. O foco desse projeto visa inferir como diferencial o olhar pedagógico para a organização de informações e do conhecimento apropriados num mesmo condutor de aprendizagem, arremetido pela modernidade das tecnologias digitais.
Um site pode ser considerado como uma ferramenta de marketing institucional ou como um instrumento para a viabilização da venda de um determinado produto. Mas, pode ser ainda, um ambiente on-line, capaz de permitir a integração de informações estruturadas e da aprendizagem de conhecimentos variados e bem elaborados.
É profícuo que um site promova a interação eficiente pautada na customização dos serviços prestados, observando-se o caráter transformador dos novos meios de comunicação, refletindo, inclusive, nas relações econômicas locais e internacionais.
A construção e desenvolvimento desse projeto vêm privilegiar a correlação entre a edificação de um instrumento potencial em sua completude e a mobilidade de sua atuação em consonância com as perspectivas de seus usuários, ressaltando como ponto de partida o paradigma tecnológico que permite, ainda, conjeturar um novo conceito – o da sociedade aprendente – em que a formação por meio da educação continuada dos indivíduos possibilita um ativo inestimável para as organizações e, conseqüentemente a agregação de valores à promoção da sociedade como um todo. Na mesma proporção, destacar-se-á uma tendência inevitável para a articulação entre a formação educativa e o mundo do trabalho, ao evidenciar uma qualidade inovadora que leva em conta o olhar crítico do profissional da pedagogia, validando sobremaneira sua proposição.
Portanto, nessa mediação, o espaço pedagógico vê-se redimensionado, onde o pedagogo, reconhecendo os diversos estilos cognitivos e as diversas competências humanas, propugna sua ação por meio da identificação e aperfeiçoamento da relação entre o sujeito e o mundo virtual, afim de que um não se torne o algoz do outro, mas sim, para que se predomine uma perfeita harmonia entre criador e criatura.
Ademais, não basta apenas ter uma boa idéia e colocar no ar, seguindo a onda do momento, é necessário primar pelas características básicas – autoridade, usabilidade, objetividade, atualidade e flexibilidade – que venham a conferir-lhe uma qualidade e um resultado concludente, ou seja, o sucesso almejado. Afinal, o site tornou-se um recognitivo da própria empresa.

Bibliografia:

GANDELMAN, Henrique. De Gutemberg à Internet. Edit. Distribuidora Record de Serviços de Imprensa S/A, RJ, 1997. Copyrigh©1997 by Henrique Gandelman.

Autor: Cátia Aparecida Ramos – Formação: Pedagoga pelo Centro Universitário Newton Paiva e com Especialização em Pedagogia Empresarial pelo Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais de Minas Gerais. Atua no setor de Recursos Humanos em uma escola da rede privada de Belo Horizonte.

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