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Acredite Se Quiser

Você
sabia que o Brasil desperdiça cerca de 40 bilhões de dólares por ano enviando
meramente ao lixo diversos tipos de matérias primas e outros produtos, e que
este valor equivale a aproximadamente 1/3 da dívida externa brasileira e que a
cada ano agrícola, jogamos fora já na fazenda cerca de 25% da produção?

Realmente, um verbo que o brasileiro sabe conjugar bem, é DESPERDIÇAR.

Temos outros exemplos, tais como, o rendimento obtido na colheita do leite, no
Brasil em média é de 3 litros/dia por vaca leiteira, enquanto que no Uruguai
é de 8 litros/dia e na Argentina é de 15 litros/dia. O baixo rendimento
deve-se ao fato de que não existem investimentos nem na alimentação do
rebanho, já que ainda é praxe alimentá-lo com capim e cana moída.
Possuímos o maior rebanho da América Latina, entretanto o consumo de leite per
capita do brasileiro é de apenas 50 litros/ano, enquanto que nos Estados Unidos
é de 106 litros/ano e na Alemanha de 120 litros/ano.
Acredite se quiser, mas aproximadamente 30 milhões de brasileiros não tomam
leite devido ao desconhecimento ou por falta de acesso ao mesmo.
Minas Gerais que é um estado fortemente agrícola, tem uma perda aproximada na
sua safra de feijão de 20 a 25%, na do milho de 25% e na de arroz e tomate o
mesmo percentual. Quanto aos produtos hortifrutigranjeiros a perda chega a
atingir até 30%. Apesar disso, Minas Gerais não está fora da média, pois a
brasileira é de 20% de perdas para os grãos e de 30% para os produtos
hortifrutigranjeiros.
Existe um ditado popular no campo que diz: “O
Brasil sempre foi considerado o país do amanhã, só que amanhã é feriado”.
Por que não existe o investimento?
O mesmo é difícil de ser conseguido junto aos bancos oficiais, a taxa de juros
normalmente é elevada, o retorno é sempre em longo prazo e os pagamentos
vencem de imediato. Falta ainda um adequado planejamento e obviamente um apoio
maior da área governamental.
Incrível, mas o Brasil é o maior produtor mundial de banana, entretanto para
cada dúzia colhida, em média oito bananas são jogadas fora, devido à
colheita ser precária e manual, aliado às péssimas condições de embalagem e
transporte.
No CEAGESP de São Paulo, o maior centro de distribuição de produtos da América
Latina, cerca de 20% do recebido no dia e não vendido é jogado fora, portanto
um desperdício absurdo. São milhares de produtos normalmente aproveitáveis,
tais como cenouras, beterrabas, pepinos, folhas diversas, etc, que são
simplesmente destruídos, enquanto milhares de brasileiros simplesmente passam
fome e vivem na mais completa miséria.
Acredite se quiser, mas não são poucas as famílias de favelados que
simplesmente buscam seu sustento no CEAGESP, e por mais incrível que possa
parecer, nem ao menos sabem o preço daqueles produtos ali por elas recolhidos.
Se todo este alimento fosse aproveitado, seria possível preparar-se todos os
dias cerca de 1.500.000 de pratos com ótimo teor nutritivo. O Instituto Mauá
de Tecnologia aproveita apenas 2,5 toneladas destas frutas e verduras que são
desperdiçadas para produzir a NUTRISOPA e alimentar cerca de 11.000 alunos de
escolas públicas, com uma redução de custo de cerca de 20% sobre a merenda
tradicional.
Mas o desperdício não ocorre apenas no campo e no centro distribuidor, ocorre
também nos restaurantes e em nossas residências. Nas grandes churrascarias é
comum ocorrer uma perda de até 40% do prato pedido, ou seja, o brasileiro
primeiro se alimenta com os olhos e depois com a boca. Estes poucos
privilegiados nem se lembram, ou não tem interesse em saber, que
aproximadamente 70.000.000 de brasileiros ganham cerca de meio salário mínimo
e, portanto não tem acesso a esta alimentação.
Informações como essas são apresentadas e mostradas todos os dias pelos
nossos meios de comunicação, entretanto fingimos não as receber. Está na
hora de olharmos o nosso íntimo e realizarmos algo de que possamos realmente
nos orgulhar. Caso isto não ocorra, além do dito anos atrás por De Gaulle, de
que o Brasil não é um país sério, deveremos acrescentar que é também o do
DESPERDÍCIO.
Já estamos no século XXI e algumas coisas melhoraram, entretanto temos ainda várias
oportunidades de melhoria.

FAÇA ALGO A MAIS!!


Milton Augusto Galvão Zen
Engenheiro Eletricista
Eng. Segurança do Trabalho
Administrador de Empresas

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