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A Reputação Diz Tudo

Eu sou da época que as pessoas na TV, nas novelas e nos filmes apareciam fumando e bebendo. Tinha até cigarro de chocolate para crianças, pasmem! Nesta época, década de 80, eram permitidos os comerciais de cigarros. Lembro-me bem das campanhas da Hollywood. Nunca fui fumante, mas sempre fui fã das campanhas da Hollywood. Nesta época a publicidade e a propaganda de massa eram mais eficientes e exerciam mais influência do que nos dias de hoje. Nesta mesma época, as empresas que apareciam mais eram as que falavam mais de si e de seus produtos, geralmente eram líderes em seu segmento.
Fechando o foco em pessoas, quando alguém tinha algum problema numa cidade, o simples fato de mudar-se para outro estado dava chances de reconstruir uma nova vida abandonando um passado não muito bom. Em alguns casos mudando até de país.

As coisas mudaram significativamente. Com a difusão da informação, a globalização, o surgimento da internet; a força de comunicação das empresas foi dissipada entre os consumidores. O que os consumidores falam das empresas, produtos e serviços, agora é o que importa.

As redes sociais aumentaram exponencialmente o poder de escolha do consumidor. Fechando o foco novamente em pessoas, nunca foi tão fácil que estranhos saibam alguma coisa sobre a nossa história.
Neste contexto de mudanças significativas, um dos desafios das empresas e pessoas passa a ser como construir uma boa reputação. Segundo a Wikipédia:
Reputação (do latim reputatione) é a opinião (ou, mais tecnicamente, uma avaliação social) do público em relação a uma pessoa, um grupo de pessoas ou uma organização.
A reputação também é conhecida como um mecanismo de controle social ubíquo, espontâneo e altamente eficiente em sociedades naturais. É objeto de estudo em ciências sociais, administração e tecnologia. Sua influência vai de ambientes competitivos, tais como mercados, aos corporativos, tais como empresas, organizações, instituições e comunidades. Ademais a reputação atua em diferentes níveis de agência, individual e supra-individual. Ao nível supra-individual, diz respeito a grupos, comunidades, coletivos e entidades sociais abstratas (tais como empresas, corporações, países, culturas e mesmo civilizações). Ela afeta fenômenos em diferentes escalas, da vida cotidiana às relações entre nações. A reputação é um instrumento fundamental da ordem social, baseada em controle social espontâneo e distribuído.

A pergunta que não quer calar é: O que fazer para ter uma boa reputação? Como fazer para que falem bem de nós, da nossa empresa, de nossos produtos e serviços?
Ainda remontando os anos 80, uma lição que infelizmente ainda não foi assimilada por todos, é que não adianta querer transparecer algo que não é. A frustração originada da quebra de expectativas mancha a reputação. E reputação maculada, nos dias de hoje, pode ser fatal.

O nosso passado nunca teve tanto poder de influência sobre o nosso futuro como agora.
Mas então, o que estão falando sobre você agora? Creio existir apenas três possibilidades: Não falam nada. Estão falando mal. Estão falando bem.

No caso de não estarem falando nada, é ruim. A reputação é insumo para a construção de uma credibilidade mínima capaz de contribuir para a formação de opinião. Pelo menos uma primeira impressão. Você enquanto profissional é fácil de ser encontrado na web? Seu perfil profissional está atualizado?
No caso de estarem falando mal, é fundamental apurar se a crítica é pertinente ou venenosa.

O fato é que lidar com as críticas é sempre duro e complexo. Mas nestes casos, a primeira conferência que deve ser feita é se a crítica tem origem na quebra de expectativa, ou seja, de uma situação onde se tentou ser o que de fato não é. Não acredito que nessas situações deva-se ignorar de imediato. Sim, sabemos que não somos perfeitos e é impossível agradar a todos, mas talvez a origem de tais críticas possa ser o simples fato de querermos ser perfeccionistas e agradar a todos.
Aprofundando um pouco mais, a construção de uma boa reputação nasce de uma base de autenticidade. Segundo a Wikipédia:

Entende-se por autenticidade a certeza de que um objeto (em análise) provém das fontes anunciadas e que não foi alvo de mutações ao longo de um processo. Na telecomunicação, uma mensagem será autêntica se for, de fato, recebida na íntegra, diretamente do emissor.
Outra definição de Autenticidade seria a identificação e a segurança da origem da informação. O nível de segurança desejado, pode se consubstanciar em uma “política de segurança” que é seguida pela organização ou pessoa, para garantir que uma vez estabelecidos os princípios, aquele nível desejado seja perseguido e mantido.
Autenticidade é a garantia de que você é quem diz ser. Em segurança da informação um dos meios de comprovar a autenticidade é através da biometria que está ligado diretamente com o controle de acesso que reforça a confidencialidade e é garantida pela integridade.

Ser autentico dá medo. Medo de se expor. Medo da crítica, da rejeição, da descoberta de que não somos perfeitos. O que podemos perceber hoje são pessoas e empresas tentando projetar algo que não são a fim de minimizar os efeitos de possíveis críticas. Enquanto consumidores somos testemunhas de empresas que tentam a todo custo construírem uma reputação perfeita.
Para ser autêntico é necessário refletir rapidamente sobre o perfeccionismo.
Perfeccionismo não significa se esforçar para fazer o seu melhor. Não tem a ver com realizações saudáveis e crescimento. Segunda a psicóloga Brené Brown em seu livro intitulado A Arte da Imperfeição, o perfeccionismo é a crença de que se a nossa vida, aparência e atitude forem perfeitas, conseguiremos minimizar a dor da culpa, da crítica e da vergonha. É a tentativa de conquistar aprovação e aceitação.
Uma reputação perfeita é utopia. Portanto, perfeccionistas são pessoas/empresas que correm atrás do vento diariamente engolindo grandes doses de frustração.
Cabe a nós buscar a coragem para assumirmos o que somos. A busca pela autenticidade é o caminho para se construir uma reputação boa e sustentável.

Não dá para ser bom em tudo. O que é que você tem de melhor? Comunique isso. Celebre os seus êxitos. Sem exageros, mas celebre.
Quanto aos erros, o melhor que temos a fazer é aprender com eles e evitar buscar explicações mirabolantes. Afinal de contas, pessoas e empresas são imperfeitas. É a certeza que ainda existem seres humanos habitando neste planeta. É sinal de vida. Problema nenhum conviver com isso. Complicado mesmo é querer ter uma reputação impossível de existir.


Robson Vitorino é palestrante, professor, articulista e consultor nas áreas de Marketing, Comunicação, Liderança e Gestão de Pessoas – www.robsonvitorino.com.br – E-mail: contato@robsonvitorino.com.br

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